Artigos

Publicado em 04 de Maio de 2016 às 14h:30

A maior luta do boxe brasileiro nesta década

Foto do autor

Autor Daniel Leal


Patrick Teixeira será primeiro brasileiro na T-Mobile Arena de Las Vegas, mas, muito mais do que isso, adentrará ao ringue carregando toda a esperança do pugilismo no Brasil.
(Imagem: Hogan Photos / Golden Boy Promotions)

Fazem pouco mais de seis anos que tomei conhecimento da existência de Patrick Alen Teixeira (26-0, 22 ko's). O jovem catarinense chamara minha atenção após nocautear um duro Valdevan Pereira, que na época do evento realizado em Casablanca, interior paulista, tinha apenas uma derrota no cartel, saída das mãos do muito mais pesado Ismael Bueno, por pontos. Até hoje, alias, das 15 lutas profissionais de Valdevan, somente Patrick o suplantou pela via rápida. Nem Douglas Ataíde ou Davi Eliasquevici conseguiram tal feito, o que nos faz ver, nitidamente, que há algum diferencial em Teixeira, principalmente em seu poder de punch.

Mais tarde, o prospecto de Edu Mello e da IBG tirou a invencibilidade de Jailton de Jesus e de Eraldo Pereira, como se não fosse nada, aplicando-lhes nocautes fulminantes e provando que estava, definitivamente, em um patamar diferente. Fazia tempo que não assistia a um pugilista que, de nenhum lugar, me arrancava aquela surpresa, aquela mão que encaixava no oponente e não parecia nada, mas, de repente, era o fator decisivo de uma luta. Sem uma carreira amadora vasta, era crescente o sentimento de que estava diante de um talento natural.

Teixeira é franzino, de aparência, até mesmo, fraca. Cheio de espinhas pelo corpo quando iniciou no esporte, parecia mais um jovem que sofria bullying na escola, do que um boxeador. Talvez isso tenha, inclusive, ajudado-o. Existe um ditado que diz que, toda vez que alguém subestima um oponente, este passa a ter toda a vantagem. Não tenho dúvidas de que, quando empreendeu nestes combates e em seus primeiros passos fora do Brasil, em algum momento, alguém pensou menos de Patrick do que ele realmente era capaz de entregar, e isso, sem dúvida, lhe deu a oportunidade de pegar esses incautos no “contrapé”.

Neste sábado, o menino tímido e discreto de Sombrio, no interior de Santa Catarina, será o primeiro lutador tupiniquim a performar na novíssima T-Mobile Arena, dentro do complexo do MGM Grand, em Las Vegas. Este local deverá ser palco de muitas das principais contendas pugilísticas nos próximos anos. De um forma ou de outra, ele terá seu nome lá gravado, porém, muito mais do que estar lá, acima do fato de sua simples presença, Patrick carrega os sonhos e esperanças dos fãs do boxe dentro de seu país. Não é uma tarefa fácil, nem um fardo justo, mas é o que é, e ponto final.

Ao encarar o norte-americano Curtis Stevens (27-5, 20 ko's), Teixeira, aos 25 anos, busca mostrar para Oscar De La Hoya, seu promotor, que sim, ele é “de verdade”. Lutando nos médios, uma categoria superior à dos médio-ligeiros, aonde está muito bem rankeado, terá de provar que merece, na sequência, a tão aguardada oportunidade mundialista, nem que seja em forma de uma eliminatória, como se cogita. Ele deve mostrar que pode vencer a nata da modalidade, e terá esta oportunidade ao enfrentar um atleta que durou oito rounds na frente de Gennady Golovkin. Eventualmente, se suplanta-lo de forma mais arrebatadora, os holofotes que tanto merece e para os quais tanto trabalha, se virarão para ele. A Golden Boy Promotions será quase que obrigada a dar-lhe um degrau maior para subir.

E os fãs brasileiros, ávidos por um herói nacional na nobre arte, depositam nele esta expectativa. Nós precisamos de alguém que quebre os paradigmas, e eu tenho fé, desde o momento em que comecei à acompanhá-lo, de que é este o destino de Patrick Teixeira.  

 

Comentários