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Publicado em 03 de Agosto de 2016 às 06h:10

A História do Boxe Brasileiro nas Olimpíadas – Parte II

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Autor Luigi F.


Imagem: Agência Petrobrás

Para ler a Parte I (Jogos de 1948 até Jogos de 1984), clique aqui


A cidade de Seul, na Coréia do Sul, seria a sede das Olimpíadas de 1988. O Brasil voltaria aos Jogos, após a ausência em 1984, com três integrantes em seu selecionado. O meio-médio Wanderley Demétrio de Oliveira acabou perdendo na estreia, enquanto o peso-galo baiano Joilson Santana venceu a primeira, mas acabou eliminado pelo algeriano Slimane Zengli na segunda rodada. O principal destaque nacional naquela edição seria Peter Venâncio. Entre os médio-ligeiros, Peter ficou de bye na primeira rodada, e depois passou por Charles Mahlalela, da Suazilândia. Nas oitavas, entretanto, o brasileiro acabou derrotado pelo porto-riquenho Rey Rivera. Vale lembrar que o torneio olímpico dos médio-ligeiros acabou marcado pelo polêmico resultado na final, com o favorito Roy Jones Jr sendo superado por pontos pelo lutador da casa, o sul-coreano Park Si-Heon, numa das grandes controvérsias da história olímpica. Venâncio, por sua vez, se tornaria um dos melhores lutadores brasileiros da década de 90, tendo inclusive disputado o título mundial dos médios, versão AMB, em 1997, o qual perdeu por decisão apertada e discutível para o norte-americano William Joppy.

Em 1992, nos Jogos de Barcelona, o Brasil voltaria a ter quatro representantes. O leve Adilson Rosa da Silva e o médio-ligeiro Lucas França acabaram derrotados em suas respectivas primeiras aparições. Já Luís Cláudio Freitas, entre os moscas, e Rogério Dezorzi, entre os penas, estreariam com vitória, mas acabariam eliminados nas oitavas de final. Luís Cláudio, irmão mais velho de Acelino “Popó” Freitas, disutaria o título mundial dos super-galos, versão OMB, entre os profissionais no ano de 2000, mas acabaria derrotado pelo lendário mexicano Marco Antonio Barrera.

Já Dezorzi voltaria a disputar as Olimpíadas de 1996, em Atlanta. Mais uma vez, o paulista venceria a estreia, mas acabaria eliminado nas oitavas de final, pelo cubano Lorenzo Aragon. A delegação brasileira ainda teve, naquela edição, mais cinco pugilistas. O super-leve Zely dos Santos e o médio-ligeiro Jorge Luiz de Melo Silva seriam eliminados na primeira rodada. Já o leve Agnaldo Nunes e o médio José Ricardo Rodrigues venceriam um combate cada, mas perderiam nas oitavas. Agnaldo seria eliminado por Hocine Soltani, da Algéria, que terminaria a competição com o ouro; já José Ricardo acabou perdendo para o estadunidense Rhoshii Wells, que terminou com o bronze. O brasileiro que iria mais longe seria o meio-pesado Daniel Bispo, que venceu seus compromissos diante do sírio Khadour Adnan e do francês Jean Louis Mandenque, chegando às quartas. Bispo seria eliminado pelo alemão Thomas Ulrich, ficando a apenas uma vitória de garantir a medalha de bronze.

O piracicabano Agnaldo Nunes também disputaria as Olimpíadas de Sidney, 2000. Dessa vez, porém, perderia na estreia para o australiano Michael Katsidis. Nunes se profissionalizaria em 2002, sendo campeão norte-americano entre os super-penas em 2006, e se aposentando em 2007 com um cartel de 19 vitórias, 1 empate e 1 derrota.

