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Publicado em 30 de Junho de 2016 às 09h:55

As cinco décadas de uma lenda

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Autor Daniel Leal


Mike Tyson completa neste 30 de Junho, 50 anos de uma vida conturbada, polêmica e legendária que influenciou milhões de pessoas mundo afora. Outrora o homem mais temido da face da Terra, discorremos sobre quem foi Tyson e o que ele poderia ter sido, nesta singela homenagem a um dos maiores ídolos da história do Boxe. (Imagem : Smallz+Raskind/Warner Bros. Entertainment Inc. via Getty Images) 

Era noite de sábado, 11 de Junho de 2005, horário e dia inusuais para uma peleja da nobre arte estar no ar em canal aberto, já naquela época. Na sala de casa, demoramos a constatar qual seria a atração que seria trazida pela TV. Pouco depois, o motivo de não termos mudado de emissora foi revelado: A Rede Bandeirantes de televisão transmitiria aquela que seria a última intenta de Michael Gerard Tyson nos tablados, ainda que ninguém realmente soubesse que esta seria sua performance derradeira como atleta.

“Iron” Mike estava bastante longe do maior pugilista dos pesos-pesados em atividade, o que já fora um dia. Era um ex-campeão fora de forma, subindo ao quadrilátero em uma disputa que mal valia algo, puramente pelo dinheiro, contra um adversário, na melhor das hipóteses, mediano. Ainda assim, mesmo em uma mídia nacional que já renegava o pugilismo profissional, a marca “Tyson” trazia consigo valor suficiente para a compra do evento e a transmissão do mesmo, ao vivo.

A mediocridade de Kevin McBride foi suficiente para vencer Mike naquela noite no MCI Center, em Washington. Do ímpeto inicial de Tyson, pouco gás sobrou para a sequência do confronto, e após, inclusive, tentar quebrar o braço do oponente no ringue, aquele que tinha alçado a monarquia da categoria máxima do boxe aos 20 anos de idade, sucumbia em seu córner. Sem condições de manter luta, estava fora, para sempre. A entrevista logo após o imbróglio, ainda no palco do ocorrido, escancarava o óbvio: “Não tenho mais motivação, fiz só pelo dinheiro, não consigo mais”. Foi assim, melancolicamente, que deixou de existir a figura mais temida de todos os tempos em cima de um ringue.

Nem sempre medo e Tyson andaram de mãos dadas, pelo menos na visão dos outros. Todo o lutador que foi começou à ser moldado graças a um estilo de briga de rua que ele mesmo desenvolveu para defender-se do bullying que sofria por ser tímido e ter a voz mais fina do que o usual. É difícil imaginar que o mesmo garoto perseguido e acuado pelos demais se trata do Mike que conhecemos.

Sua infância difícil começou com o abandono. Seu pai, Jimmy Kirkpatrick, deixou sua progenitora, Loma Tyson, com mais duas crianças, além do pequeno Michael de apenas 2 anos de idade, e sumiu no mundo. Passando por problemas financeiros, a família mudou-se para o violento bairro de Brownsville, no Brooklyn. Foi lá que Tyson entrou para uma gangue, na qual participava de assaltos, alguns com armas de fogo. Aos 13 anos, detinha uma ficha criminal com mais de 30 passagens. Inevitavelmente, foi parar em um reformatório, mais precisamente o Tyron School For Boys.

Como o destino é implacável, em Tyron, o jovem Mike encontrou o principal gatilho de mudança em sua vida, personificado no ex-pugilista Bob Stewart. Ao saber que Bob fora um boxeador no passado, Tyson insistiu para que ele o ensinasse os fundamentos do esporte de luvas. Após muito relutar, Stewart concordou que se o delinquente juvenil deixasse de sê-lo, focasse-se nos estudos e melhorasse seu comportamento, passaria a ele seus ensinamentos. Deu certo. Outrora considerado incapaz, o garoto problema melhorou suas habilidades de leitura em questão de poucos meses.

Percebendo evolução no rapaz, que havia se aprofundado em tudo á respeito do boxe, Stewart encaminhou-o a alguém que considerava ideal para o aspirante atleta: Constantine “Cus” D'Amato. Na visão de Bob, Cus poderia ser para Tyson exatamente o que ele necessitava, uma base social e técnica, no esporte e fora dele.

