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Publicado em 01 de Maio de 2016 às 12h:00

Entrevista: Patrick Teixeira

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Autor Luigi F.

Imagem: Natasha Guerrize / Globoesporte.com

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Ele é tido pela ampla maioria da mídia especializada e pelos fãs de nosso país como o melhor pugilista brasileiro entre todos os pesos nos dias atuais. Contratado pela Golden Boy Promotions, a famosa empresa de Oscar De La Hoya, em 2015, o catarinense Patrick Teixeira (26-0, 22 KOs) é apontado como o lutador tupiniquim mais próximo de vir ter a chance de disputar um título mundial.

Com apenas 25 anos, o talentoso canhoto oriundo de Sombrio, pequena cidade de 26 mil habitantes localizada no extremo sul de Santa Catarina, fará, no próximo dia 7, o combate mais importante de sua carreira. Contra o norte-americano Curtis Stevens (27-5, 20 KOs), Teixeira tentará obter a mais importante vitória de um boxeador brasileiro em solo estrangeiro nos últimos anos, em embate que será uma das preliminares de um dos mais aguardados confrontos da temporada de 2016. No evento principal, o mexicano Saul “Canelo” Alvarez encara o britânico Amir Khan.

Há apenas uma semana deste tão esperado confronto, o Round13 apresenta para vocês a entrevista exclusiva realizada com o brasileiro, que contou mais sobre sua carreira desde o início no amador, as vitórias mais marcantes e as expectativas para o esperado embate do próximo sábado. Com vocês, Patrick Teixeira!

Round13: Poderia comentar um pouco sobre como o boxe entrou na sua vida?

Patrick Teixeira: Quando eu tinha 13 anos de idade, comecei a ver os filmes do Bruce Lee, e foi quando começou o interesse por lutas. Nessa época comecei a buscar diversas academias de lutas, e foi numa dessas que eu encontrei o boxe.

Round13: Como foi sua carreira no boxe amador? Poderia detalhar seu cartel e seus principais momentos antes do profissionalismo?

Patrick Teixeira: Tive uma carreira curta no amadorismo, com 35 lutas realizadas, das quais venci 30 e perdi 5. Fui campeão dos torneios Kid Jofre, Paulista, Luvas de Ouro e Torneio dos Campeões.

Round13: Você se profissionalizou aos 18 anos, estreando em 2009 contra o Flavio Pardinho. Poderia falar um pouco sobre o que te levou a se profissionalizar cedo ao invés de seguir mais tempo no boxe amador?

Patrick Teixeira: Acredito que meu estilo sempre encaixou melhor como profissional, e além disso eu treinava junto com os profissionais mesmo estando no amador. Meu sonho sempre foi um dia me profissionalizar, então tive uma reunião com o meu empresário Edu Mello e com meus técnicos Edson Xuxa e José Davi, e resolvemos que seria melhor ir para o profissionalismo. O boxe é um esporte no qual o tempo passa muito rápido, então acho que passei na hora certa.


Patrick e sr Edu Mello, da IBG. Imagem: arquivo pessoal

Round13: Depois de vencer suas primeiras lutas, em 2010 você e sua equipe optaram por já lutar no exterior, e você venceu o Joseph De los Santos nos EUA por decisão dividida. Como foi essa luta?

Patrick Teixeira: Foi uma luta que me marcou bastante, e agradeço por terem feito essa pergunta e tocado nesse assunto! Foi um combate muito duro, pois eu estava começando. Todos sabem como é difícil lutar fora do país, ainda mais quando você está no começo da carreira. Muitas pessoas me julgaram nessa luta, dizendo que eu não iria a lugar nenhum porque fiz uma luta feia. Mas, graças a Deus, eu e a minha equipe não perdemos a esperança e conseguimos dar a volta por cima, continuando até hoje batalhando para chegar ao topo.

Round13: Depois de 4 meses, houve uma luta bastante comentada no boxe nacional, quando você encarou o também invicto Jailton Souza, o “Dragão Branco”. Apesar de toda a expectativa de um duelo entre dois promissores lutadores que nunca haviam sido derrotados, você venceu por nocaute no primeiro round. Poderia comentar sobre essa vitória?

Patrick Teixeira: Essa foi uma luta que todos comentaram pelo fato de serem dois invictos. Tanto eu, quanto o Jailton, entramos com fome de manter a invencibilidade. Treinei muito duro para essa luta e o resultado veio, mas de forma que eu não esperava. Com certeza esse é um dos meus nocautes favoritos.

Round13: Em 2012, depois de acumular mais seis vitórias, sendo uma delas nos EUA, você se envolveu em outra disputa que chamou bastante atenção no boxe brasileiro. Contra o gaúcho Samir Santos Barbosa, que possuía um bom cartel e uma grande experiência, você também venceu no primeiro assalto. Como foi essa luta?

