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Publicado em 29 de Fevereiro de 2016 às 18h:08

Maior boxeador do cinema é derrotado em decisão controversa dos juízes

AutorDaniel Leal

Balboa perdeu o Oscar após longa batalha de quase 40 anos. Público e analistas viram outro resultado (Imagem: Divulgação)

Não foi dessa vez que o ator Sylvester Stallone conseguiu a consagração máxima de Hollywood para sua profissão: Vencer um Oscar. Parece brincadeira, mas até essa nuance da mistura entre vida real e ficção, se assemelha demais com a verdadeira trajetória dos pugilistas de carne e osso. Quantos são os boxeadores que lutam a vida toda por uma oportunidade e ao chegar na hora “H”, deles são tirados os louros da vitória de forma bastante controversa?

Stallone é um lutador, no sentido próprio da palavra. Era pobre e vendeu até seu cachorro para poder se alimentar. Imaginem a dor de um homem ter que vender seu próprio animal de estimação? Agora imagine este mesmo sentimento transformando-se em superação, em força de vontade, levando-o a virar o jogo? Pensou? Pois esta é a história de Rocky Balboa, que na verdade se confunde com a de seu criador e coincide também com a de muitos atletas da nobre arte. “Sly” quebrou a banca, virou o jogo, apostou em quem ninguém apostava – nele mesmo – e saiu vitorioso. Como prêmio a Academia deu 3 de suas estatuetas para seu filme, mas não lhe deu a de melhor ator, em 1977.

Quase 40 anos se passaram entre aquela premiação e o advento de “Creed”, 7º longa-metragem desta mesma saga. Agora, Stallone não é o criador, não do roteiro pelo menos. Mas Balboa sempre será uma criação sua. Na melhor atuação dele e de seu alter ego, ou “amigo imaginário” como diz, deu um show, uma aula de emoção e lições de vida. Mas, por que um amontoado de palpiteiros dariam o braço a torcer para o jovem da boca torta, agora quatro décadas mais velho?

Com todo respeito à Mark Rylance, o ator que levou o prêmio, perto de Sylvester Stallone, não é ninguém. Não digo isso julgando sua atuação, pois não sou crítico de cinema, nem pretendo ser, digo pois Rylance, com uma idade próxima, nunca atingiu o público da mesma forma contundente. Aliás, quase nenhum daqueles senhores ali sentados, alguns, inclusive, que decidiram que o maior pugilista do cinema não deve ganhar seu título de nobreza, alcançaram o que Sly conseguiu e que deveria ser o principal mote da sétima arte: Entreter, emocionar, inspirar.

Não sou eu quem acha isso, os estrangeiros de Hollywood (Globo de Ouro) e os críticos (Critcs' Choise Awards), também. Estamos falando de um cara que interpretou mais de meia dúzia de vezes o mesmo personagem, e foi indicado como um dos melhores por esses mesmos caras, duas vezes.

A verdade é que raros são, dentre aqueles figurões, os que realmente têm talento para conduzir uma história que inspirou milhões e, principalmente, impediu outros milhares de desistirem dos seus sonhos. E após apanhar durante décadas – também graças á erros seus, claro – ver esse cara dar a volta por cima em uma atuação de alto nível, não passou pela goela dessa gente.

No fim das contas, Sylvester se inspirou em Rocky, levantou de cada knockdown que a vida lhe impôs, ainda mais forte. Isso fez dele o campeão do povo. Para todos, quem venceu de verdade não foi agraciado. Acontece, na vida e no boxe.

Obrigado, Stallone, por ter sido a referência que muitos não tinham, por ter feito muitos voltarem suas atenções para o esporte que amamos. Você fez muito mais por uma modalidade centenária com milhões de fãs do que muita gente do meio. E isso vale muito mais pra mim, do que um Oscar.

 

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