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Publicado em 29 de Setembro de 2015 às 18h:40

Corrida P4P: Quem é o novo "melhor dos melhores"?

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Autor Daniel Leal

O Round13 rankeia os melhores lutadores do mundo, e do Brasil, na atualidade
 

Sim, você pode ser como eu e não acreditar que Floyd “Money” Mayweather saiu de vez do esporte de luvas. Fato é que, toda a vez que um campeão anuncia sua aposentadoria, a praxe nos diz para deixar o título vago – não que as entidades sancionadoras se importem muito com isso, mas nós levamos a sério… Outro fato também é que não existe nenhuma luta “oficial” por tal alcunha, o que complica conceituar isso.

Isto posto, torna-se necessário, portanto, refazer, rediscutir e recondicionar o cenário “pound-for-pound” da nobre arte. Mas, para isso, devemos estabelecer critérios, e para estebelecê-los basta que respondamos uma pergunta: “O que torna um lutador reconhecido como um dos melhores entre todos os pesos?”.

Vejam que na questão existe uma palavra muito capciosa: “Reconhecido”. Esta palavra pode e deve ser a fonte de discórdia entre qualquer pessoa que vá elencar qualquer coisa, em qualquer cenário, sobre todo e qualquer tema, graças a uma outra palavrinha chamada “subjetividade”. No boxe, não seria nada diferente.

De toda forma, sabendo das discórdias que possamos gerar, ou não, como sempre, nós deixaremos o alto do muro para os fracos, e sim, penderemos para um lado.

Adotando critérios como hegemonia, sequência de vitórias, adversários enfrentados, títulos conquistados e, muito importante também, o que este atleta representa, de fato, para o pugilismo mundial hoje, tentaremos rankear os 5 lutadores que, na opinião do Round13, são os melhores, libra-por-libra em nossa modalidade preferida.

 

5- Gennady Golovkin (33-0, 30 ko's)


Imagem: World Boxing News
 

O cazaque, campeão dos médios pela AMB, só não está mais bem colocado em nossa lista por um “pequeno” detalhe: É quase unânime a opinião de que ele tem técnica e pegada o suficiente para derrubar qualquer lutador da nata do boxe mundial, mas isso só deixará de ser uma opinião em si quando ele efetivamente entrar no ringue com alguém neste nível.

“GGG” tem 13 defesas de seu cinturão da Associação Mundial de Boxe, detém o interino do CMB, e ainda tentará unificação do título da FIB com David Lemieux no próximo dia 17 de Outubro. São números impressionantes, que o tornam a referência da categoria, seguido por Miguel Cotto. Porém, ao se olhar o cartel de Golovkin, não há um grande nome de verdade que ele tenha batido. Não que seja sua culpa – ele desafiou até Mayweather – mas é fato que ainda não teve possibilidades de mostrar seu real potencial contra os maiores do pugilismo e, portanto, não podemos julgar o que ainda não aconteceu.
 

4- Andre Ward (28-0, 15 ko's)


Imagem: AFP
 

O norte-americano tem habilidade sobrando para ser o maior de todos nesta lista, resta apenas um “mísero” porém: Quase não luta. É verdade que sua inatividade recente, somando 2 anos e 7 meses ausente dos quadriláteros, deveu-se à questões contratuais, mas os demais lutadores do mundo que brigam para serem reconhecidos dentre os maiores, não têm nada a ver com isso.

À favor de Ward conta não só sua técnica refinadíssima, uma das melhores do esporte atualmente, mas o fato de ter limpado a categoria dos super-médios (em grande parte devido à ter vencido, com sobras o torneio “SuperSix”), derrotando, as vezes com muita facilidade, os principais lutadores desta divisão de peso.
 

