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Publicado em 21 de Março de 2016 às 14h:55

Como estragar uma carreira, com Roy Jones Jr.

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Autor Daniel Leal


Ex-pound-for-pound, Jones Jr tem feito papel absolutamente ridículo nos ringues. A última foi lutar contra um “fã”… (Imagem: Anton Tabuena)

Era novembro de 1994 quando ouvi a chamada do combate: “Roy Jones Jr. versus James Toney, pelo título mundial dos super-médios pela Federação Internacional de Boxe”. Bons tempos. Naquela noite de sábado, em um dia 18, mal sabia eu, ainda pequeno, que Jones subira de categoria para pegar o então campeão, Toney, e que este era favorito. Não foi, efetivamente o que vi. Na realidade, o então detentor daquela cinta, invicto em 46 lutas, sucumbira a uma magistral demonstração de técnica e destreza, incomuns de outro cara também sem nenhuma derrota no currículo.

James, mestre defensivo, sequer pôde evitar uma ida ao solo durante o terceiro round, após uma esquerda muito bem colocada. Ao final dos doze assaltos, Roy sagrava-se bicampeão do mundo, na segunda categoria distinta. O quadrilátero ali mostrava duas futuras lendas que, mais ainda a frente no tempo, não souberam parar e deixar seus legados intactos.

Hoje, aos 47 anos de idade, tanto Toney quanto Jones, me dão pena.

O primeiro não vence desde 2013, no torneio “Prizefighter” na Inglaterra, aonde conseguiu passar apenas da primeira fase. Perdeu mais uma em Agosto do ano passado e agora acumula 10 derrotas em sua trajetória profissional. Já RJJ conseguiu bater alguns pugilistas medianos entre 2011 e 2015, somando 8 êxitos consecutivos, até ser massacrado por Enzo Maccarinelli – também longe de seus melhores dias – em Dezembro.

Porém, entre estes dois atletas que pude ver ainda criança lutando, Jones consegue estar ainda em posição mais degradante. Escolheu “retornar” de sua derrota, contra um fã. Isso mesmo. Abriu concurso, mais de 1500 se inscreveram, para ter a chance de estrear no boxe profissional contra um mito esportivo, e levar 100 mil dólares para casa, caso vencesse o veterano.

Este fato consumou-se no último domingo, no Celebrity Theater, em Phoenix, Arizona. O ex-campeão mundial dos médios, super-médios, meio-pesados e pesados teve a coragem de adentrar ao tablado para enfrentar alguém praticamente leigo na nobre arte. Vyron Philips se diz lutador de MMA e ex-praticante de boxe amador, ou seja, um inseto perto de um dinossauro da nobre arte como Jones. Não podendo ser diferente, sucumbiu antes do final do segundo giro.

Sabe-se que Roy está passando por algumas situações financeiras difíceis. Mas, será que adiar tanto sua aposentadoria não contribui ainda mais para isso? Se tivesse se focado em outra atividade, não estaria agora ganhando seu dinheiro de outra forma? Dentro do próprio boxe, não é possível que Jones sem ser atleta, não sirva para nada. Tantos investimentos que poderia ter feito, tantas escolhas erradas… É uma pena ver alguém que já foi o melhor do mundo, que deu tanto orgulho á esta modalidade, nesta situação, por mais que seja, em absoluto, sua culpa.

A carreira desta lenda foi inesquecível. Impossível não mencionar seus feitos perante gente da estirpe de Bernard Hopkins, Antonio Tarver, Felix Trinidad e o próprio James Toney, supracitado. Ainda ousou subir duas divisões de peso para conquistar o sonho do título mundial dos pesados, ao suplantar o chato, porém complicado, John Ruiz. Por fim, foi campeão por 7 vezes em 4 categorias. Não é possível que ainda precise estar ativo, já fez tudo e mais um pouco que poderia.

Logicamente, não adianta apenas discutirmos seus motivos, temos que mostrar os fatos e nossas opiniões sinceras, afinal, é por isso que os senhores leem o Round13. E a opinião daquele garoto que viu um gênio nascer é a mesma do homem que hoje vos escreve: Roy Jones Jr está prestando um desserviço ao boxe e a si mesmo, por favor, meu ídolo, pare!

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