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Publicado em 29 de Julho de 2017 às 06h:05

De treinador para treinadores!

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Autor Daniel Leal

Treinadores de competição do Brasil sentiram a necessidade de aperfeiçoar seus conhecimentos em prol do esporte de luvas, e por iniciativa própria, chamaram um dos melhores do Brasil, quiçá do mundo, para passar seu know-how em um curso que pode ser um marco no pugilismo nacional. (Imagem: Tony Gomes/Montagem R13)

Durante a última semana, Francisco “Paco” Garcia, cubano radicado no Brasil, se juntou a vinte e um treinadores do pugilismo nacional (e mais um vindo da Itália), para passar seus conhecimentos acumulados ao longo de uma vasta jornada que se iniciou em Cuba, passando pela comissão técnica local – uma das mais vitoriosas seleções do boxe olímpico no mundo – até chegar na CBBoxe, aonde foi treinador da equipe do Brasil. Atualmente, “Paco” ocupa este mesmo cargo no Palmeiras.

Seria mais um dos cursos e seminários que o professor caribenho leciona, correto? Poderia ser, não fossem as circunstâncias. Garcia foi escolhido por um grupo de profissionais que atuam já em alto nível, preocupados com seu próprio desenvolvimento, e, por consequência, o crescimento da nobre arte no Brasil.

“Falamos com os treinadores de competição, os que vão para brasileiro, paulista, etc, só formadores de atletas mesmo, e tivemos a ideia de chamar o Paco para fazer um curso. Mas a gente não queria só um seminário, e sim que ele passasse um verdadeiro curso e seus conhecimentos pra gente, pra acrescentar algo, ou ver se estávamos no caminho certo. Ele veio dar uma semana de curso, coisa que ele geralmente não faz, e só aceitou por que era a gente” - declarou Tony Gomes, responsável pela preparação técnica de nomes como Rose Volante e Benedito Wallace Moraes, e um dos organizadores do evento, cuja primeira menção veio do também treinador, Reinaldo Solis.

A inciativa da forma em que ocorreu – saída dos próprios técnicos – é inédita, até onde se tem notícia, e pode ser um marco em nosso país. Muitas vezes alguns envolvidos na modalidade, sejam os lutadores, promotores, ou preparadores, acham que estão em um nível de conhecimento superior aos demais, ou que não precisam se atualizar. Neste caso em questão, a ideia de se fazer uma união visando o aperfeiçoamento é digna de elogios e demonstra a humildade necessária para crescer em qualquer área.

As aulas ocorreram no Centro de Lutas Gracie, na Rua Quitanduba, 275, no Caxingui, próximo ao Butantã, Zona Oeste de São Paulo. Vitor Faracini é o responsável pelo local gentilmente cedido aos participantes.

É exatamente de posições e da força de um grupo como o deste exemplo de que o pugilismo brasileiro esta carente. Quem sabe este seja apenas o primeiro de muitos passos.

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