Entrevistas

Publicado em 08 de Janeiro de 2016 às 07h:00

Entrevista: Natan Coutinho

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Autor Luigi F.

Natan Coutinho. Imagem: Jonathan Roberts Photography

No próximo dia 30 de janeiro, ele enfrenta o astro chinês Zou Shiming (6-1, 1 KO), em Xangai, casa do rival, no embate mais importante de sua até hoje curta carreira. Acostumado a lutar no Brasil como super-mosca, descerá uma divisão de peso para encarar o adversário. E, com apenas 21 anos, esse invicto pugilista paulista tentará dar um passo do tamanho de seu sonho. Estamos falando de Natan Coutinho (12-0, 10 KOs), o promissor boxeador brasileiro que é o entrevistado de hoje do Round13.

O filho mais novo do casal Moisés e Magnólia se expressa com falas pausadas e mostrando bastante empolgação com a grande oportunidade que terá no final deste mês. Não é para menos, afinal, não é todo dia que se divide o quadrilátero de cordas com um bicampeão Olímpico e tricampeão mundial amador.

Fazendo sua preparação em São Paulo, junto aos treinadores Hilton Santos e Marcão, Natan vem fazendo seus sparrings no Coliseu, em Guarulhos, onde treina com promissores pugilistas do cenário amador do boxe brasileiro. A ideia é tentar simular ao máximo como é encarar uma fera do boxe olímpico que ainda não convenceu desde a migração para o profissionalismo.

Apostando em sua juventude e na pegada, o brasileiro tentará suplantar o favoritismo do rival, que vem de sua primeira derrota no boxe profissional. E, deixando toda a pressão pelo resultado com o oponente, Natan tentará se apresentar aos fãs de boxe internacionais e chocar o mundo.

O pugilista conversou com exclusividade conosco sobre sua carreira, as expectativas e a preparação para o confronto contra Shiming e muito mais. Com vocês, Natan Coutinho!
 

Round13: Primeiramente gostaríamos de agradecer pela disponibilidade para essa nossa entrevista. Para começarmos, vamos falar um pouco sobre seu início no boxe. Poderia comentar sobre sua rápida carreira no boxe amador?

Natan Coutinho: Opa, o prazer é meu. Via o Round13 quando eu era amador, e eu é que agradeço por divulgarem meu trabalho. Eu fiz apenas 11 lutas amadoras, com 8 vitórias e 3 derrotas. Fui vice-campeão da Forja dos Campeões, campeão da Taça Eder Jofre e da Copa Revelação, uma competição numa federação que o Gabriel de Oliveira comandava. Cheguei a disputar o Luvas de Ouro e o Campeonato Paulista também, mas acabei perdendo na primeira luta. Quando fiz esses campeonatos, eu tinha apenas 16 anos, então quando eu pegava uns caras mais velhos de 25, 27 anos, eu tinha muita dificuldade por causa da força deles.

Round13: E como o boxe entrou na sua vida?

Natan Coutinho: Eu treinava outras artes marciais e sempre gostei disso. Acabei tendo algumas lesões que me impossibilitaram de praticar as outras artes e comecei a treinar boxe em dezembro de 2009. Logo na minha primeira semana, já fiz minha primeira luta, e daí em diante as oportunidades foram aparecendo. Como eu sempre gostei de lutar, e sempre me dei muito bem com o Hilton Santos, que é meu treinador, mestre, e quem me ensinou tudo que sei de boxe até hoje, eu continuei, e estou aqui até hoje.


Hilton Santos e Natan Coutinho. Imagem: arquivo pessoal.

Round13: E sobre essas outras artes marciais, você poderia nos dar mais detalhes da sua experiência?

