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Publicado em 03 de Julho de 2016 às 13h:30

Apesar do alarde, profissionais de ponta não tentarão vaga nos Jogos do Rio-2016

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Autor Luigi F.


Sem atrair os principais lutadores profissionais, lista de inscritos na última eliminatória para as Olimpíadas tem como destaques Amnat Ruenroeng (esquerda) e Hassan N’Dam N’Jikam (centro). Já o Brasil tenta sua última vaga com o superpesado Cosme Nascimento (direita), que estreia nesta terça-feira. Imagens: theboxingobserver.com / AIBA (Reprodução / Twitter) / Reprodução/Facebook.

 

Tem início hoje, em Vargas, na Venezuela, o Evento Classificatório da APB/WSB, com as últimas 26 vagas em disputa para as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Com 79 pugilistas de 40 países diferentes competindo, o torneio, que acontecerá no Jose Maria Vargas Dome, distribuirá 3 vagas para cada uma das categorias entre os mosca-ligeiros e os meio-pesados, enquanto nos pesados e superpesados, apenas o campeão se classificará para os Jogos.

O campeonato será o primeiro a contar com a participação de boxeadores profissionais não-ligados à AIBA, medida aprovada no mês de junho em um congresso da entidade responsável por regular o boxe nos Jogos Olímpicos. Entretanto, após tanto alarde sobre este tema, a verdade é que os profissionais de ponta que eram esperados não tentarão conquistar uma vaga para as Olimpíadas do Rio, que terão início no próximo mês de agosto.

No meio à polêmica, que rondou os noticiários ligados à nobre arte durante o primeiro semestre, muitas especulações surgiram. Foi recorrente o aparecimento de diversos nomes de impacto que teriam interesse em buscar uma vaga olímpica e participar dos Jogos do Rio. Manny Pacquiao, Wladimir Klitschko e Amir Khan, por exemplo, tiveram seus nomes ventilados. No caso do Brasil, Acelino “Popó” Freitas e Esquiva Falcão também tiveram os nomes ligados à busca de um lugar nas Olimpíadas em solo nacional.

Entretanto, tudo não passou de muita especulação. Mesmo tendo prorrogado seu prazo de inscrição para o torneio de Vargas, a entidade presidida por Ching-Kuo Wu não conseguiu atrair nomes de peso para o campeonato, e, consequentemente, não terá nenhum dos grandes nomes supracitados tentando concorrer aos Jogos do Rio. Seja pelo receio de encarar punições dos principais órgãos que regem o esporte profissional (tanto o CMB, quanto a FIB, anunciaram que puniriam os pugilistas que tentassem competir pela AIBA, banindo-os de seus rankings por um determinado tempo), ou então pela falta de motivação financeira, a verdade é que a questão envolvendo profissionais nos Jogos Olímpicos fez muito barulho para pouco resultado.

Entre os 79 inscritos para o Evento da APB/WSB, apenas 20 pugilistas são profissionais não-vinculados à AIBA. E, entre eles, somente dois lutadores possuem, no currículo, a conquista de títulos mundiais no profissionalismo: o tailandês Amnat Ruenroeng (17-1, 5 KOs) e o camaronês radicado na França Hassan N’Dam N’Jikam (33-2, 19 KOs).


Ruenroeng em ação contra Shiming Zou. Imagem: Dale De La Rey / Getty Images

Ruenroeng tem no currículo profissional a conquista do cinturão dos moscas pela FIB em 2014, o qual defendeu por cinco vezes. Em maio deste ano, o tailandês acabou perdendo seu boldrié após ser nocauteado pelo filipino John Riel Casimero. Conhecido por ter imposto a única derrota profissional do chinês Zou Shiming, Ruenroeng participou das Olimpíadas de Pequim, em 2008, tendo sido eliminado nas quartas-de-final. Em Vargas, ele disputará o torneio na divisão dos leves (60 kg), cerca de 10 kg acima do peso que ele compete no profissional. Ele estreia na disputa amanhã, contra o alemão Artur Bril.

Já N’Dam N’Jikam tentará a vaga entre os meio-pesados (81 kg – também acima do peso que costuma competir profissionalmente) por seu país natal, Camarões. O pugilista, que já foi campeão mundial interino dos médios pela AMB e OMB, foi declarado campeão regular da OMB por alguns meses. Após Dmitry Pirog, então dono do cetro da entidade, ter optado por encarar Gennady Golovkin, ele foi destituído do título da OMB, que foi para N’Jikam. Entretanto, logo na primeira defesa, o camaronês/francês perdeu para Peter Quillin. No ano passado, ele tentou novamente ser campeão do mundo, dessa vez pela FIB, mas acabou superado por pontos pelo canadense David Lemieux. A estreia de Hassan no torneio da APB/WSB ocorrerá na terça-feira. Após ficar de bye na primeira rodada, ele irá enfrentar o vencedor do embate entre o estadunidense Jonathan Esquivel e o búlgaro Spas Genov, que também é profissional não-ligado à AIBA, e possui um cartel invicto de 7 vitórias (6 nocautes) no profissionalismo.


