Notícias

Publicado em 05 de Fevereiro de 2016 às 19h:16

Até você, GGG?

AutorDaniel Leal

Imagem: en.tengrinews.kz

Após o anúncio de que seu futuro adversário, Saul “Canelo” Alvarez, escolheu um oponente duas categorias menor – o ex-campeão dos meio-médio-ligeiros, Amir Khan – para o combate autorizado pelo CMB, antes do confronto obrigatório pelo título dos médios, Gennady Golovkin (34-0, 31 ko's) não deixou por menos. Está praticamente selado o acordo que colocará GGG à frente do americano Dominic Wade (18-0, 12 ko's). A luta deverá ocorrer no dia 23 de Abril, na Califórnia.

“Mas Wade não é um jovem peso-médio invicto?” - Sim, com certeza, porém isso não nos diz nada.

O que pode refletir melhor as qualidades do próximo desafiante às coroas AMB, FIB e interina do Conselho Mundial de Boxe, são os atletas que enfrentou até hoje. Pois bem, sabe quem de renome Dominic bateu? Ninguém, praticamente. O seu melhor opositor até hoje foi também seu último, o já veterano ex-campeão Sam Soliman (44-13, 18 ko's), a quem venceu via decisão dividida, em 10 assaltos, de forma bastante polêmica, na única apresentação que teve em 2015. Para se ter noção, sem o knockdown que aplicou em Soliman no quarto round, a contenda teria sido um empate.

Além disso, um terço dos adversários que Wade combateu tinham mais derrotas do que vitórias em seus recordes. Metade de todos os pugilistas que dividiram o quadrilátero com ele tinham dez ou mais revezes no currículo.

Agora, a pergunta de 1 milhão de dólares: Como raios esse boxeador pode ser o número #3 do ranking da Federação Internacional de Boxe? Bom, pergunte a eles, que aliás, são parte importante na realização deste evento, pois Tureano Johnson, à quem esta entidade já estava empurrando como contendor mandatório, está afastado por razões médicas. Claro que a FIB, então, tinha que dar o seu jeitinho de não ajudar o boxe em nada, e cobrar mais uma defesa “obrigatória”, a exemplo do que fizeram nos pesados. Independente disso, Golovkin poderia, perfeitamente, jogar este cinturão no lixo, como fez Tyson Fury, na ocasião. De nada mudaria sua trajetória ou seu valor promocional como profissional.

O público e a mídia especializada não são bobos. Que fique claro para GGG e Canelo Alvarez que não é desta forma que conseguirão alçar ao posto de melhor lutador “pound-for-pound” mundialmente. E para os promotores que justificaram o adiamento consensual do combate entre o cazaque e o mexicano, alegadamente visando crescer a expectativa e sua imagem junto aos fãs, saibam que isso provavelmente foi um tiro n'água.

Comentários