Natan Coutinho: Tive uma passagem no jiu-jitsu e no judô entre 2007 e 2008, e depois comecei a treinar muay thai. Sou faixa azul de jiu-jitsu, verde de judô e preta de muay thai. Aliás, é com isso que eu também sobrevivo, dou aulas de muay thai e de boxe para ganhar o meu dinheiro e sobreviver. No início de 2009 eu tive uma ruptura de ligamento cruzado no joelho, e quando voltei a treinar, tive muita dificuldade para conseguir chutar. Comecei a treinar o boxe para afiar mais as mãos. E daí nasceu essa paixão pelo boxe, que é uma coisa mais bonita que o MMA, mais clássica, você pode ter vários cinturões, sempre foi algo que me chamou a atenção, além de ser um sonho.

Round13: E praticando tantas lutas, você chegou a pensar em praticar MMA?

Natan Coutinho: Sempre quis muito lutar MMA, era o que estava em alta na época que eu comecei, com o Anderson Silva e todos os outros. Mas depois o boxe apareceu, logo eu já comecei a lutar, ajudei na preparação de um amigo meu para a Forja, e em 2011 eu mesmo já disputei esse campeonato, e depois todos os outros. Hoje isso está totalmente descartado. Se eu for campeão do mundo no MMA, eu vou ser mais um brasileiro campeão, pois hoje temos vários campeões. Já no boxe, você conta nos dedos os caras que marcaram uma época, que foram campeões do mundo. Hoje, mais adulto e maduro, meu pensamento é apenas no boxe, e o MMA foi mais um sonho de criança mesmo. Tenho o sonho de marcar uma época, ser campeão do mundo, além do dinheiro, que é necessário para sobreviver. Quero deixar meu nome marcado, treino no dia-a-dia para isso, para daqui 20, 30 anos, mesmo depois que eu tiver aposentado, as pessoas lembrem de mim, e que eu não seja apenas mais um.

Round13: O que levou você a se profissionalizar após as 11 lutas no boxe amador, aos 18 anos de idade? Você chegou a considerar passar mais tempo no amador, tentando buscar uma eventual experiência na seleção brasileira?

Natan Coutinho: O boxe amador nunca me chamou tanta atenção. Sempre gostei muito dos cinturões, de ver o Floyd Mayweather, o Mike Tyson, com 4, 5 cinturões no corpo, sem nem caber direito neles. Sempre tive essa vontade de chegar lá, ser o campeão do mundo, ter um cinturão na minha cintura, e é esse meu sonho desde que comecei. O Hilton, meu treinador, também teve uma carreira curtíssima no amador, e ele é atleta profissional ainda hoje. Tudo isso me levou a ter uma carreira curta no amador.

Round13: Você se profissionalizou em 2013, fazendo 8 lutas já no primeiro ano. Em 2014, fez 3 lutas e ano passado 1, tendo vencido todas até hoje. Poderia comentar um pouco sobre seu início no boxe profissional e também se sentiu muita diferença em relação aos tempos de amador?

Natan Coutinho: Lembro do meu início como se fosse hoje. O mestre recebeu uma ligação de um evento que ia ter no Elite Itaquerense (em São Paulo) em 2013. Na época eu estava um pouco desmotivado pois as coisas não estavam acontecendo mais, não gostava muito do boxe amador. Era uma oportunidade para entrar no boxe profissional. Ele me perguntou se eu queria lutar, e eu falei que não sabia se eu já estava pronto. Ele então me passou toda a confiança do mundo, pois sempre acreditou mais em mim do que eu mesmo. Fizemos nossa primeira luta nesse evento (Nota: Natan venceu José Carlos Amaral, por pontos), onde tive até que desembolsar um dinheiro para pagar a bolsa do meu oponente. No início consegui fazer muitas lutas, mas isso começou a diminuir com o tempo. Já em relação à transição para o boxe profissional foi tranquila, pois eu tinha lutado muito pouco no amador, então ainda não tinha o cacoete do boxe amador de pontuação. Sempre tive um estilo mais profissional, mais pegada do que pontuação. O que senti de mais diferente foi o corpo a corpo, no profissional é mais forte, as vezes rolam umas cabeçadas, e os golpes são trabalhados com mais ímpeto e contundência.

