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Publicado em 19 de Abril de 2016 às 12h:09

As 5 desculpas MAIS ESFARRAPADAS da história do BOXE!

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Autor Daniel Leal

É comum para um ser orgulhoso como um atleta de alto nível, em especial um boxeador, que a derrota seja difícil de engolir, ou que, por alguma razão, se duvide de sua magnitude e coragem. Até aí nada de errado. O problema é quando eles usam algumas das piores desculpas para se justificarem.

Quer dizer, problema em termos, né? Depois que passa, nós, fãs do boxe, podemos, pelo menos, rir de todo esse monte de piadas… Julgamos as 5 piores em nossa opinião, utilizando criteriosos métodos criados por nós mesmos, nesse instante, mas, admito desde já, que foi bem difícil selecionar apenas cinco:

5 – Gelzinho poderoso


Kermit Cintron (esq.) apanha de Sergio Martinez (dir.) nesta imagem que, basicamente, resume a luta toda. (Imagem: The Red Korner)

Não se sabe a composição química do que o argentino Sergio “Maravilla” Martnez usava para abrilhantar suas madeixas na noite de 14 de Fevereiro de 2009, em Sunrise, Flórida, ocasião em que defendeu seu cinturão interino dos médio-ligeiros pelo CMB ao empatar (não em um roubo, mas em um assalto a mão armada) com o porto-riquenho Kermit Cintron. Visivelmente, Cintron tomou uma surra, e sofreu um knockdown que, até hoje, não sei como ele consegui convencer o árbitro de que havia sido causado por uma cabeçada, “cancelando” o nocaute que sofrera ao ouvir a contagem. Fato é que, após a luta, ao ser indagado sobre seu ridículo desempenho, Cintron teve a “pachorra” de falar que o cheiro do gel de cabelo usado por Martinez o fez mal e o afetou durante a luta. Provavelmente era tão forte, que desnorteou o árbitro e os jurados também, já que todos eles tiraram – duas vezes – a vitória de Martinez.

4 – Falando em mau cheiro…


"Fica longe de mim, você tá fedendo!". (Imagem: AFP)

Campeão dos cruzadores pela OMB, o sérvio radicado na Alemanha, Marco Huck, resolveu se aventurar na categoria dos pesados em 2012, enfrentando, logo de cara, Alexander Povetkin, da Rússia, então detentor de um dos 600 cinturões da AMB na divisão máxima de peso. Amplo favorito, o russo conseguiu vencer seu adversário bem menor, somente com uma mixuruca decisão majoritária nos pontos. Mas a razão disso, segundo ele, era bem justa: Huck estava fedido demais, e isso distraiu e prejudicou o sensível olfato do campeão. Aliás, seu time chegou a acusar o alemão de, deliberadamente, passar um perfume fedorento visando atrapalhar a performance de Alexander. Claro que eles não sabiam o que teria provocado o mal cheiro, tampouco tinham alguma prova disso. Ainda bem que a maioria dos boxeadores costuma suar apenas leite de rosas garantindo aroma e frescor durante todo o combate.

3 – Bifes com um “tempero a mais”


"Essa minha guarda baixa é culpa do veneno!" (Imagem: starsnetworth.net)

Em meados do ano de 2006, Antonio Tarver era o campeão linear dos meio-pesados, vindo vitorioso de clássicos diante de Roy Jones Jr e Glen Johnson. Bernard Hopkins, por outro lado, havia perdido o título dos médios para Jermain Taylor e resolveu subir duas categorias para encarar Tarver. Não há dúvida de que Hopkins deu-lhe uma aula de boxe. Porém, o ex-campeão garantia que aquela apresentação medíocre diante de um gênio do pugilismo não se deu por sua ineficiência ou qualidade do oponente, mas sim porque alguém (não se sabe quem, talvez uma bruxa má), teria posto veneno nos bifes que Tarver havia ingerido antes do combate. Sim, ele disse que tinha sido envenenado, pique Branca de Neve, só que boxeadora. E como em todo conto de fadas, não há a menor comprovação de que essa história não passa de mera fantasia saída da cabeça do autor.

2 – "Concordo com exames de sangue, mas sem agulha"


"Tenho medo de agulha. Agora me dá licensa que eu vou fazer uma tattoo frenética no braço". (Imagem: accesstattoo)

Manny Pacquiao é, reconhecidamente, um dos maiores inventores de desculpas do mundo do boxe. Já justificou resultados ruins culpando a meia que calçava e até ter que realizar um exame de sangue no dia da luta (o qual seu adversário também teve que se submeter). Quando negociava, lá em 2009, para lutar contra Floyd Mayweather Jr., cada lado jogava para o outro a culpa da contenda não sair do papel. Como todo mundo desconfiava de quais “suplementos” o conhecido preparador (e dopador convicto) Alex Ariza dava para Pacquiao subir tanto e tão bem de categorias, Mayweather teve a ideia de sugerir exames randômicos de sangue para a realização do evento. A primeira resposta do filipino para esta exigência foi, simplesmente, que ele tinha fobia de agulhas. Quando alguém se atentou para o fato de que Manny possuía algumas tatuagens e, portanto, tomara agulhadas aos montes por livre e espontânea vontade, ele mudou a desculpa dizendo que se sentiria fraco ao tirar sangue durante os treinos. Já era tarde, a aicmofobia (medo de agulhas) estava gravada nos anais da história como mais uma justificativa para adiar o embate por mais de meia década.

1 – Amizade destruída


Muito além da dor física... (Imagem: Gazeta Online)

Ao longo dos anos, o lendário George Foreman inventou churrasqueiras elétricas na mesma proporção em que lançava desculpas sobre sua primeira derrota na carreira. Tudo bem que deve ter sido difícil de engolir o revés diante de Muhammad Ali, em 1974, no Zaire, atual República Democrática do Congo. Já incorreu na justificativa de Tarver, falando que foi dopado, mas a melhor “pérola” sobre o resultado do “Rumble in the Jungle” foi aquela que colocou na sua biografia de 1995. Foreman disse que não foi o “dope-a-hope” que Ali, inteligentemente, usou como tática, que fez o jogo virar naquela noite. Na realidade ele teria, durante uma luta contra um dos maiores de todos os tempos, de dentro do ringue (aonde a maioria sequer consegue ouvir a instrução dos técnicos e/ou se concentrar em seus próprios pensamentos) avistado um grande amigo, no meio da multidão na plateia, torcendo para seu adversário. A traição foi tanta que Foreman não conseguiu mais ter ânimo para ir em frente e sucumbiu no oitavo round. Seguindo esta lógica, se tivesse visto sua esposa beijando outro homem, provavelmente teria se suicidado ali mesmo... Pelo menos nesse caso, parece que o “Big George” hoje está consciente de que passou vergonha, e admite que venceu o melhor naquele dia. Antes tarde do que nunca!

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