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Publicado em 25 de Fevereiro de 2017 às 11h:16

Mais um brasileiro luta sem receber a bolsa?

AutorDaniel Leal

Na última quinta-feira, na cidade de Salta, Gilson Gois da Silva foi derrotado por Juan Carlos Pedrozo no terceiro assalto. Até aí, nada que possa ser considerado abismal. As coisas parecem ficar piores quando o promotor teria sumido sem pagar a bolsa do atleta, suas passagens, a de seu agente, seu alojamento e alimentação, além do dinheiro dos investidores do evento. Tudo isso envolto numa suspeita, do próprio boxeador brasileiro, de que teria sido dopado para lutar. (Imagem: Arquivo Pessoal)

Mais um brasileiro foi lutar no exterior e pode ter voltado de mãos vazias. Na realidade, no prejuízo. Gilson Gois da Silva Júnior (7-1, 7 ko's), saiu sem nenhuma derrota em seu cartel para pelejar contra Juan Carlos Pedrozo (12-8, 10 ko's). De carreira totalmente irregular, a vida e o nome de Pedrozo deram uma reviravolta quando este venceu o renomado Luis Carlos Abregu, por nocaute técnico em Setembro do ano passado.

Por isso mesmo que investidores de Salta, norte da Argentina, teriam se reunido para que Juan Carlos enfrentasse um brasileiro por lá. Chamariam para cumprir a tarefa Jorge Corimayo, um ex-pugilista que atualmente, ao que tudo indica, atua como promotor registrado. Corimayo, que já lutou no Brasil em 2009, contatara Aldo Chajet, ex-editor do BoxRec, para que conseguisse um pugilista que viesse para vencer, segundo o mesmo: “Eles não pediram ninguém para perder, queriam um bom boxeador”, declarou Chajet à nossa equipe.

Gilson foi o escolhido, e receberia US$ 1.000,00 para lutar oito assaltos. Ao chegar em Buenos Aires, encontrou-se com Aldo para seguirem rumo a Salta, não sem antes ter que desembolsar a diferença de sua passagem que teve de ser remarcada. “Perdi o vôo do dia 20 e pra remarcar pro dia 21 davam US$ 105,00 de diferença. Eu paguei porque ele (promotor) me prometeu que pagaria a diferença quando eu chegasse lá”.

Na capital Argentina, sua escala, aonde iria encontrar-se com seu agente rumo ao destino final, a primeira grande surpresa: A passagem de Chajet não estava reservada, e ele, que seria o único acompanhante do brasileiro, não pôde embarcar. Gois rumou sozinho para Salta, aonde foi colocado em um hotel. Porém, entre o dia em que chegara e o da pesagem, não teria tido sua alimentação paga. “Quando reclamei com algumas pessoas, ele me pagou uma sopa”, disse Da Silva Júnior.

Mal alimentado e debilitado, teria sido levado pelo promotor para tomar injeções de reidratação, segundo seu próprio relato. O contendor afirma que não se recorda de quase nada em cima do ringue, nem de ter sua bandagem tirada. Além disso não teria dormido desde então, chegando a sua própria conclusão de que teria sido dopado para o confronto.

NOTA: É comum que, após um nocaute, ocorram efeitos deste tipo no corpo. O boxeador diz que não sabe como fará para provar que recebeu esse tipo de droga, e diz não saber se ira tentar fazê-lo.

Após o combate afirma não ter recebido o pagamento. Apesar da orientação de Aldo Chajet em não sair de seu quarto sem receber a sua bolsa antes da luta, Gilson acatou as exigências dos promotores. Para piorar, sua estadia não havia sido paga, e assim que terminou o evento, Corimayo teria sumido com a renda da bilheteria. No dia seguinte, a polícia foi acionada para expulsar o atleta tupiniquim do quarto em que se encontrava, uma vez que o estabelecimento não havia sido ressarcido.

Foi um dos investidores atuantes – e que, ao que se especula, também enganados por Corimayo – quem quitou a dívida e liberou a bagagem de Gois, que estava retida.

Anjos hermanos

Sem rumo e sem dinheiro, Gilson contou com a ajuda do que ele chama agora de “Família”. Um casal que assistia à programação, sensibilizado com a história, acolheu o brasileiro. Emilia Ibarra e Lucas Ávila, levaram Gilson para sua casa depois que Camilo Mohamed e seu filho, Ali, haviam sido os córners de Da Silva na noite anterior. Eles se movimentaram, junto às pessoas que bancavam os confrontos, para que ele não ficasse desamparado.

Comida, passagens e até lazer foram proporcionados pelas pessoas de Salta. “O boxe aqui é outra coisa, passam na TV anúncios durante o dia e a noite as lutas, é como se fosse o futebol ai no Brasil. Quando as pessoas da cidade souberam, se mobilizaram, todo mundo vinha perguntar se eu estava precisando de alguma coisa” disse um encantado Gilson, já esperando para o embarque no aeroporto. Ele afirma ter recebido convites para retornar à cidade e pensa seriamente em fazê-lo. A diferença de estrutura entre a Argentina e aqui, foi o que mais marcou para Gois.

E agora?

Em conversa com Aldo Chajet o mesmo afirma que até quarta-feira a bolsa do brasileiro será depositada. Segundo ele, os feriados de segunda e terça impedem que o pagamento seja efetuado antes. As pessoas ligadas ao evento devem quitar o débito, ou a própria Federação Argentina de Boxe, que, até onde se sabe, seria a responsável pela supervisão através de uma comissão local. Alias, a atuação dessa comissão também impressionou o paulista de São Roque, devido à sua organização e cuidado, segundo ele, bastante diferentes do que se observa por aqui. A FAB teria um fundo usado em casos como esses para ressarcir quem for prejudicado.

A situação cadastral de Gois era regular, segundo o que Chajet nos passou. O mesmo teria a autorização de uma entidade brasileira reconhecida, o que seria suficiente para cumprir a burocracia exigida.

O Round13 tentou contato com Jorge Corimayo, para que este apresentasse sua defesa, mas até o fechamento deste matéria ele não nos retornou. Segundo relatos, ele teria desaparecido, inclusive, de sua cidade, não sendo encontrado nem por sua família. O espaço continua aberto para ambas as partes.

Estaremos acompanhando o caso.

A imprensa de Salta também publicou nota a respeito no link: http://www.eltribuno.info/salta/nota/2017-2-24-21-20-51-grave-denuncia-contra-un-promotor-de-boxeo

#NãoViemosParaPerder

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