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Publicado em 28 de Novembro de 2016 às 00h:19

Em Santos, Biro vence nos pontos; Volantê nocauteia

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Autor Daniel Leal

Aélio Mesquita obteve vitória por decisão unânime sobre colombiano em noite de boxe na baixada santista. Rose Volantê teve modificação de adversária em cima da hora, mas venceu por nocaute. Destaque da programação, no entanto, foi Gabriel Bonfim. (Imagem: Round13)

O segundo evento do Grêmio Memorial, no Clube Internacional de Regatas, em Santos, ocorreu na noite desta sexta-feira, dia 25 de Novembro, e colocou em disputa quatro contendas amadoras e quatro profissionais. No seguimento remunerado do pugilismo, Aélio “Biro” Mesquita (14-0, 11 ko's) deu seu primeiro passo internacional na carreira ao bater o colombiano Devis Perez (33-16-4, 23 ko's), nos pontos, após oito rounds.

Biro começou melhor, porém perdeu a intensidade no segundo assalto. No quinto, passou por problemas ao ver sua guarda constantemente transpassada. Sem volume, acabou permitindo a Perez crescer no combate, mas, ainda assim, não deixou de dominá-lo, pois sua qualidade técnica mostrou-se superior à do oponente estrangeiro. Ao final dos oito assaltos pactuados, os jurados apontaram 79-73, 78-75 e 78-76 (isso mesmo, de oito giros, um jurado não conseguiu ver vitória de ninguém em dois, deixo a cargo do leitor o julgamento). O Round13 viu vitória de Biro por 78-74, um êxito confortável, mas que, como o próprio e seu córner reconheceram ali mesmo, demonstra a necessidade de um trabalho intenso e contínuo para que o boxeador da baixada santista alce voos maiores.

Já Rose “Queen” Volantê (9-0, 6 ko's), apresentada como “A Rainha do Boxe Brasileiro”, combateria Paula Vieira, mas viu a adversária desistir por lesão pouco antes do embate. Em seu lugar, Lais Silva foi colocada, de última hora. Como se esperava, a oponente de Rose mal sabia o que estava fazendo em cima do ringue. A nota cômica da noite foi que a mesma subiu sem calção para o enfrentamento, tendo vestido um, cedido pela organização do evento, já no tablado, junto a seu córner. Seu segundo levou consigo um único instrumento para auxiliar a atleta durante a luta: uma garrafa d'água.

Volantê, que não tinha nada com isso, fez seu trabalho como de costume, castigando Lais já no primeiro round – fazendo o árbitro Walmir Rêgo, erroneamente, abrir uma contagem sem knockdown ocorrido, graças aos potentes golpes aplicados no corpo. No seguinte, após derrubar Silva, “Queen” pôde comemorar a vitória após a adversária responder ao juiz que não gostaria de continuar atuando. Nocaute técnico no segundo assalto à favor de Rose, 10ª do ranking do CMB.

A qualidade técnica de Volantê é indiscutível. Como comprovado na sua apresentação anterior, também é aguerrida e se precisar lutar no corpo-a-corpo, consegue. Porém, nosso boxe não a trata do jeito que ela merece. Rose deveria subir a escada de desafios, e não enfrentar estreantes de baixo nível. Nem sempre estas serão como Luana da Silva, que em Setembro, no mesmo evento, surpreendeu e lhe entregou um combate empolgante. Mas, graças à nossa falta de incentivos, principalmente na vertente feminina do esporte, o que resta a ela é esperar por oportunidades internacionais e enquanto isso ir atuando nas programações em que conseguir.

O destaque da noite foi Gabriel Bonfim (3-0, 0 ko's). O brasiliense de 19 anos dominou Welson de Jesus (0-1) por completo, do início ao fim dos 4 intervalos, utilizando sua ótima envergadura para a categoria dos médios-ligeiros, jabeando e jogando no “outside”, sem dar chances a seu opositor. Não à toa, venceu em todas as papeletas por 40-36. Se bem trabalhado e com os parceiros de treino corretos, Bonfim pode crescer ainda mais e tornar-se uma promessa no futuro. Tudo depende de como sua equipe lidará com sua preparação e seu caminho.

Iniciando os trabalhos, Fernando Machado (1-0, 0 ko's) estreou no profissionalismo ao vencer Pablo “Demolidor” (0-1), por pontos, depois de quatro rodadas bem disputadas. A decisão dos jurados em favor de Machado veio de forma unânime.

A próxima jornada do Grêmio Memorial no Clube Internacional está marcada para 20 de Janeiro. O evento, que tem uma ideia interessante e pode ter um papel importante na formação de novos talentos e manutenção dos existentes, é bem localizado, tem entrada gratuita e boa estrutura para o público, com lanchonete, restaurante e banheiros disponíveis. A ressalva, desta vez, ficou a cargo somente da música externa durante alguns combates. A banda tocava bem e apresentava um repertório agradável, porém não era oportuno que desfilasse seu talento enquanto o campeão brasileiro dos penas mostrava o dele... Fica a crítica construtiva para que a organização continue melhorando e atraindo cada vez mais público. Nossa nobre arte precisa disso.

O evento teve apoio da Memorial Necrópole Ecumênica, Mendes Plaza Hotel e Prefeitura de Santos, além do local aonde ocorre, que cede o espaço.  

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