Round13: Você tem um estilo de luta bastante agressivo, usa bem as combinações e também se utiliza de alguns golpes plásticos, como a manivela. Outra coisa que chama a atenção nas suas lutas são as roupas com cores chamativas e sempre com algum tema. Você poderia comentar um pouco sobre seu estilo de luta e sobre sua estratégia de marketing pessoal?

Natan Coutinho: O uso de golpes diferentes é algo natural mesmo. Graças a Deus eu consigo, sem forçar muito, colocar um golpe diferente, chamar a torcida e agradar ao público. Treino esses golpes no dia-a-dia, nada que eu faço nas lutas é do nada. Tanto a manivela, quanto abrir o braço e bater o cruzado, ou então o golpe pelas costas, são todos treinados por mim e pelo Hilton, e eles têm um fundamento. Sempre estou buscando uma finta, ou então abrir um espaço para colocar outro golpe. Sobre os calções, realmente tenho prazer em pensar nos calções para minhas lutas. Gosto de desenhar os calções, levar para a Dona Zilda que faz a maioria dos calções dos boxeadores aqui no Brasil, e pedir para ela fazer com tal pano, tal cor, é algo que além de ser importante para meu marketing, é algo que eu sempre gostei, é até algo que me relaxa. No passado, caras como Hector Camacho, Naseem Hamed, Roy Jones Jr., Floyd Mayweather, todos eles tinham uma parte de marketing apurada, e eu pretendo continuar com isso. E isso também vem da felicidade de estar lutando, só quem sofre no dia-a-dia com os treinos sabe o que a gente passa, dou um duro danado para fazer tudo, e quando chego no ringue, estou muito feliz por estar ali, então acho que tudo é consequência disso também. Mas, sempre lembrando que o principal é treinar bastante e estar preparado para as lutas.

Round13: Em junho de 2015 você assinou um contrato com o Don King. Como foi isso?

Natan Coutinho: No ano passado fiz apenas uma luta infelizmente. Não sei se as portas se fecharam para mim, ou o que aconteceu, mas tive muita dificuldade para encontrar lutas em 2015. Foi um ano que eu achei que estava perdido, que até me desmotivou um pouco, mas continuamos treinando forte com meu mestre e toda minha equipe. No meio de 2015 surgiu o contrato com o Don King.


Natan Coutinho (esq.) x Felipe Mattos dos Reis (dir.), em jun/15. Imagem: Ivan Storti.

Round13: Pouco depois surgiu o convite para enfrentar o Zou Shiming. Conte um pouco como isso ocorreu e como você resolveu aceitar essa luta.

Natan Coutinho: Surgiu no fim ano passado. Veio um e-mail lá dos EUA, da Don King Productions perguntando o que achávamos da luta. Falei com meu treinador e com meu empresário, assistimos às lutas do chinês, e era um cara que eu já conhecia, já tinha visto algumas lutas dele. E ficamos algum dia vendo isso, não foi algo de um dia para o outro. Foi bem pensado. Vimos algumas coisas que meu jogo poderia caber no jogo dele, conversamos entre nós e acabamos aceitando a luta, com todos de comum acordo.

Round13: Sabemos que aqui no Brasil existe uma grande dificuldade para encontrar adversários na mesma categoria de peso, e também parceiros de alto nível para fazer sparring na mesma categoria. Como vem sendo sua preparação?