Ainda em 2000, o mosca-ligeiro José Anastácio Albuquerque, o “Dedé”, o médio Cleiton Conceição e o meio-pesado Laudelino Barros, o “Lino”, perderiam na primeira rodada. Cleiton ainda luta profissionalmente, tendo conquistado o título de campeão brasileiro em 2012 (pela ANB). Já Lino Barros anunciou sua aposentadoria recentemente, após derrotar Raphael Zumbano no último mês de junho, conquistado os cinturões nacionais dos pesados pela CBBP e pelo CNB. Ele também foi campeão brasileiro e latino entre os cruzadores, e é considerado um dos principais nomes do boxe brasileiro nos últimos tempos.

O time brasileiro ainda foi composto pelo super-leve Kelson Pinto, que venceu na estreia, mas perdeu na segunda rodada para o uzbeque Mahammatkodir Adbullaev (que terminaria com o ouro), e pelo pena Valdemir “Sertão” Pereira, que também seria eliminado na segunda luta. Kelson Pinto, o “Fera”, é tido como um dos mais técnicos pugilistas nacionais deste século, e chegou a disputar o título mundial dos super-leves em 2004, perdendo para Miguel Cotto. Atualmente, Kelson é treinador de boxe. Já Sertão entrou para o seleto grupo de brasileiros campeões mundiais como profissional, ao conquistar o boldrié da FIB entre os penas em 2006. O baiano acabaria se aposentando dos ringues no ano seguinte, e hoje vive em Cruz das Almas, na Bahia.

Em 2004, o Brasil teria 5 pugilistas embarcando para Atenas, na Grécia, para os Jogos. Infelizmente, quatro deles perderiam na estreia. O leve Myke Carvalho, o super-leve Alessandro Matos, o médio Glaucélio Abreu e o meio-pesado Washington Silva seriam eliminados nas suas respectivas primeiras lutas. A única vitória tupiniquim naquele ano viria das mãos do baiano Edvaldo “Badola” Gonzaga, que acabaria eliminado nas oitavas de final pelo cubano Luis Franco.

Nos Jogos de Pequim, em 2008, nosso país teria 6 lutadores. O pena Robson Conceição, o leve Everton Lopes e o médio Myke Carvalho acabariam eliminados na primeira rodada. Já Robenílson de Jesus, entre os moscas, venceria na estreia mas acabaria perdendo na segunda rodada. E foi por pouco que a segunda medalha da história do Brasil não foi conquistada do outro lado do mundo. Tanto Paulo Carvalho entre os mosca-ligeiros, quanto Washington Silva entre os meio-pesados, venceriam duas lutas cada, mas acabariam eliminados nas quartas, a apenas uma vitória de garantir o bronze. Paulo tentaria a classificação para os Jogos de Londres quatro anos mais tarde, mas acabaria não conseguindo. Já Washington acabou se aposentando, e atualmente trabalho como treinador de atletas de boxe e de MMA.

E foi apenas em 2012, em Londres, que o Brasil quebraria a longa seca de medalhas olímpicas. Com um recorde de 10 boxeadores representando o país, a seleção retornaria para casa com três medalhas na bagagem.

Entre os médios, Esquiva Falcão tornou-se o brasileiro que subiu no lugar mais alto do pódio. Com uma medalha de prata, conquistada após uma controversa derrota para seu rival dos tempos de amadorismo, o japonês Ryota Murata, Esquiva escreveu a página mais ilustre da página do boxe olímpico brasileiro. Embalado pelo bronze conquistado no Mundial de Baku, em 2011, o capixaba fez uma competição incrível, e por muito pouco não saiu de lá com a vitória. Atualmente no profissional, Esquiva vem tendo a carreira gerida pela Top Rank, e é considerado um dos melhores lutadores brasileiros da atualidade.

E não foi apenas Esquiva que colocou o nome da família Falcão para sempre na história do boxe brasileiro. Seu irmão, Yamaguchi, também teve uma excelente empreitada entre os meio-pesados naqueles Jogos, e acabou com a medalha de bronze. Eliminado pelo russo Egor Mekhontsev nas semifinais, Yamaguchi também conseguiu ajudar a acabar com a seca de pódios do boxe nacional em Olimpíadas. Assim como o irmão, ele também passou ao profissionalismo. Ele é empresariado pela Golden Boy Promotions, e foi considerado o melhor lutador brasileiro profissional do ano de 2015 pelo Round13.