Patrick Teixeira: Foi uma luta que me deu mais confiança ainda. Sempre respeitei todos os boxeadores que enfrentei, e pelo Samir eu tinha um respeito maior ainda pelo fato dele ter lutado com grandes nomes do boxe mundial e ficar de pé todos os rounds. Foi um combate que me impressionou bastante, pois treinei demais para essa luta e estava bastante confiante. Graças a Deus, o esforço valeu a pena e consegui a vitória pela via rápida logo no primeiro round.


Patrick na Argentina, onde já treinou algumas vezes. Imagem: arquivo pessoal

Round13: Entre 2010 e 2012, muito se falou no boxe brasileiro sobre o Michael Oliveira, que chegou até mesmo a enfrentar o Acelino “Popó” Freitas. Dado que vocês lutavam em categorias próximas, chegou a ocorrer algum contato para que vocês se enfrentassem? Seria uma luta que te interessaria naquela época, dado o interesse da mídia brasileira na carreira do Michael?

Patrick Teixeira: Nunca chegou nada concreto para mim em relação ao Michael Oliveira. Mas eu sempre estive treinando para lutar com qualquer um.

Round13: Após vencer o Samir, você realizou 5 lutas no exterior, sendo quatro delas no México e uma nos EUA. Diferentemente de suas duas primeiras lutas nos EUA, quando você venceu por decisão dividida, dessa vez você venceu 4 confrontos pela via rápida. O que mudou de suas primeiras lutas para essas 5? Como foi enfrentar o Marcus Willis nos EUA, em combate transmitido pela ESPN?

Patrick Teixeira: Como eu sempre digo, cada luta é um aprendizado. Antes desse acontecimento, eu tive a oportunidade de treinar no México, onde adquiri muita experiência e aprendi bastante. E o trabalho duro sempre compensa! Quando eu enfrentei o Marcus Willis com transmissão da ESPN, foi uma luta que eu tive muitas dificuldades antes mesmo de eu subir no ringue, acabei pegando uma gripe muito forte e tive diversas crises de náuseas na semana do combate. Eu e minha equipe até pensamos em cancelar a luta. Mas pensei comigo mesmo: já passei por cima de tantas coisas, não é aqui que irei deixar a chance escapar. Optei por seguir em frente e graças a Deus ocorreu tudo bem e consegui obter a vitória.

Round13: Entre 2013 e 2014, você conquistou o cinturão latino interino da OMB pelos médio-ligeiros, derrotando o argentino Alejandro Falliga, e depois lutou mais 3 vezes contra lutadores argentinos, derrotando Ignacio Fraga, Mateo Veron e Ulises Lopez. Como foram essas lutas?

Patrick Teixeira: De todas essas lutas, eu apenas não gostei quando eu enfrentei Mateo Veron. Não é toda luta que estamos bem, e esse dia foi contra o Veron. Tive cortes nos dois supercílios, mas acabei conseguindo a vitória por pontos. Já nas outras eu venci por KO.


Da esquerda para a direita: Oscar De La Hoya, Patrick Nascimento, Patrick Teixeira, José Davi e Edson "Xuxa". Imagem: Reprodução / Twitter

Round13: Em janeiro de 2015, você assinou um contrato de promoção com a Golden Boy Promotions, uma das mais importantes empresas do mundo do boxe. O que mudou na sua vida depois disso?

Patrick Teixeira: Eu só tenho a agradecer a Golden Boy Promotions junto com a International Boxing Group (IBG) do Edu Mello pela oportunidade que eles me deram. Estou plenamente satisfeito com ambos pela condução da minha carreira até aqui.

Round13: Sua primeira exibição após o contrato com a Golden Boy foi contra o duro ganês Patrick Allotey, que você nocauteou em dois rounds. Poderia comentar essa vitória?

Patrick Teixeira: Neste duelo foi onde o Oscar de La Hoya passou a ter mais confiança em mim e gostou do meu jeito de lutar. Foi uma vitória que me deixou muito satisfeito, e com certeza esse resultado abriu portas na minha carreira.


Patrick Teixeira contra Don Mouton. Imagem: Golden Boy Promotions

Round13: Em outubro do ano passado, você fez seu último combate, quando venceu o Don Mouton por nocaute técnico. Foi uma bela exibição sua, e mesmo com o susto sofrido naquele contragolpe no sexto assalto, você demonstrou poder de absorção e venceu por TKO no round seguinte. O que você tem a dizer sobre essa performance?

Patrick Teixeira: Graças a Deus eu treino muito duro, e independentemente do adversário, eu procuro sempre estar pronto. Eu estava muito bem fisicamente para aquele combate. Se eu não estivesse bem fisicamente, talvez poderia ter acontecido o pior. Essa foi uma das lutas que eu adquiri mais experiência até hoje, pois o Mouton foi um adversário muito duro, mas felizmente consegui a vitória para seguir no meu caminho rumo ao título.

