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Publicado em 09 de Maio de 2016 às 17h:44

Por que Amir Khan PERDIA nos pontos, quando foi nocauteado por Canelo?

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Autor Daniel Leal

Questionamento levantado pelo legendário Teddy Atlas coloca em cheque a credibilidade do evento. Se a luta fosse interrompida por alguma outra razão e as papeletas fossem abertas revelariam que Saul Alvarez seria declarado vencedor segundo dois, dos três jurados, em uma contenda aonde, na verdade, vinha sendo dominado. (Imagem: YouTube)

Neste sábado, na T-Mobile Arena, em Las Vegas, o mexicano Saul “Canelo” Alvarez aplicou grande nocaute em Amir Khan. A vitória, límpida como um cristal, saiu de suas mãos e não há questionamentos quanto a isso. Porém, um dado importante, do qual estava curioso, mas só fui verificar no dia de hoje, chamou minha atenção: Os scorecards oficiais dos jurados.

Antes de começar, vale dar os créditos à Teddy Atlas, treinador e comentarista. Abaixo está o vídeo em que ele fala com o FightHub TV e dá sua opinião sobre a luta, levantando questionamentos á respeito de scores absurdos no boxe, com gancho das marcações dos mediadores sobre o combate deste final de semana. Foi esta gravação que me fez ir atrás da informação e confirmá-la, para minha perplexidade.

Enquanto víamos a luta, comentei com outro editor do site, Luigi F, sobre dúvidas na marcação de dois giros, que acabei dando para Amir, sendo que nossa contagem estava em 50-45 antes do sexto e último assalto. Isso torna, portanto, plausível a papeleta da juíza Adalaide Byrd, que era a única, no momento em que ocorreu o fim das ações, à ver Khan à frente, por 3 rounds à 2 (48-47). Glenn Feldman, outro nome recorrente nas mais importantes contendas importantes, marcava o inverso de Byrd, ou seja, 48-47 para Canelo. Mais absurdo do que Feldmann, foi o placar de Glenn Trowbridge. De algum modo inexplicável, este cidadão via uma vitória facílima do mexicano, por 49 a 46, ou seja, para ele, o esforçado Khan estava fazendo força em vão, tendo obtido vantagem em apenas um intervalo.

Em seu depoimento, Atlas, de forma bastante emocional, explica como ele previu o resultado da luta, todavia, faz um adendo questionando se o britânico não tivesse sido pego pela direita do campeão dos médios pelo CMB, qual seria o resultado? Teddy achou tão absurdo quanto qualquer um acharia, que, até praticamente a metade de todo o imbróglio, apenas um dos três juízes conseguia enxergar a realidade. “Já pensou se Khan chega aqui, com todo esse esforço e aplica seu plano de jogo, para ao final dos doze rounds ouvir que perdeu?”, disse o treinador.

Não é de hoje que Canelo Alvarez tem resultados controversos apontados a seu favor. Na luta contra Miguel Cotto, as marcações foram um tanto exageradas, ainda que tenha, de fato, feito o suficiente para vencer. A “média” dos comentaristas apontou algo entre 115-113 (como nós e Dan Raphael, da ESPN) e 116-112 (como Wilson Baldini Jr., por exemplo). O anúncio foi de 117-111, 118-110 e 119-109 (isso mesmo, alguém viu Cotto vencendo apenas uma passagem).

Diante de Erislandy Lara, uma decisão dividida bastante polêmica também lhe foi concedida, sendo que um absurdo 117-111 lhe foi agraciado, em um imbróglio muitíssimo equilibrado. Pior ainda foi o avaliador CJ Ross, que na aula de boxe que Floyd Mayweather Jr aplicou no jovem prodígio de Oscar De La Hoya, teve a coragem de marcar um empate, 114-114.

É de se estranhar a forma, digamos, “diferenciada” de como suas apresentações são vistas pelo juri. Será que os punches de Saul são tão poderosos assim, que deixam até os responsáveis por apontar o vencedor, desnorteados? Ou será que, de um jeito ou de outro, ele deve ser visto como uma grande estrela, haja o que houver? Se Canelo fosse um atleta elusivo, com volume grande de golpes, em que muitas vezes deixasse na dúvida se acertou, ou não, seu contendor, seria mais compreensível. Mas ele é totalmente o oposto. Dificilmente quem está fora do ringue não vê seus socos, e seu estilo de pelejar não é nenhum bicho de sete cabeças. Teria algum tipo de proteção ao redor dele?

Em meio a seus pedidos de socorro ao governo dos EUA, como ocorreu em casos de dopping no Baseball, tal qual exemplificou, Teddy faz uma reflexão ainda mais profunda sobre este tema: “E aqueles caras que não estão num evento desse, na HBO, no pay-per-view, por ai todos os dias? Aqueles caras que a gente não vê, nem fica sabendo, e que estão lutando por ai por seus sonhos, suas famílias. E se eles fazem seu trabalho para, no final, serem roubados? Nós não vemos isso, mas acontece, e eles sentem...”

Confira (em inglês):

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