Natan Coutinho: Essa questão das lutas, foi algo que sofri bastante. Cheguei a lutar em categorias bem mais altas do que a minha pois não tinha contra quem eu lutar. Eu precisava aparecer, precisava das vitórias no cartel, e lutei. Graças a Deus fui abençoado e venci. Sobre a questão do sparring, estou fazendo lá no Coliseu, em Guarulhos. Não costumo fazer camps específicos para uma luta, eu treino todos os dias. A parte de força e velocidade eu já tinha feito. Agora estou focando nas luvas, e estou fazendo bastante lá no Coliseu. Como você disse, tem muita dificuldade para achar gente qualificada do mesmo peso, mas hoje o Coliseu vence tudo no boxe amador. O trabalho do Jeferson Acácio lá é muito bem feito. Como o Shiming ficou muito tempo no boxe olímpico, ele ainda tem essa raiz meio amadora, então estou treinando lá com o Jonhatan Soares, que é Bicampeão brasileiro, Andrés Gregório, Audo Diou, Aldeir Silva, meninos que ganham tudo no amador e são os melhores sparrings que eu posso ter para essa luta. Não estou pagando nada para eles, eles estão me ajudando de coração mesmo. E outra parte que estou fazendo muito é a parte física, com corridas e circuitos. Quem faz essa parte comigo é o Hilton Santos. Meu preparo físico tem que estar na ponta dos cascos, já que é uma luta de 10 rounds, e eu nunca lutei tanto assim. Na última luta, o chinês não pareceu ter um ritmo tão forte na luta, e é justamente isso que a gente quer fazer: forçar um ritmo forte.


Após sessão de sparring no Coliseu, em Guarulhos/SP. Da esq. para dir.: Andrés Gregório, Natan, Jonhatan Soares e Aldeir Silva. Imagem: arquivo pessoal.

Round13: Chegaram a te oferecer um treinamento nos EUA através da equipe do Don King ou desde o início a ideia foi se preparar aqui no Brasil mesmo?

Natan Coutinho: Desde o início pensamos em fazer a preparação aqui no Brasil, muito por causa dos sparrings. Temos uma gama de garotos leves no Coliseu muito bons, meninos bem duros e com uma característica parecida com a do Zou Shiming. Eles abriram as portas para mim e acredito que aqui é o melhor treino que eu posso ter mesmo.

Round13: Você está acostumado a lutar como super-mosca, e descerá uma categoria para a luta com o Shiming. Como está o processo de perda de peso?

Natan Coutinho: A diferença entre as categorias é muito pouca, então não acho que vou sentir tanto. Hoje já estou na fase de perder peso, estou com cerca de 55 kg, então não está difícil de bater o peso. Mas a minha vantagem está na força. Eu sou forte para minha categoria, e não é uma divisão que está acostumada com boxeadores pegadores e com tantos nocautes.

Round13: Um evento comum nas suas lutas até hoje é o fato de você ter enfrentado adversários mais altos e mais pesados, como o Darli Pires. Na luta com o Shiming, diferentemente dessas lutas, você vai encarar um lutador mais leve, da sua altura, e com um estilo muito técnico, além da larga experiência. Qual é a sua estratégia? Você já tem um plano de luta traçado para neutralizar tudo isso?

Natan Coutinho: De fato existiu essa diferença de altura, pois pela falta de adversários na minha categoria, tive que subir de categoria as vezes. Contra o Zou Shiming, ele é um cara muito técnico, mas os meus sparrings também têm uma qualidade técnica muito grande. No início até tive um pouco de dificuldade com isso, com a velocidade, mas agora já estou habituado. Esses meninos têm 80, 100 lutas amadoras, apesar da idade, e são experientes no boxe amador. Respeito muito o Shiming, sei de todos os títulos que ele possui, ele viveu muita coisa que eu não vivi ainda, e ele é o favorito. Mas quando sobe no ringue, esse favoritismo acaba. Os dois tem dois braços, duas pernas. Eu estou treinando muito, estou na minha melhor forma e acredito que vou fazer uma grande luta. Não estou indo lá para perder, ou só para fazer uma grande luta, estou indo lá para vencer. Quero estragar a festa dele. O bolo é para ele, mas se Deus quiser eu vou ser aquela criança chata e vou enfiar o dedo no bolo. Ele gosta de trabalhar muito da distância do jab, ele fica confortável nessa distância. Minha ideia é movimentar, mexer a cabeça, para evitar que ele me toque, e encurtar a distância. Quero trabalhar embaixo com o cruzado, upper e o gancho, que são meus melhores golpes.