Round13: No dia 7 de maio você fará a luta mais importante da sua carreira, enfrentando o norte-americano Curtis Stevens numa das preliminares de um dos mais aguardados duelos deste ano, que será o combate entre Saul “Canelo” Alvarez e Amir Khan. Como vem sendo a sua preparação? O que você espera para essa luta?

Patrick Teixeira: É uma ótima oportunidade estar lutando pela HBO nesse card. Eu estou fazendo minha preparação aqui em Junín, na Argentina, e estou treinando muito duro para essa batalha. Eu espero sair com a vitória e continuar meu caminho para o título mundial.


Poster da luta contra Stevens. Imagem: Divulgação

Round13: Seu adversário é bastante experiente, tem 32 lutas realizadas e enfrentou diversos adversários duros recentemente, como Gennady Golovkin e Hassan N’Jikam. Seria possível você detalhar um pouco sobre qual deve ser sua estratégia?

Patrick Teixeira: Eu e minha equipe estamos preparados para enfrentar o Curtis. Ele é um adversário muito experiente e já lutou com grandes nomes, mas espero fazer um bom combate frente a ele no dia 7 pela HBO.

Round13: Uma vitória sua, além de ser o melhor resultado de um brasileiro no exterior nos últimos anos, deverá te colocar muito próximo de uma disputa de título mundial. Como você e seu staff vem trabalhando essa expectativa? Já existe alguma negociação iniciada para, em caso de vitória, você disputar um título mundial ainda esse ano?

Patrick Teixeira: Essa parte deixo para os meus superiores. A única coisa que tenho na cabeça esse momento é essa luta contra Stevens. Estou me preparando de forma muito dura para conquistar a vitória e dar mais um passo para chegar ao título.

Round13: Você tem um estilo duro, possui mão pesada, é canhoto e usa boas combinações. Como você definiria seu estilo? Na sua visão, quais são suas principais armas durante uma luta?

Patrick Teixeira: Na verdade eu não sou muito de dizer sobre estilo. Essas coisas eu prefiro deixar para a galera que curte meu trabalho e gosta de analisar. O que eu posso dizer é que sou um boxeador como qualquer outro, e que a principal arma que uso na luta é minha mente.

Round13: Se você pudesse escolher, hoje, algum dos campeões mundiais dos médios ou médio-ligeiros para encarar, qual deles seria e por que?

Patrick Teixeira: Na verdade, não tenho nesse esse exato momento alguém em mente que eu queira enfrentar. Eu estou treinando duro para chegar no título, então qualquer oportunidade que eu tenha de lutar contra um campeão mundial, eu vou lutar, sem me preocupar em escolher o caminho mais fácil.

Round13: Quem são seus grandes ídolos no boxe? E na vida?

Patrick Teixeira: Dentro do ringue tenho vários ídolos, mas o maior deles é Evander Holyfield. Já na minha vida, meu maior exemplo é a minha mãe.


Patrick Nascimento, Xuxa, Patrick Teixeira e José Davi. Imagem: arquivo pessoal

Round13: Você é atualmente o principal nome de uma grande geração de boxeadores brasileiros. Há uma grande expectativa dos fãs brasileiros de que em breve nosso país tenha o quinto campeão mundial em sua história. Na sua opinião, além de você, quem são os outros brasileiros que possuem chances reais de serem campeões mundiais?

Patrick Teixeira: Na verdade, prefiro não deixar nomes, mas sim uma mensagem para todos boxeadores brasileiros: todos nós temos chances reais de sermos campeões. Todos. Basta a gente lutar por isso. O caminho é difícil e muito doloroso, e além de nós, tem outros milhares de boxeadores querendo chegar lá e serem campeões. Então temos que batalhar duro para chegar lá. No Brasil, infelizmente não temos o apoio que merecemos, então devemos matar um leão por dia. Mas, assim como eu, muitos outros boxeadores vêm lutando com garra para fazer a diferença pelo nosso país.

Round13: Gostaríamos de agradecer pelo tempo e pela entrevista e te desejar uma boa sorte para o próximo dia 7. Quais suas considerações finais? Algum recado para os fãs?

Patrick Teixeira: Primeiramente, gostaria de agradecer a vocês pela entrevista. Sempre será um prazer recebê-los. Eu só quero que todos os meus fãs saibam que cada soco que eu dou, desde o treinamento até em cima do ringue, é por todos vocês e pelo nosso Brasil. Quero agradecer a todos pelas mensagens e pelo apoio. Eu estou treinando muito duro para o dia 7 de maio conseguir essa vitória e seguir no caminho do título mundial. Muito obrigado a todos.

 

Agradecimentos: Patrick Nascimento e IBG

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