N'Jikam buscará vaga nos Jogos do Rio-2016. Imagem: AIBA / Reprodução / Twitter

A categoria até 81 kg, por sinal, será a que contará com o maior número de profissionais não relacionados a entidade presidida por Wu. São 7 lutadores ao todo entre os 13 inscritos. Além de N’Jikam e Genov, farão parte do torneio: o tcheco Ladislav Kutil (19-4, 5 KOs), que já foi campeão tcheco entre os meio-pesados e inter-continental pela FIB; o húngaro Norbert Nemesapati (21-2, 16 KOs), que já foi campeão mundial jovem pela OMB entre os meio-pesados; o sérvio Petar Maukovic (14-0, 13 KOs); o indiano Dillbag Singh (3-0, 2 KOs); e o moldavo Petru Ciobanu (1-1).

No caso do Brasil, nenhum boxeador profissional buscará a vaga. O único representante da delegação nacional será o superpesado Cosme Henrique Nascimento, que compete pela WSB (World Series of Boxing; liga semiprofissional da AIBA). Reserva de Rafael Lima na seleção, Cosme tentará a vaga, uma vez que Rafael não conseguiu a classificação (como Lima não é um atleta da WSB ou da APB, ele não poderá competir no torneio de Vargas). O brasileiro estreia na competição na próxima terça-feira pela manhã, contra o húngaro Istvan Bernath. Em caso de vitória, Cosme precisará vencer mais duas lutas para se classificar para o Rio-2016, visto que, na categoria acima de 91 kg, apenas o campeão conseguirá a vaga.


Cosme (direita) em ação na WSB; brasileiro busca última vaga olímpica para o país nos Jogos do Rio-2016. Imagem: Reprodução / Facebook

Entre os superpesados, apenas 2 lutadores não-ligados à AIBA tentarão um lugar nos Jogos. O algeriano radicado na França Newfel Ouatah (14-1, 8 KOs) é o grande destaque, e competirá por seu país natal. Campeão francês dos pesados como profissional, Ouatah só poderá encarar o brasileiro caso ambos cheguem à final. O outro profissional é Evan Nedd (5-1, 2 KOs), de Aruba, que pode cruzar o caminho do brasileiro nas semifinais.

Além deles, ao menos mais três lutadores que atuam no profissionalismo chamam alguma atenção: o italiano Carmine Tommasone (15-0, 4 KOs), que já foi campeão italiano, intercontinental (versão AMB) e europeu pelos penas, lutará entre os leves (60 kg); o sérvio Geard Ajetovic (28-15-1, 14 KOs), que lutará no limite de 75 kg, e possui no currículo a disputa de cinturões continentais; e o indiano Neeraj Goyat (7-2-2, 2 KOs), que é promovido pela brasileira Mike Promotion Boxing, e inclusive atualmente estuda combater no Brasil profissionalmente, diante do brasileiro Guilherme Castagnazzi.

 Os demais lutadores não-vinculados à AIBA que lutarão no evento classificatório da APB/WSB são: Carlos Daniel Aquino (14-1, 11 KOs; argentino; 64 kg), Alexis Concepcion Abreu (4-0, 1 KO; espanhol; 75 kg), Massimiliano Ballisai (20-3, 12 KOs; italiano; 64 kg), Hermogenes Elizabeth Castillo (11-0, 4 KOs; nicaraguense; 52 kg), Israel Duffus (11-3, 9 KOs); panamenho; 91 kg); Carlos Manuel Portillo (18-0, 14 KOs; paraguaio; 64 kg) e Carlos Suarez (2-1-1, 2 KOs; trinitário; 49 kg).

Das 286 vagas olímpicas, 255 já estão definidas. Além dos 26 lutadores que se classificarão na disputa da Venezuela, restarão 5 vagas masculinas (uma para cada categoria entre os galos e médios), que serão distribuídas através de convites da Comissão Tripartite, formada pelo Comitê Olímpico Internacional, Associação de Comitês Olímpicos Nacionais e a AIBA. Caso os convites não sejam distribuídos, as vagas serão realocadas para o próximo lutador ranqueado no Pré-Olímpico de Baku e que ainda não tenha se classificado.

Vale lembrar que das dez categorias olímpicas masculinas de open boxe, o Brasil já possui representantes em sete: Patrick Lourenço, Julião Neto, Robenílson de Jesus, Robson Conceição, Joedison Teixeira, Michel Borges e Juan Nogueira. Já no boxe feminino, das três vagas disponíveis, o Brasil terá duas boxeadoras. Adriana Araujo e Andreia Bandeira representarão nosso país nos Jogos. Para fins comparativos, em Londres-2012 nosso país contou com 10 representantes ao todo, sendo 7 homens e 3 mulheres.

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