D'Amato tinha uma academia em Catskill, também em Nova Iorque, e já havia formado campeões, dentre eles Floyd Patterson como o de maior destaque. Mais do que isso, Constantine costumava envolver-se mais com seus pupilos, abraçando-os como sua família, tendo uma relação muito mais próxima entre mentor e seguidor, do que costuma acontecer no pugilismo. Foi exatamente o que ocorreu com Mike, em 1980.

Muito além de uma relação vitoriosa entre lutador e treinador, D'Amato e Tyson eram como unha e carne. O menino tinha agora, finalmente, uma referência paterna e uma casa estruturada. Cus havia assumido a guarda de Mike junto de sua esposa, Camille, e agora eles viviam sob o mesmo teto. Tudo isso fazia parte do que o manager havia estabelecido como meta para seu aprendiz, pois, debaixo de sua vigilância e guarda, seu desejo era que o homem que guiaria arrebatasse o cinturão dos pesos-pesados em mais tenra idade do que Patterson havia conseguido (21 anos). Sem viver para ver isso, D'Amato acabou conseguindo. Seu planejamento foi seguido à risca, das disputas nos amadores, às “não sancionadas” para que Tyson pegasse “cancha”, tudo foi calculado por Cus para que ele atingisse este objetivo antes de chegar à maioridade nos EUA.

Em 1985, Michael virava profissional após falhar em classificar-se para os Jogos Olímpicos de 84. Bateu Hector Mercedes na estreia, logo no primeiro round, em Albany. Oito meses e 10 vitórias consecutivas por nocaute depois, porém, tomou o maior golpe de sua vida até então ao perder seu “pai”. Cus D'Amato deixava este plano em Novembro daquele ano, devido á complicações de uma pneumonia. Kevin Rooney, companheiro do treinador, assumiu as funções de D'Amato no ginásio de Catskill, e, por consequência, tornou-se treinador da promessa da categoria máxima, com 19 anos naquela altura. Rooney não mudaria uma vírgula do caminho que Cus havia traçado para Mike rumo ao título, mas, inegavelmente, as consequências desta perda seriam maiores mais à frente.

O mais jovem campeão do mundo


Imagem: BoxRec.com

Em 22 de Novembro de 1986, Tyson alcançara a marca histórica que seu antigo mestre havia lhe colocado como objetivo. Isso porque, ao demolir o hoje falecido jamaicano Trevor Berbick em apenas dois rounds, no Hotel Hilton, em Las Vegas, “Iron” Mike capturava o cetro mundial do CMB, o primeiro de sua coleção, e tornava-se o campeão mais jovem da história dos pesos-pesados, com apenas 20 anos e 4 meses vividos. Na luta seguinte, menos de 120 dias depois, venceria James Smith, o “Quebra-Ossos”, de forma dominante nos pontos, e se sagraria titular também pela AMB. Mais tarde, ainda em 1987, adicionaria o boldrié da FIB à sua coleção, único que restava naquele momento (a OMB surgiria mais tarde). Com a mesma idade de Patterson, já era tricampeão do mundo, muito graças ao torneio promovido pela HBO, que visava a unificação da categoria.

O mundo sabia, no entanto, que o monarca linear não era Tyson, e sim Michael Spinks, ex-titular da Federação Internacional de Boxe, que abandonara o título ao não concordar com a competição proposta. Faltava apenas esta vitória para que Mike fosse considerado o maior de todos. Em Junho de 88, três dias antes de completar 22 primaveras, ele e Spinks encontraram-se em Atlantic City para decidir se a força bruta de um prevaleceria sobre a técnica do outro. Como a história já sabe, Tyson não só venceu como não tomou conhecimento de seu adversário, provando que era o que realmente se pensava dele.

Contudo, a vida pessoal de Mike já não ia bem. O fato de ter se tornado uma estrela muito jovem fez com que decisões erradas lhe ocorressem mais do que as certas. Casou-se com a atriz Robin Givens, e naquele mesmo ano, após uma humilhante entrevista no programa de Barbara Walters, separaram-se. Na lista de relações desfeitas, também demitiu Kevin Rooney de seu córner e entrou em litígio com Bill Cayton, seu manager na época. Pouco depois, assinou acordo promocional com Don King.

