Pós-Luta

Publicado em 02 de Julho de 2017 às 02h:15

Jeff Horn choca o mundo e vence Pacquiao em luta eletrizante

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Autor Daniel Leal

Por decisão unânime, o australiano superou o astro filipino e arrebatou o cinturão dos meio-médios pela OMB. Mais cedo, na Rússia, Carlos Falcão acabou superado por lutador da casa. (Imagem: News Corp Australia)

O superstar filipino Manny Pacquiao (59-7-2, 38 ko's) não foi tão feliz quanto se imaginava na noite deste sábado no Suncorp Stadium, em Brisbane, na Austrália. Ao colocar seu boldrié mundial da OMB nos meio-médios em jogo diante do desafiante número #1 da entidade, Jeff Horn (17-0-1, 11 ko's), terminou suplantado pelo boxeador local em um imbróglio de pontuação complicada, faltoso e, em determinadas ocasiões, emocionante.

Horn começou indo pra cima, até com certa ansiedade em demasiado. Porém, com bons reflexos, conseguia escapar dos contragolpes, e apesar de não ter sido muito preciso, conseguiu acertar mais durante o primeiro round. Só que o mesmo não ocorreu no segundo giro, quando os reflexos de Pacquiao funcionaram melhor, ainda que a estranha movimentação do australiano confundisse o filipino em alguns momentos.

Com uma boa tática de não plantar os pés em nenhum momento, o lutador da casa conseguia entrar e sair de forma interessante e evitou a maioria das investidas de Manny, além de aplicar bons cruzados. Isso ficou ainda mais claro na quarta passagem, quando o campeão, claramente, tinha dificuldades em encontrar a distância.

O jogo de Jeff exigia muito de seus reflexos e deixava espaços, e estes foram bem aproveitados por Pacquiao ao final do quinto intervalo. Na sexta rodada, uma cabeçada acidental causada pela forma como o atleta da Austrália projetava seu frontal, abriu um corte no couro cabeludo do “Pac-Man”, que após avaliado e autorizado a retornar, acabou tomando um bom direto e sentindo durante breves segundos.

Outro corte infringiu o lado oposto da face de Manny no sétimo período. Mesmo ensaguentado, conseguiu atingir Horn mais vezes do que foi atingido, mas ficava claro que a diferença física era um bom fator a favor do australiano.

No nono round, a exaustão física do desafiante ficou evidente, fazendo com que quase beijasse a lona. No décimo, Horn, muito valente, mostrou boa recuperação para seguir combatendo.

O último assalto foi eletrizante, com Jeff sendo extremamente agressivo e Manny tentando aproveitar as falhas que seu oposto apresentava. Ao soar final do gongo, nossa pontuação foi um empate em 114-114. Os jurados enxergaram 117-111, 115-113 (duas vezes) à favor de Jeff Horn.

Tenho certeza de que os brasileiros falarão em “roubo” para o resultado deste embate. O score de 117-111 realmente foi exagerado, porém alguns giros foram de difícil marcação. Os placares em 115-113 foram totalmente plausíveis. Se um favorecimento explícito tivesse ocorrido, sem dúvidas os números seriam mais espaçados.

Existe uma cláusula de revanche, caso o resultado fosse o que vimos hoje. Manny saiu do ringue dizendo que deseja acioná-la, apesar de não reclamar da decisão dos juízes. Horn declarou que aceita dividir o tablado novamente com Pacquiao, mas também citou a vontade de confrontar Floyd Mayweather Jr, em uma “luta de verdade”, em alusão a evento em que o americano enfrentará o irlandês Conor McGregor, no próximo dia 26 de Agosto. Nos resta esperar. Existe a possibilidade, ainda que remota, de que esta tenha sido a última aparição de Manny Pacquiao nos ringues.

Na preliminar principal, Jerwin Ancajas (27-1-1, 18 ko's), defendeu pela segunda vez seu título da FIB nos super-moscas ao massacrar o japonês Teiru Kinoshita (25-2-1, 8 ko's). Depois de muito acertar seu adversário e abrir um rombo em seu olho direito, Ancajas colocou bela mão no baço de Kinoshita, que foi ao solo no sétimo round. O valente contendor se levantou, mas o árbitro decidiu, de forma acertada, não permitir seu retorno.

O evento teve transmissão, ao vivo, para o Brasil através do SporTV 2.

Falcão perde na Rússia.

O cruzador Carlos “Falcão” Nascimento (15-5, 11 ko's) não aguentou a pressão do russo Alexey Egorov (3-0, 2 ko's) e acabou sendo suplantado por nocaute técnico no quinto assalto em contenda realizada neste sábado á tarde, em Moscou.

O brasileiro até começou bem, entregando um primeiro assalto com bons momentos e bastante equilíbrio. No segundo, Egorov melhorou e assim foi gradativamente, até fazer Falcão sentir uma boa direita no quarto round e se segurar para ouvir o gongo. O jab e a movimentação de Carlos já não eram tão efetivos e não conseguiram evitar que o lutador da casa pressionasse e fizesse o árbitro interromper as ações no quinto giro. A interrupção pode ter sido ligeiramente prematura, mas o atleta tupiniquim não prostrava boa guarda e nem respondia aos golpes, o que fez o mediador decidir por encerrar as ações.

Na luta de fundo da mesma programação, Alexander Povetkin (32-1, 23 ko's) dominou e venceu todos os intervalos diante de Andriy Rudenko (31-3, 19 ko's) para levar a vitória por decisão unânime após 12 assaltos e garantir os cinturões Internacional da OMB e Continental da AMB na categoria dos pesados, que se encontravam vagos.

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