3- Manny Pacquiao (57-6-2, 38 ko's)


Imagem: Getty Images
 

O filipino mais conhecido do mundo, até pouco tempo atrás ocuparia a primeira ou segunda posição deste ranking, e qualquer um que discordasse seria linchado. Mas há que se reconhecer que as últimas atuações de Pacquiao foram decepcionantes, em comparação ao lutador incrível que vimos há poucos anos. Das últimas 6 apresentações, Manny perdeu 3, incluindo um nocaute devastador para Juan Manuel Marquez. Teve a chance de ser considerado o número #1 indiscutivelmente, mas foi dominado por Floyd Mayweather Jr. em Maio, se apresentando muito aquém do que os fãs esperavam.

Porém, é tão bom e tem uma carreira tão brilhante que, por mais que tudo isso vá contra ele, continua figurando em qualquer ranking dentre todos os pesos. Resta saber, em 2016, quando retornar após tratar sua lesão no ombro (já curada), se volta a buscar o topo, ou não.
 

2- Roman Gonzalez (43-0, 37 ko's)


Imagem: AFP
 

Tricampeão do mundo em 3 categorias diferentes, ainda assim, até pouco tempo atrás, pouca gente conhecia o nicaraguense que, aos 28 anos apenas, tem mais de 40 contendas no cartel, muitas em nível alto. Agressivo, rápido, técnico, Gonzalez dá gosto de ver atuando, tendo tudo para ser um dos maiores. Mas “Chocolatito” tem uma grande barreira à frente: Seu peso.

É muito complicado para um lutador peso-mosca, como é atualmente, transcender dos eventos menores e das seminifinais dos maiores, aos holofotes e câmeras dos eventos principais das grandes redes de televisão. Prova disso é que, com toda sua carreira vitoriosa, o mais próximo que chegou disso foi ter feito as preliminares da última luta de Gennady Golovkin. Talento e boxe ele tem de sobra, mas não existe trono “pound-for-pound” para quem não vende ingressos e da audiência nos grandes centros do pugilismo, pelo menos não na nossa concepção.

O primeiro passo para deixar esse estigma para trás e ser ainda mais reconhecido, é vencer Brian Viloria, no próximo dia 17 (em mais uma preliminar de "GGG") e reter assim seu cinto do CMB. Não que lhe falte notoriedade da mídia especializada – a “The Ring” o coloca como o #1 em seu ranking – mas falta à “Chocolatito” gerar nos fãs aquela ansiedade para suas lutas, aquelas discussões intermináveis á respeito de seus adversários, sobre seu desempenho, etc. No fim das contas, é isso o que torna reais as receitas astronômicas que um P4P consegue atrair.
 

1- Wladimir Klitschko (64-3, 53 ko's)


Imagem: Patrick B. Kraemer/MAGICPBK
 

O Dr. Steelhammer pode não agradar com seu boxe, pode não ter tido pugilistas de um nível tão elevado assim como seus contemporâneos, mas algo é inegável: O ucraniano é efetivo em cima do quadrilátero e ídolo, fora dele, principalmente na Europa. Isso se comprova no fato de estar na lista da Forbes dos 100 atletas mais bem pagos do mundo, único pugilista constado no compêndio em questão, à exceção de Floyd Mayweather Jr e Manny Pacquiao, primeiro e segundo colocados, respectivamente.

Klitschko não sabe o que é uma derrota desde 2004, quando Lamont Brewster frustrou suas expectativas de retomar o cinturão OMB na categoria. Desde então, venceu 22 contendas, sendo 15 delas por nocaute, 19 valendo cetros mundialistas. Arrebatou na carreira 4 cinturões mundiais, e detém, no momento, quase que a totalidade das cintas da categoria máxima (AMB, OMB e FIB), faltando-lhe apenas o boldrié CMB, pertencente à Deontay Wilder.

É a maior dominância de uma categoria no mainstream do boxe, atualmente. Além de tudo, Wladimir é o segundo boxeador com mais tempo detendo o reinado na divisão máxima de peso em toda a história, atrás apenas de Joe Louis, e o terceiro em número de defesas – 18 no total – perdendo somente para o próprio Louis e para Larry Holmes.