A zebra do século


Imagem: Sports Illustrated/Getty Images

Existem muitas “Lutas do Século” no boxe (e várias nos mesmos séculos), mas a maior zebra esportiva mundial, sem dúvidas, até hoje, foi a derrota de Mike Tyson para James "Buster" Douglas, em 1990. No dia 2 de Fevereiro daquele ano, Tyson adentrou o Tokyo Dome, no Japão, como favorito absoluto em todas as casas de apostas, em proporções bizarras. Ninguém em sã consciência achava que Douglas quebraria o recorde invicto de 37 combates que o campeão indiscutível dos pesados ostentava na época. Mas, um azarão não é um azarão se a maioria não duvidasse dele.

A certeza era tanta quanto ao êxito do nova-iorquino, que já estava certo que Mike enfrentaria Evander Holyfield na sequência, recebendo 22 milhões de dólares, a maior bolsa da história até então. Só que, ao passo em que Tyson não levava a sério seus treinos, contava com uma equipe inexperiente de apoio, e havia sofrido uma queda de Greg Page em uma sessão de sparring pouco tempo antes do confronto, James Douglas utilizava a perda de sua mãe 23 dias antes da contenda como uma motivação transcendental para treinar como nunca e entrar sem nada a temer no tablado na fatídica manhã (sim, a luta ocorreu no período matutino devido ao fuso horário, para acomodar a programação à TV estadunidense). O desleixo de Tyson e sua equipe eram tamanhos, que nem sequer o “enswell”, aquele objeto de metal que serve para tratar inchaços durante os intervalos, seu córner levou consigo, tendo que improvisar uma luva enchida com água gelada e gelo como paliativo.

“Buster” dominou as ações no jab, clinchou, e frustrou Tyson durante a maior parte do embate. Até que, no oitavo giro, recebeu um uppercut maravilhoso e foi ao solo. Levantou-se aos 9 segundos da mais longa contagem da história do pugilismo (Don King chegou a tentar anular o resultado devido aos 13 segundos que, na realidade, Douglas demorou para levantar-se, contados de forma errada pelo árbitro). James voltou com fome no nono assalto e fez Mike sentir. No décimo, um upper de direita levou o então rei à lona pela primeira vez em sua carreira. Levantando-se tonto, não deu outra opção ao juiz que não encerrar a luta.

Foi assim que 40 mil expectadores viram, atônitos, Tyson sendo nocauteado no décimo assalto e todas as bancas de apostas quebrarem.

Prisão e retorno.


Imagem: AFP/Getty Images

Ensaiando dar a volta por cima, Tyson venceu Henry Tillman, que o havia tirado dos Jogos Olímpicos, Alex Stewart e Donnovan Ruddock (duas vezes), mas sua sequência parou nos tribunais. Em Julho de 91, Tyson havia sido acusado pela modelo Desiree Washington de estupro, e acabou condenado por este crime em 1992, em um caso que gerou enormes polêmicas quanto à veracidade das acusações e aos motivos da condenação do ex-campeão. De uma forma, ou de outra, Mike foi sentenciado à seis anos de prisão, dos quais cumpriu três. Libertado em 1995, tratou de retornar aos tablados.

Menos de seis meses de liberdade depois, ele venceria Peter McNeeley, após derrubá-lo duas vezes e ver o empresário de seu oponente entrar no quadrilátero, obrigando o árbitro á desclassificá-lo. A expectativa era tanta que o retorno de Tyson após quatro anos afastado das competições selou novo recorde de pay-per-views, na época, e levou mais de 16 mil expectadores ao MGM Grand, em Las Vegas, mesmo palco em que, 7 meses depois, derrotou novamente o britânico Frank Bruno, e tomou-lhe o título do Conselho Mundial de Boxe.

Não aceitando desafio mandatório de Lennox Lewis, Mike abandonou esta cinta para pelejar contra Bruce Seldon, titular pela Associação. Com punches que mal pegaram em Seldon, obteve polêmico nocaute no primeiro assalto, mas saiu vaiado do MGM Grand, apesar de carregar o cinto da AMB consigo. A título de curiosidade, na mesma noite, o rapper Tupac Shakur, amigo de Tyson, seria alvejado, sucumbindo aos tiros 6 dias mais tarde e falecendo.