Londres também marcou a primeira edição onde o boxe feminino foi disputado. E a baiana Adriana Araujo já colocou o Brasil no pódio logo no debute das mulheres nos Jogos. Com sua medalha de bronze, a brasileira também marcou seu nome na história, além de ajudar a construir a mais vitoriosa campanha do país no torneio. Em 2016, no Rio, ela terá a chance de repetir a dose. Além de se tornar a única boxeadora do país e disputar mais de uma edição das Olimpíadas, Adriana poderá, em casa, tornar-se a única atleta da história do Brasil a ganhar mais de uma medalha no boxe olímpico.

Ainda naquela edição, Robenilson de Jesus, entre os galos, venceria dois combates, mas acabaria perdendo nas quartas, a apenas um resultado positivo de garantir uma posição do pódio. O lutador, entretanto, poderá tentar a sorte nos Jogos do Rio, visto que, assim como Adriana, ele estará em ação nas Olimpíadas do Rio-2016 em sua terceira participação olímpica.

Everton Lopes, assim como em 2008, acabou eliminado na estreia pelo cubano Roniel Iglesias, que se sagraria campeão. Everton, que se sagrara campeão mundial amador em 2011, era tido como um dos favoritos, mas acabou dando azar nas chaves, enfrentando outro dos fortes candidatos logo nas oitavas. Atualmente, Everton também atua como profissional, e sua carreira é gerida pela Golden Boy Promotions.

Myke Carvalho também acabou eliminado na estreia. O paraense, que em 2012 se tornou o primeiro brasileiro a disputar três Olimpíadas no boxe, tentaria a vaga para os Jogos do Rio. Entretanto, em fevereiro, Myke acabou quebrando o braço durante um torneio preparatório na Hungria, o que o afastou das chances de se tornar também o único lutador tupiniquim a representar nosso país no boxe em quatro edições do mais importante campeonato do pugilismo amador.

O baiano Robson Conceição, entre os leves, perdeu em sua primeira luta. Assim como em Pequim, ele enfrentou o pugilista da casa logo na rodada inicial, e acabou derrotado. Desde então, Robson vem colecionando excelentes resultados na carreira. Com duas medalhas conquistadas em Mundiais (prata em 2013 e bronze em 2015), Conceição chega aos Jogos do Rio como a maior esperança de medalha dentro da nobre arte. Assim como Robenílson, ele fará sua terceira participação nos Jogos. E ao contrário das edições anteriores, quando acabou eliminado pelos lutadores locais, dessa vez o próprio Robson será o lutador da casa. Seria um presságio da quinta medalha de nossa história?

Quem também esteve em ação nos Jogos de 2012 e representará novamente o Brasil em 2016 será Julião Neto. Apesar de ter vencido a primeira luta do campeonato da Inglaterra, Julião foi eliminado nas oitavas pelo porto-riquenho Jeyvier Cintrón. Resta agora torcer para que ele consiga um bom torneio na edição carioca.

Além dos sete homens e de Adriana, a peso-mosca Érica Mattos e a peso-médio Roseli Feitosa também fizeram parte da delegação brasileira em Londres-2012, mas perderam na primeira luta.

E com 4 medalhas, 71 vitórias em Olimpíadas e 62 lutadores diferentes nas 16 edições disputadas, o Brasil chega aos Jogos do Rio esperançoso. Além dos pugilistas já supracitados, Andreia Bandeira, Patrick Lourenço, Joedison Teixeira, Michel Borges e Juan Nogueira formam a delegação de 9 atletas que tentarão subir ao pódio nos primeiros Jogos disputados em solo nacional. E, uma vez terminada a recapitulação dos principais momentos históricos, não deixem de acompanhar, nos próximos dias, a matéria especial que faremos sobre os Jogos do Rio-2016.

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