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Publicado em 04 de Abril de 2016 às 06h:10

A Chegada de um Novo Rei?

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Autor Luigi F.


Imagem: Tom Jenkins / The Guardian

Nascido e criado na cidade inglesa de Watford, localizada a 27 km do centro de Londres, Anthony Joshua (15-0, 15 KOs) fará, nesta final de semana, a luta mais importante de sua carreira profissional até o momento. Mas afinal, qual é a história por trás deste pugilista britânico que vem sendo apontado por grande parte da mídia como o próximo boxeador a dominar a categoria máxima da nobre arte a nível mundial?

Após crescer na pequena cidade de cerca de 80 mil habitantes, Joshua mudou-se para Londres quando tinha entre 17 e 18 anos de idade. A partir daí, passou a frequentar uma academia para manter a forma. E foi lá que acabou apresentado e introduzido ao boxe.

Apesar do começo relativamente tardio, foi questão de tempo até que o atlético britânico começasse a se destacar no cenário local do pugilismo amador. O lutador de 1,98 m de altura e 2,08 m de envergadura fez sua estreia em novembro de 2008. Eu alguns meses, já conquistava títulos britânicos. E foi após vencer por duas vezes o campeonato dos super-pesados da Associação de Boxe Amador da Inglaterra que Joshua recebeu a primeira oferta para se tornar profissional, em 2011.

Considerando que ainda precisava percorrer um caminho antes de partir para o profissionalismo, ele recusou a bolsa de 50 mil libras que lhe foi oferecida. Depois disso, um episódio que provavelmente mudou sua trajetória ocorreu:  Pego e apreendido com posse de maconha, ele foi suspenso da seleção britânica de boxe, e sentenciado a cumprir 100 horas de serviço comunitário. Chegou a pensar em desistir do boxe, retornando para Watford e voltando à sua rotina antiga.

Uma segunda chance dada pela delegação de seu país, porém, acabou fazendo com que Anthony retornasse aos treinos, se preparando para a disputa do Campeonato Europeu.

No torneio, acabou derrotado pelo romeno Mihail Nistor. Ainda naquele ano, ele disputaria o Campeonato Mundial de Boxe Amador em Baku, no Azerbaijão, ganhando a medalha de prata ao ser superado por Magomedrasul Majidov, lutador da casa. No mesmo torneio, AJ eliminaria o grande favorito da competição, o italiano Roberto Cammarelle, nas quartas-de-final.

Em 2012, Joshua teria a oportunidade de disputar os Jogos Olímpicos lutando em seu país. E após vencer as três primeiras disputas, chegou à final, onde novamente se encontrou com Cammarelle. Mais uma vez conseguiu derrotar o italiano, conquistando a medalha de ouro nos Jogos de Londres. A conquista lhe valeria, no ano seguinte, a honraria de ser indicado a Membro da Ordem do Império Britânico, concedida por seus serviços no boxe. Além de Joshua, o galo Luke Campbell e a peso-mosca Nicola Adams seriam os outros britânicos a subir ao lugar mais alto do pódio representando seu país naquelas Olimpíadas.


Imagem: PA Photos / GQ Magazine

Em julho de 2013, somando um cartel de 40 vitórias e 3 derrotas,  Anthony assinou contrato profissional com a empresa Matchroom Sport, de Eddie Hearn.

A estreia ocorreria em outubro daquele ano, numa das preliminares do duelo entre Scott Quiqq e Yoandris Salinas. Tendo pela frente o invicto italiano Emanuele Leo, Joshua precisou de 2 minutos e 47 segundos para liquidar a fatura logo no giro inicial.

Ainda em 2013, mais duas vitórias pela via rápida, contra Paul Butlin e Hrvoje Kisicek. Já em 2014, foram sete sucessos, todos por nocaute, e contra alguns adversários experientes, como Matt Skelton (ex-campeão europeu e ex-desafiante ao título da AMB), Konstantin Airich (ex-campeão europeu e inter-continental) e Michael Sprott (ex-campeão europeu).