“The Real Deal”


Imagem: TheFightCity.com

Oito vitórias e mais de seis anos separavam Mike da derrota para “Buster” Douglas. Já era fato superado e, aos olhos da grande massa popular, ele ainda era um monstro. Mas, em seu caminho existia alguém que havia se preparado a vida toda para o dia em que se encontrariam no ringue. Evander “The Real Deal' Holyfield, havia suplantado Douglas pouco depois da derrota por este imposta à Tyson em Tokyo. Sabidamente, o lendário ex-campeão dos pesados e cruzadores, sempre mirou o novaiorquino como seu principal alvo. Holyfield dizia, já em 1990, que preparou-se anos para encarar o estilo de Tyson. Em Novembro de 96, ele ganharia a chance de provar isso.

Muito menos badalada do que outrora, porém não menos atrativa, a disputa entre Tyson e Holyfield aconteceu, finalmente, na terceira tentativa. Marcado para 90 e cancelado pela derrota de “Iron” Mike, e posteriormente cancelado novamente em 1991 devido a sua condenação na justiça, o combate ocorreu para tirar esta teima, e também devido ao fato de que se pensava, naquele momento, que Evander não mais estava no auge, pois vinha de 3 derrotas em suas 7 últimas contendas, isso sem contar que estes reveses se deram em batalhas diante de Michael Moorer e Riddick Bowe, que o havia vencido pela via rápida um ano antes, apenas. Mike teria, então, a oportunidade de dar mais um golpe no seu passado. Não foi o que aconteceu.

Provando que tinha muito a entregar ao pugliato ainda, Holyfield fez exatamente o que havia planejado, ficou na melhor distância possível para ele, trocou golpes sem medo, e quebrou a confiança de Tyson. No décimo primeiro round, após encaixar mais de dez socos em sequência, Evander obrigou o árbitro a parar a luta, vencendo e levando para casa o boldrié da AMB.

Sete meses se passaram até a aguardada revanche ser realizada. Á dois dias de seu aniversário de 31 anos, Tyson teria a chance de vencer Holyfield novamente, mas, acabou protagonizando umas das maiores bizarrices da história do esporte.

Me lembro como se fosse hoje, de meu pai saindo de casa para fazer um “gato” na antena coletiva do prédio e podermos ver a luta. Nós havíamos nos mudado de apartamento e uma “competentíssima” companhia de TV a cabo cortou nosso sinal erroneamente, não fazendo muita questão de ter pressa em arrumar e nos deixando sem nenhum sinal. Sendo assim, pouco antes do evento, tendo um “insight” ele foi à caixa receptora no corredor e puxou o sinal através de um remendo que, milagrosamente, funcionou, não sem antes levar o vigia noturno a loucura graças ao interfone tocando incessantemente. Isso porque, para tal, ele teve que desligar a conexão de todo o condomínio por alguns minutos. Acontece que ninguém queria perder aquela luta, que passaria ao vivo na Rede Globo (bons tempos) e a queda da imagem da emissora levou meus vizinhos ao desespero, o que só parou quando, antes do combate, meu pai já havia ajeitado tudo. Até hoje ninguém no edifício sabia disso. Até hoje… Enfim, na hora em que Tyson e Holyfield entraram no palco armado no MGM Grand totalmente lotado, havia muita, mas muita gente ligada na frente de seus televisores, roendo as unhas. Todos foram dormir frustrados.

É chover no molhado descrever o que aconteceu. Reclamando das cabeçadas de Holyfield desde o primeiro confronto – com razão – Tyson resolveu descontar da pior forma possível, arrancando um “singelo” pedaço da orelha de seu adversário com uma mordida. Mills Lane, que mediava as ações, foi ainda tolerante, tirando dois pontos de Mike, um pela dentada e outro pelo empurrão posterior. Mas a raiva falou mais alto e outro pedaço de Evander acabou sendo arrancado na sequência. Lane não teve opção à não ser desclassificar “a Fera”, como insistentemente Galvão Bueno chamava o antigo campeão dos pesados.

O fim


Imagem: Getty Images Sports

A realidade era que, depois do que houve contra Holyfield, era absurdo que se levasse Tyson á sério. Mas no mundo do Boxe, nada que envolva milhões de dólares pode ser considerado tão fora da realidade assim. Em Outubro de 1999, Mike contribuiu mais ainda para sua fama de profissional fora de foco ao derrubar Orlin Norris depois do gongo, lesionando o adversário, tornando aquela que seria sua segunda vitória seguida, em um “no contest” (sem resultado). Um ano depois, novamente aprontou das suas e teve outro êxito revertido quando testou positivo para maconha no teste antidopping para o confronto diante de Andrew Golota.