Natan Coutinho e treinadores. Marcos Paulo "Marcão", Natan e Hilton Santos. Imagem: arquivo pessoal.

Round13: O Zou Shiming vem de derrota em março do ano passado para o tailandês Amnat Ruenroeng, numa disputa de título mundial. Isso com certeza deve pressioná-lo para buscar um bom resultado contra você no dia 30. Você chegou a ver essa luta? Quais as chaves para a vitória que você observou e que podem ser usadas contra ele novamente?

Natan Coutinho: O Shiming tem 34 anos, e apesar de tudo que ele fez no amador, ele não conseguiu ser campeão do mundo no profissional, então não pode perder mais tempo. Ele está com a pressão, e se ele perder de novo, a Top Rank não vai ter a mesma paciência com a carreira dele. Eu sou uma criança só, tenho 21 anos, a pressão é toda dele. Não sinto pressão em cima de mim hoje. Ele gosta de trabalhar na distância com o jab, não coloca um ritmo forte na luta, e quando ele precisa ou buscar a luta, ou então sair do raio de ação do adversário, ele apresenta algumas aberturas. Meu trabalho está sendo em cima disso. Ritmo, tirar a distância, tentar fazer o que o tailandês fez e colocar um ritmo forte em cima dele.

Round13: Você tem, entre amador e profissional, 23 lutas realizadas. O Shiming, além das conquistas, é muito mais experiente e hoje é ranqueado por diversas instituições. Como está sua cabeça e a sua expectativa em relação a tudo isso? Você não acha que seria um pouco cedo demais para um desafio dessa magnitude com apenas 21 anos?

Natan Coutinho: Apesar das poucas lutas que eu tenho, eu acredito que sempre treinei muito, e agora estou treinando ainda mais. Abdico de muitas coisas para poder treinar. Infelizmente, ainda não posso me dedicar em tempo integral, pois tenho que estudar e trabalhar, mas nunca deixo de treinar. Essa parte da experiência eu acho que posso cobrir com a minha vontade e minha preparação física. Eu admiro muito o Shiming, vi o início dele no profissional pela TV, e sempre achei ele um cara muito bom. Mas hoje me vejo em plenas condições de enfrentá-lo. Tive muito crescimento de força e velocidade nesse último ano. Além disso, tenho um técnico que já viajou por 27 países, fez diversas lutas fora, e que confio muito nele. Ele me conhece desde criança, e ele jamais deixaria eu aceitar essa luta se não achasse que eu tenho condições. Mas, apesar de respeitar o Shiming, eu estou treinando muito mesmo, forte, não parei um dia nem no Natal, nem no Ano Novo.  Minha cabeça está tranquila, tenho uma estrutura familiar muito boa, todos me dão muita força. E quando a gente treina, nossa confiança aumenta. Vi muita evolução nos treinos, e estou confiante.

Round13: Como é sua rotina no dia-a-dia entre treinos, estudos e trabalho?

Natan Coutinho: Em 2015 me formei em Educação Física, e agora vou ter um pouco mais de folga para treinar. Até ano passado eu estudava de manhã, treinava após a faculdade, dava aulas a tarde e a noite, e por volta das 22h eu voltava a treinar. Infelizmente aqui no Brasil o esporte não dá tanta renda, mas se Deus quiser vou chegar lá, e essa luta contra o Shiming vai abrir muitas portas para mim.

Round13: Quem são seus ídolos no boxe?

