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Publicado em 06 de Janeiro de 2016 às 07h:48

Desdobramentos do caso Eduardo Reis

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Autor Luigi F.

Eduardo Reis (shorts preto) acerta Yavuz Ertuerk (shorts vermelho), na Alemanha. Imagem: Alexandre Gorodnyi.

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Exatamente 1 semana após o embate entre o brasileiro Eduardo Pereira dos Reis (24-3, 18 KOs) e o turco Yavuz Ertuerk (21-1, 17 KOs), algumas dúvidas ainda seguem em aberto.

Em contato com a Equipe Round 13, realizado no dia 05 de Janeiro de 2016, através de telefonemas e mensagens via aplicativos do Facebook, o Sr. Tito Modesto deu a sua versão sobre o ocorrido. Ele rebateu as acusações feitas por Eduardo.

“É certo que nem Tito, nem Mauro (Katzenelson) sabiam que o promotor tinha falado ao dos Reis para se jogar em dois rounds. Essa proposta foi aceita pelo lutador, que pediu mais dinheiro. Ele (Eduardo) pediu 10 mil dólares. O promotor Dalibor (Ban) então falou ao Eduardo que quando ele escutasse a palavra ‘Loco, loco, loco’, ele teria que cair e entregar a luta. Como ele não cumpriu com isso, no quarto round cercaram o córner do Eduardo e ameaçaram o técnico, dizendo para ele que a luta tinha que terminar naquele momento. Por isso, a toalha foi jogada. Foi uma situação complicada tanto para o lutador, mas reitero que ele não cumpriu o que combinou com o promotor, como para o Daniel (Taddia, treinador) que estava no córner”, falou Tito ao Round 13. “Estou no boxe há muitos anos e nunca vi nada parecido. É impossível pensar que se pode levar um lutador para que se jogue no 2º round. Espero que os promotores paguem o Eduardo. O que passou, passou, e estou tranquilo pois em nenhum momento me propuseram essa barbaridade que o dos Reis está dizendo. Creio que ele fiz isso para esconder sua culpa”, finalizou o argentino.

No mesmo dia, entramos em contato novamente com Eduardo. O boxeador brasileiro informou que até o momento ainda não recebeu o dinheiro de sua bolsa, conforme ele já havia explicado ao Round 13. Além disso, ele rebateu a versão de Tito, se mantendo fiel ao que tinha dito anteriormente.

“É mentira. Se isso (promotores proporem para que ele entregasse a luta) tivesse acontecido, eu teria voltado para o Brasil, não ia lutar. Se coloca no meu lugar: sou um lutador sem visibilidade, tenho chance de fazer uma luta boa, vou entregar a luta pra que? Quem viu o vídeo pode ver que entrei para lutar e ganhar. Não teve nada de conversa fiada comigo antes da luta. Ele (Tito) não conseguiu encontrar nenhum cara para se jogar, e aí contatou o Mauro (Katzenelson), e eu fui, só que em nenhum momento eu sabia que era para perder. Pode me colocar frente a frente com todos eles que eu comprovo. Se eu soubesse que tudo isso aconteceria, eu jamais teria ido. Não sou um lutador em fim de carreira para entregar luta. Se eu soubesse que tinham prometido um lutador para entregar a luta, eu nem teria saído de casa”, respondeu Eduardo dos Reis.

Não conseguimos entrar em contato com o Sr. Dalibor Ban. Caso o mesmo queira fazer alguma declaração, nosso espaço está aberto para que ele conte a sua versão. Nosso contato pode ser feito através do e-mail contato@round13.com.br

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O que antecedeu o combate do dia 29 na cidade de Regensburg, na Alemanha, ainda é um mistério, e as versões apontadas por Eduardo Reis e por Tito Modesto diferem no que se refere a quem teria feito um eventual acerto para que o resultado da luta fosse definido antes mesmo de ocorrer. O embate entre Eduardo e Ertuerk foi uma disputa do cinturão inter-continental da FIB, pela categoria dos super-penas.

Na nossa opinião, entretanto, independentemente de qual das duas versões acima esteja correta, ainda existem dois fatos absurdos sem explicação:

1-      A toalha foi jogada por uma ameaça. O vídeo da luta é claro em mostrar a vantagem de Eduardo até o 4º round, e que não havia necessidade alguma do ponto de vista técnico e desportivo de seu córner interromper a luta naquele momento. Isso precisa ser investigado pelos supervisores do evento, uma vez que tanto Tito, quanto Eduardo, confirmam que a toalha só foi jogada em função das ameaças feitas fora do ringue.

2-      O brasileiro ainda não recebeu o pagamento de sua bolsa. Tanto Tito, quanto Mauro, quanto Eduardo dizem que existe um contrato que não foi cumprido, e o brasileiro ainda segue no aguardo do pagamento de seu trabalho.

Esperamos que esses dois pontos sejam investigados e resolvidos o quanto antes. #NãoViemosPraPerder

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