Sendo assim, em 2002, Tyson deveria ser o lutador que vinha de seis nocautes consecutivos, mas graças às suas atitudes impensadas, somava apenas quatro. Ele era temido novamente, mas agora o medo, na verdade, era de que estragasse o show. Ainda que seu histórico recente positivo tivesse sido forjado diante de uma oposição bastante mediana, Memphis, no Tenessee seria palco do último grande “main event” da carreira do norte-americano, aonde teria mais uma oportunidade de retomar o cinturão máximo da nobre arte. Lennox Lewis era o campeoníssimo na época, e era ele quem seria, junto com Tyson, protagonista na noite de 8 de Junho.

Muita confusão foi armada, literalmente, para promover a disputa dos cinturões da FIB e do CMB, então em posse de Lewis, incluindo ai gestos obscenos e entreveros físicos entre as equipes durante as conferências de impressa antes do confronto. Claro que isso devia-se ao fato de que a fé no potencial de Tyson havia diminuído muito. Alguns fãs ainda acreditavam nele, e isso era suficiente para, com algum “empurrãozinho promocional”, o encontro tornar-se extremamente lucrativo.

Dominado e castigado, Tyson sucumbiu a um Lewis em plena forma. Após muito apanhar e pouco fazer, finalmente foi derrotado durante o oitavo giro. Ficava claro para quem ainda duvidava, que não mais aquela lenda do esporte chegaria próximo ao que já havia sido um dia. Era o canto do cisne, para qualquer um que não fosse Mike Tyson.

Ele insistiu até 2005, quando voltamos para a luta com McBride. Entre Lennox e este combate, Tyson vencera Clifford Etienne, mas fora nocauteado por Danny Williams posteriormente, mesmo com o excelente Freddie Roach treinando-o, quase um ano e meio depois. Parado há 11 meses, vindo, portanto, novamente de um hiato grande e com quase 39 anos, Mike estava tão falido que dos 5.5 milhões de dólares que receberia pela luta, apenas 250 mil foram para seu bolso, o restante serviu para quitar dívidas judiciais com credores. Terminava assim, de forma triste, por paralisação no sexto giro, diante de um irlandês que jamais sequer chegou a uma disputa de título mundial, uma das mais incríveis carreiras da história da nobre arte.

Quem é hoje, e quem poderia ter sido


Images: IndiaToday.in

Parece que Mike, merecidamente, conseguiu livrar-se de seus demônios. Mais centrado, trabalhando no cinema, com uma família mais coesa, Tyson hoje tem uma empresa de promoção de pugilistas e usa seu “know-how” no meio das lutas com bastante parcimônia. Sem dúvida, tem muito á passar aos que estão começando, principalmente. É uma figura contraditória e sempre será, podendo servir tanto como exemplo positivo, quanto negativo, em vários aspectos.

Muitos foram influenciados por ele, por suas lutas e nocautes fantásticos. Erroneamente, a alguns deu a impressão de ter sido o mais incrível lutador que já existiu, uma inverdade. Fato é que esteve muito próximo disso. Faltou à Tyson as vitórias sobre Holyfield, Lewis, Bowie e, porque não, George Foreman, que durante pouco tempo lhe foi contemporâneo. Tivesse obtido estes êxitos, poderíamos estar aqui discutindo se ele teria sido, ou não, o melhor de todos os tempos. Infelizmente, quis o destino que não fosse dessa forma

Após cinco décadas de uma vida que caminhava para um provável desfecho demasiadamente cedo e trágico, pode-se dizer que Tyson influenciou muito mais o mundo do que ele mesmo imaginaria. Impulsionou o boxe, mesmo que muitas vezes de forma polêmica, de uma maneira em que até as casas noturnas brasileiras paravam para mostrar suas apresentações pela televisão. Mike Tyson é o resumo do “errado que deu certo”, mas, apesar dos pesares, o pugilismo estaria pior sem ter visto-o desfilando suas performances, principalmente em seu auge.

Parabéns, “Iron” Mike, e obrigado pelas madrugadas de boxe na TV


Imagem: Brian Birzer

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