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Publicado em 23 de Maio de 2016 às 21h:45

Canelo e De La Hoya abdicaram do cinturão CMB graças á um trunfo que NÃO possuem

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Autor Daniel Leal


Da esq. para a direita: Mauricio Sulaiman, presidente do CMB (esq), Saul "Canelo" Alvarez (centro) e Oscar De La Hoya (dir.) - Imagem: Alma Montiel/World Boxing Council.

O mexicano age como se fosse uma grande sensação do boxe mundial. Exageradíssimo para quem não consegue vender mais de 500 mil pay-per-views por conta própria. Achando que GGG é quem precisa da luta, ele e a Golden Boy Promotions podem estar jogando fora milhões de dólares.

“Um truque de mestre”, “utilizou as cartas na manga”, “grande trunfo”, diriam os mais incautos. Não me enganam. A realidade é que, ao abdicar de seu cinturão dos médios do Conselho Mundial de Boxe, o mexicano Saul “Canelo” Alvarez, deu um grandessíssimo tiro em seu próprio pé. Pra quem ainda não sabe, ele e sua equipe de promoção, a Golden Boy Promotions, resolveram deixar de lado o boldrié em questão para que a entidade não “exercesse pressão extra nas negociações para a luta contra Gennady Golovkin”, que, ao que tudo indica, está sendo, realmente, negociada. Leia-se: "Fizemos isso para podermos exigir o que quisermos, já que o título seria o único trunfo que o cazaque possuía para fazer valer suas exigências."

No mundo dos negócios isso poderia ser considerado genial para os mais vorazes, ou covardia, aos mais empáticos. A realidade é que, para mim, pelo menos, foi uma burrice. Este fato só corrobora com a teoria de que Saul está correndo deste enfrentamento. Se por algum acaso as coisas não derem certo, mesmo que sem culpa de sua parte, tudo recairá sobre a reputação do jovem hispânico.

Eu não sei da onde Oscar De La Hoya tirou que Canelo é um grande produto. De verdade, não vejo em que lugar ele acha que está tanta lucratividade assim neste jovem. Alvarez é um pugilista de qualidade, sem dúvida, mas daí a ser uma superestrela ainda falta muito. Enfrentou gente muito boa, tem nocautes bonitos na conta, mas ainda não convenceu de que é o nome principal do esporte de luvas na atualidade, ou sequer de que tem potencial comercial para isso.

Maior prova foi seu último evento. Quando pelejou com Amir Khan, no começo do mês, a atratividade era toda dele, ou seja, bem como as últimas lutas de Floyd Mayweather Jr. e Manny Pacquiao, antigos "carros-chefe" do pugilismo, o adversário não era interessante o suficiente para que a contenda em si vendesse, mas sim a presença de Saul é quem atrairia os holofotes e impulsionaria a comercialização dos pacotes para se assistir ao combate. O resultado foi péssimo. A mais otimista das estimativas (já que números oficiais não foram, nem serão, divulgados pela HBO), fala em algo “pouco abaixo de 600 mil pay-per-views”. Outras apontam números ainda menores de 480 mil e 320 mil, o que representaria um desastre promocional completo.

Golovkin, por sua vez, pode também ainda não ser uma estrela suficientemente grande para vender sozinho, mas faz resultados consistentes em embates que custam menos para serem promovidos. Seus adversários nas programações pagas têm popularidade sofrível, para dizer o mínimo, e ainda assim GGG consegue fazer crescer, aos poucos, sua popularidade.

Se na época em que se especulava seu enfrentamento contra Miguel Cotto a situação era menos favorável, hoje Gennady desfruta de um hype muito mais elevado. Seus nocautes e seu estilo agradam aos fãs e me arrisco a dizer que todos o confrontos evitados com ele também o ajudam nisso. Hoje o atleta do Cazaquistão possui uma aura de “mais temido” e todos querem vê-lo em ação diante de alguém realmente perigoso, para que isso se confirme.

Há um consenso no mundo do Boxe de que "Canelo vs. Golovkin" é a luta que todos querem. Porém, até pela idade de ambos, o staff do lutador latino pensa ter uma vantagem em postergá-la. Tempo seria uma variável mais prejudicial á GGG. Porém, fazendo uma breve reflexão das possíveis alternativas, quem Alvarez poderia enfrentar que lhe desse mais lucro do que o cazaque?

Outro ponto é que o novo campeão CMB, que já possuía os cetro AMB e FIB, tem já uma excelente batalha diante de si, caso esta não saia do papel. Danny Jacobs, campeão “regular” da Associação Mundial de Boxe, está pronto para enfrentá-lo. Seria o homem que venceu o câncer, mostrando que não tem medo de ser humano algum. Um prato cheio de apelo promocional. E, neste caso, Canelo enfrentaria quem?  David Lemieux, recentemente destruído pelo cara de quem esta fugindo (ou Curtis Stevens, na mesma situação)?

No final das contas, a melhor opção para os dois seria se enfrentarem no segundo semestre. Duro vai ser convencer uma pseudo-celebridade de que ele não é quem ele tem certeza que é. Mais duro ainda é fazer isso com uma equipe que deveria pensar o contrário, mas, na verdade, infla ainda mais esse devaneio.  

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