Natan Coutinho: Eu gosto do cara que ganha, né (risos). O Floyd Mayweather é um cara que eu admiro muito, porque ninguém chega onde ele chegou do nada. Ele treinou muito para estar ali. Também admiro demais o meu treinador, Hilton Santos, ele teve toda uma experiência internacional e me dá muita força.

Round13: E na vida, quem são seus exemplos?

Natan Coutinho: Meus pais, eles são os principais. Eles vieram do Nordeste, passaram fome na infância, e hoje têm a casa própria, uma família constituída, possibilitaram uma vida boa aos filhos, então sou muito grato a isso tudo. Não somos ricos, vivemos na periferia, em Jaçanã, mas eles possibilitaram a mim e aos meus irmãos que a gente estudasse, fizesse uma faculdade, sonhasse com a vida, e sempre deram palavras de apoio para não apenas sonhar, mas também para realizar o que queremos.


Natan e família. Da esquerda para direita: Ciro (irmão), Moisés (pai), Magnólia (mãe), Danielle Aguiar (namorada) e Natan. Imagem: arquivo pessoal.

Round13: Quem são os melhores lutadores atualmente no mundo na sua opinião? E no Brasil?

Natan Coutinho: Gostava muito de ver o Floyd Mayweather, que agora se aposentou. Também gostava do Julio Cesar Chavez Jr porque ele luta muito com o coração. (Miguel) Cotto, Canelo (Alvarez) também, são caras que estão muito bem preparados em cima do ringue, e lutando um boxe que eu me espelho muito. No Brasil, admiro muito os irmãos Falcão (Esquiva e Yamaguchi), o Everton Lopes, o Patrick Teixeira, são caras que batalharam muito para chegar lá. Também gosto muito do Wenes “Bandeira”, que é meu parceiro de treino, é um cara muito inteligente, campeão da AMB Fedebol, e pega muito duro, mas assim como eu, hoje está num patamar menor do que esse pessoal que já está lutando no exterior.

Round13: E na sua categoria, quem você gosta de ver lutar?

Natan Coutinho: O Chocolatito (Roman Gonzalez) é um monstro, tem muitos nocautes, e é algo que impressiona. O Naoya Inoue também é um cara que está passando o carro em todo mundo. Gosto deles pela agressividade. E outro que admiro muito é o Zou Shiming, via lutas dele há um tempo atrás, e sempre achei ele um cara muito técnico, e hoje estou muito feliz por ter a oportunidade de enfrentá-lo.

Round13: O que significa o boxe para você?

Natan Coutinho: O boxe é uma das coisas mais importantes da minha vida, é uma chance de eu mudar de vida, dar uma vida melhor para minha família, meu treinador, para termos uma vida melhor, casa, carro. Então é por isso que eu treino no dia-a-dia, para buscar cinturões, para ser um exemplo para as pessoas, para que vejam que o caminho do esporte é um dos melhores que pode ser seguido.

Round13: Considerações finais? Gostaria de mandar algum recado para os fãs?

Natan Coutinho: Gostaria primeiramente de agradecer a Deus que é quem está me proporcionando tudo isso. E depois agradecer a minha família e às pessoas que estão junto comigo: meus treinadores Hilton Santos e Marcão, o meu empresário Mauro Katzenelson, meus companheiros de treino Wenes Bandeira, João, e todas as pessoas que me ajudaram até agora, pois se eu fosse falar nome por nome seria difícil lembrar de todos. Gostaria de agradecer também ao Don King, que é quem está me dando essa oportunidade agora, o pessoal do Coliseu que está me dando uma assistência muito grande, meus patrocinadores G2L Nutrition e Rodrigo Moreira, meu nutricionista, e ao Round 13 por divulgar nosso boxe, divulgar minha luta, é disso que a gente precisa. Gostaria de pedir a torcida de todas as pessoas, que possam torcer por mim nessa luta. Vai ser a luta mais difícil da minha vida, mas vou estar bem preparado. Muito obrigado. 

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