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Publicado em 26 de Dezembro de 2015 às 12h:30

Coliseu Boxe Center

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Autor Denis Nietto


Imagem: Facebook Coliseu Boxe Center

Um projeto nobre e grande, que atingiu um invejável sucesso e que anda na contramão do esperado. Estamos falando do Instituto Assistencial Coliseu Boxe Center, um projeto capitaneado pelo Sr. Willian Paiva que o Round 13 recentemente teve o privilégio de conhecer ainda mais de perto, e que iremos compartilhar com vocês.

Em conversa guiada por Alex de Oliveira, ex-pugilista profissional e que é o representante do projeto nas redes sociais, visitamos as instalações do Coliseu. São três centros de treinamentos que visam um único objetivo muito maior do que ensinar e praticar o boxe: a formação do ser humano.

Quando se visita um centro desse porte, o que se espera (ao menos era o que eu esperava) é ver um lugar onde a ideia é fazer os atletas lograrem o maior êxito em suas carreiras, obtendo títulos e sucesso. Mas não é assim que as coisas funcionam no Coliseu. Os títulos, as conquistas e o desenvolvimento do boxe são consequências do trabalho. O foco, como dito, é o ser humano.

A receita vem dando certo. Foi como aconteceu com vários atletas que passaram por lá, como Alex de Oliveira (ex-campeão latino de boxe profissional pelos super-galos), Erivan Conceição (ex-campeão brasileiro de boxe profissional pelos médios), Mike Carvalho (pugilista amador com participação em 3 Olimpíadas), Edvaldo “Badola” de Oliveira (ex-campeão brasileiro de boxe profissional pelos super-penas), Everton Lopes (ex-campeão mundial de boxe amador e atualmente invicto como profissional), William “Baby Face” Silva (atual campeão latino dos leves pela OMB), Anderson “Pantera” Clayton, David Lourenço (campeão mundial juvenil de boxe amador), Domingos “Dominguinhos” de Jesus, Alessandro Matos, entre outros. Atletas que quando foram acolhidos, precisavam de uma mão amiga e acolhedora, não de fama, nem tão pouco do boxe.

Esse jeito de pensar e de formar seres humanos não combina muito com o boxe profissional. Tanto isso é verdade que o primeiro atleta profissional que o Coliseu apoiou foi Alex de Oliveira. Mesmo no caso dele, o apoio foi “até certo ponto”. “O senhor Willian Paiva me disse ‘Se você for continuar no profissional, não estaremos mais juntos. Continuamos amigos, você pode continuar visitando minha casa, vamos sempre te receber de braços abertos e até torcer por você, mas continuará a carreira sem a gente’”, contou Alex durante nossa conversa.

Isso pode parecer triste, mas o Coliseu não o é. Como a Sra. Elena Paiva, esposa do Sr. Willian, me frisou por várias vezes, o Coliseu é uma família, por isso que de um único centro de treinamento foram para três, todos em Guarulhos/SP, dos quais os dois mais novos estão propositalmente localizados em bairros muito carentes. Segundo Alex, no CT do Jardim Nova Cidade, havia um ponto de tráfico de drogas bem de frente e após algum tempo depois da existência do Coliseu esse ponto acabou, afinal, não pode haver escuridão onde existe luz.

Na minha visita, percebi enquanto estava lá um rapaz que não conhecia, e que estava fazendo um sparring com um nível diferenciado. Quando questionei, me informaram que se tratava de Estivan Falcão, irmão de Esquiva e Yamaguchi. Segundo o treinador e coordenador Jefferson Acácio (que antes do Coliseu, tocava um projeto social por conta própria), ele estava em Espírito Santo, treinando lesionado, um talento que estava se perdendo, agora segue crescendo e prometendo no Coliseu.

Outro que foi destacado foi o Bi-Campeão Brasileiro Cadete, Jonhatan Soares. Todos lá afirmam: “o moleque é muito craque, vai ter oportunidades rapidinho”. Ou seja, muito em breve poderemos ter diversos lutadores de destaque surgindo deste importante centro de treinamento da Grande São Paulo. Mas, ainda mais importante, é saber a quantidade de jovens que sairão de lá totalmente transformados em adultos de verdade.


Jonhatan Soares. Imagem: Arquivo pessoal/Facebook

A vida, assim como o boxe, é dura, e nem sempre tudo são só flores. Quem olha a estrutura atual, a história, todos os pugilistas que lá se formaram, e o brilho nos olhos de todas as promessas que lá treinam atualmente, nem imagina que o Coliseu esteve prestes a fechar. Após o Sr. Willian Paiva, fundador e mantenedor do projeto, adoecer entre os anos de 2007 a 2011, todos os imóveis chegaram até a colocar placa de vende-se. Graças a Deus, ele se recuperou, e trouxe consigo um novo ímpeto para construir os dois novos CTs.

O sonho que persegue agora é construir uma réplica do Coliseu original, aquele mesmo de Roma, na Itália, o que seria mais um passo na vida de pessoas que tanto fizeram pelo boxe e por diversos brasileiros que por lá passaram. Se olharmos o que já foi alcançado até agora, com tanto trabalho, suor e dedicação, pode-se dizer que é questão de tempo para que os objetivos se realizem. E, com certeza, o maior objetivo da instituição tem tudo para continuar sendo alcançado com perfeição: formar campeões para a Vida!


Sr. Willian Paiva e sua esposa, Elena Paiva. Imagem: Emerson Vidor/Gazeta News de Guarulhos

Para quem quiser saber um pouco mais sobre o Coliseu, sua história e seus objetivos, ou até mesmo se tornar um voluntário, basta acessar o site oficial, ou a página oficial do projeto no Facebook.

Coliseu Boxe Center
Avenida Antonio de Sousa, 1073 ant. 819
Jd. Macedo – Guarulhos/SP
Tel.: (11) 4964-3280
coliseu@coliseuboxecenter.com

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