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Publicado em 16 de Agosto de 2016 às 09h:40

Brasil pode ganhar primeiro ouro do boxe com Robson Conceição hoje

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Autor Luigi F.


Imagem: Robson Conceição (Yuri Cortez/AFP) / Sofiane Oumiha (Divulgação) - Montagem: Round13

Daqui a algumas horas, no Pavilhão 6 do Riocentro, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o boxe brasileiro poderá atingir o seu ápice em toda a história em Olimpíadas. Com um representante numa final olímpica apenas pela segunda vez, toda a torcida do Brasil estará voltada para o baiano Robson Conceição, que lutará pela inédita medalha de ouro na categoria até 60 kg hoje, às 19h15, contra o francês Sofiane Oumiha.

Este será o combate mais importante da carreira do pugilista brasileiro até este presente momento. Natural de Salvador, na Bahia, Robson é um dos mais experientes atletas da seleção brasileira. Apontado como a grande esperança de medalha do Brasil nas Olimpíadas do Rio, o baiano não decepcionou, e vem fazendo um torneio irrepreensível até agora.

Depois de estrear derrotando o tajiquistanês Anvar Yunusov nas oitavas, Robson passou pelo uzbeque Hurshid Tojibaev nas quartas de final numa bela exibição, garantindo a primeira medalha do boxe brasileiro nesses Jogos.

O bronze, entretanto, não era suficiente para o brasileiro. Nas semifinais, diante do duríssimo cubano Lazaro Alvarez, tricampeão mundial, Robson fez seu embate mais difícil nestes Jogos, vencendo por decisão unânime e se classificando para a grande final de hoje à noite. O sucesso diante do rival, que o havia derrotado nas finais do Mundial de 2013, foi o grande momento do boxe brasileiro até agora no Rio-2016.

Em sua terceira participação olímpica, Conceição vem mostrando muita maturidade e um boxe de altíssimo nível. Eliminado em Pequim-2008 e Londres-2012 na primeira luta, perdendo para os pugilistas da casa nas duas ocasiões, Robson vem imbatível até o momento, tendo perdido um único round dos sete que disputou, na avaliação do Round13.

No ciclo preparatório para o Rio-2016, Robson foi exemplar. O brasileiro medalhou nos dois Mundiais que disputou, conquistando uma medalha de prata em 2013 e uma medalha de bronze em 2015, superando suas duas participações anteriores em Mundiais da AIBA. Em 2009, havia caído na primeira fase, enquanto em 2011 perdeu “no tapetão” para Vasyl Lomachenko, após ver sua vitória sobre o ucraniano ser anulada nos bastidores.

Apesar da excelente fase, da fantástica preparação e do fato de lutar em seu país natal, Robson terá pela frente um adversário enjoado. O francês Sofiane Oumiha, de 21 anos, também vem fazendo uma boa competição até aqui. Medalhista de bronze no Mundial Juvenil de 2012, Sofiane foi vice-campeão europeu no ano passado, perdendo a final para Albert Selimov, do Azerbaijão, e se classificou para o Rio após vencer o Pré-Olímpico Europeu, realizado em abril deste ano em Samsun, na Turquia.

A trajetória de Oumiha nas Olimpíadas teve início com uma vitória por decisão unânime sobre o hondurenho Teofimo Lopez Rivera na fase preliminar. Nas oitavas, encarou o ex-campeão mundial profissional dos moscas pela FIB, Amnat Ruenroeng. Sem tomar conhecimento do tailandês, o francês venceu por nocaute técnico, após impor três aberturas de contagem protetora ao rival.

Nas quartas, Oumiha, que além de perder a final do torneio europeu, havia sido eliminado por Selimov no Mundial do ano passado, se vingou do azerbaijano, que era considerado, ao lado de Robson e Lázaro Alvarez, um dos favoritos ao ouro. E, por fim, superou o mongol Otgondalai Dorjnyambuu nas semifinais, chegando à decisão contra o brasileiro.

Até hoje, o Brasil possui uma única final olímpica no boxe em sua história. Nos Jogos de Londres, em 2012, Esquiva Falcão sofreu uma controversa derrota para o japonês Ryota Murata, em combate muito disputado. Além da prata de Esquiva, o Brasil possui três bronzes conquistados ao longo dos anos, com Servílio de Oliveira (1968), Yamaguchi Falcão (2012) e Adriana Araujo (2012). Robson já garantiu sua presença no seleto hall de boxeadores brasileiros medalhistas olímpicos, porém, pode se isolar como único a conquistar o tento dourado.

A prata já está garantida, mas Robson quer mais. Ele pode mais. O boxe será o grande centro das atenções no Brasil exatamente quatro anos após as conquistas dos irmãos Falcão e de Adriana Araujo nos Jogos de 2012. E o ouro está, mais do que nunca, perto de fazer parte da história do boxe brasileiro.

Pra cima dele, Robson! O Brasil está com você!

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