Em 2015, Joshua iniciou a temporada derrotando o journeyman americano Jason Gavern, em abril. No mês seguinte, ele teria pela frente o brasileiro Raphael Zumbano “Love”, a quem Joshua suplantou por TKO. Depois seria a vez de Kevin “Kingpin” Johnson, americano que em 2009 disputara o título mundial do CMB contra Vitali Klitschko, perdendo por pontos. O duelo foi válido pelo cinturão internacional do CMB, e Joshua venceu no segundo assalto.

Em setembro, somando 13 lutas e 13 vitórias por nocaute, AJ encarou o invicto escocês Gary Cornish, em disputa válida por seu recém-conquistado cinturão internacional, e também pelo boldrié britânico. Em apenas 1 minuto e 37 segundos, Anthony arrancou a invencibilidade de Cornish, somando sua 14ª vitória até aquela data, sendo todas obtidas por nocaute antes do 3º round.

Chegava a hora de Joshua encarar Dillian Whyte, antigo rival jamaicano radicado na Inglaterra que em 2009 o derrotara numa disputa nos tempos de amadorismo. O duelo foi marcado por diversas provocações de ambos os lados. Whyte, invicto em 16 combates profissionais até então, começou bem e teve bons momentos nos rounds iniciais, conectando duros golpes que testaram a capacidade de absorção. A partir do quarto intervalo, entretanto, Joshua passou a dominar, e conseguiu impor um desfecho no sétimo assalto, mantendo o cartel perfeito e atingindo o 15º nocaute seguido.

Neste sábado, com transmissão ao vivo para o Brasil pelo Esporte Interativo, Joshua terá enfim a chance de se sagrar campeão mundial. Ele disputará o cinturão da FIB contra Charles Martin (23-0-1, 21 KOs), invicto estadunidense que conquistou a cinta em janeiro deste ano, ao bater Vyacheslav Glazkov.


Martin (esq) e Joshua (dir) se enfrentam neste sábado. Imagem: Kevin Quigley / DailyMail

Alto, forte e preciso, Joshua atraiu bastante atenção da mídia desde a conquista da medalha olímpica. Seus sucessos no profissionalismo, bem como a forma como os vem atingindo, fazem com que os holofotes recaiam sobre o pesado britânico. Ele possui velocidade e bom jogo de pernas para um pugilista da categoria máxima. Passou por um primeiro teste de absorção contra Whyte, e, por enquanto, mostrou que consegue lutar mais do que somente os primeiros giros e que aguenta levar golpes.

Constantemente vem sendo comparado a Lennox Lewis e David Haye. Inclusive já trocou farpas com o segundo através da imprensa, dizendo ser inevitável que eles venham a se enfrentar. Também já declarou que espera, uma vez que se sagre campeão mundial neste sábado, enfrentar seu compatriota, Tyson Fury, atual detentor dos títulos da AMB (super-campeão) e OMB. Essas lutas que, certamente, entrariam para a história e agitariam o mundo do boxe, ainda possuem uma barreira, que atende pelo nome de Charles Martin.

Uma vitória contra Martin aumentará ainda mais o frenesi em cima de Joshua. Uma derrota, entretanto, será um verdadeiro balde de água fria naqueles que apostam num novo rei desta divisão de peso. É verdade que a categoria, em si, melhorou nos últimos anos, entretanto, muitos fãs de boxe ainda reclamam da ausência de um grande ídolo, com um estilo mais agressivo ou então com um repertório de encher os olhos, tal qual Lewis, Holyfield ou Tyson.

Talvez ainda seja cedo demais para afirmar qualquer coisa, independentemente do resultado no próximo final de semana. Alguns acham que as expectativas são exageradas, outros afirmam que estamos diante de alguém que mudará o jogo de vez. Não importando de de que lado você esteja, uma questão merece ser discutida: será que Anthony Joshua tem o que é preciso para dominar a categoria máxima da nobre arte?

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