Enfrentou o que tinha de melhor em cima do ringue. Foram 27 lutas por mundiais, perdendo duas vezes somente, 14 perante campeões ou ex-campeões do mundo, tendo obtido 12 vitórias. E uma unanimidade dessas, pautada por tantos números, atrai o público de forma arrebatadora, cedo ou tarde. De um lado ficam os que não querem perder a oportunidade de ver um rei tão dominante em ação, de outro os que querem vê-lo sendo derrotado. Querendo ou não, como aconteceu sempre com Mayweather, o boxe precisa disso: Alguém que atraia olhares, nem que sejam os maus olhares. Não adianta uma carreira perfeita, que seja renegada à preliminares de eventos grandes, e noitadas secundárias das TVs.

Por essas e outras que Wladimir Klitschko pode não ser o P4P que pedimos á Deus, mas é o que tem pra hoje!

 

Como qualquer lista torna-se restritiva, deixo aqui algumas “Menções Honrosas” de caras que poderiam perfeitamente estar aqui, se meus critérios fossem ligeiramente diferentes: Sergey Kovalev (28-0-1, 25 ko's), Guillermo Rigondeaux (15-0, 10 ko's), Bernard Hopkins (55-7-2, 32 ko's) e Miguel Cotto (40-4, 33 ko's).
 

 

E no Brasil?

 

Sim, por que no Brasil não elegemos o melhor lutador libra-por-libra? Por que não fazemos um pequeno ranking, também? Não é um trabalho fácil, mas o Round13 acha que alguém tem que fazê-lo!

 

1- Patrick Teixeira (25-0, 21 ko's)

Número #6 da FIB e #7 da OMB, ex-campeão latino, “juvenil” CMB e AMB Fedecentro, Patrick não só é para nós aquele que tem desempenhado melhor dentre os lutadores brasileiros, é também o mais próximo de um título mundial. E não só por sua posição nos rankings. Teixeira tem sido acompanhado de perto e promovido por Oscar De La Hoya e a Golden Boy Promotions, o que torna tudo mais esperançoso.

Se vencer seu desafio no dia 2 em Los Angeles, aonde será a atração principal da noite, se aproxima ainda mais de uma disputa mundialista tão sonhada por nós brasileiros.

Dono de uma patada de esquerda devastadora, o “magrelo” de Santa Catarina vem fazendo boas apresentações fora e dentro do Brasil, tendo levado sua carreira com disputas gradativamente mais difíceis, como deve ser, e tem potencial de sobra pra fazer estrago por aí.

Se tivéssemos hoje um cinturão “Round13” de P4P brasileiro, seria seu, Patrick.
 

2- Acelino Freitas (40-2, 34 ko's)

O Brasil tem 4 campeões mundiais em sua história pugilística. Quando um deles volta a lutar, dificilmente não poderia ser considerado, automaticamente, um dos melhores em atividade. “Popó” detonou Mateo Veron em Agosto, mas tem um caminho mais longo do que Teixeira pelo mundial. Primeiro que ele mesmo reconhece: Precisa de mais algumas lutas antes de sonhar com isso. Em segundo lugar, Freitas não subia no ringue desde 2012, quando colocou Michael Oliveira para dormir em Punta del Este. Durante esse tempo, Patrick atuou nas mais importantes contendas de sua vida até então. É injusto, portanto, em nosso entendimento, fazermos como fez o CMB em seu ranking mundial, e colocar o tetracampeão à frente da jovem promessa brasileira. Mas como todo grande boxeador que retorna de forma fulminante como fez, merece ser lembrado, e não se engane, está atrás ainda, mas a poucos passos de retornar ao topo desta lista.
 

3-George Arias (56-13, 42 ko's)

Como poderíamos falar do domínio de Klitschko nos pesados, e esquecer de George Arias, no Brasil? O veterano, ex-desafiante ao mundial dos cruzadores, detém o título brasileiro na categoria máxima desde 1998. São “só” 17 anos como campeão nacional. Além disso, com sua técnica defensiva refinada, das melhores na história brasileira, foi digno em todas as vezes que pisou no exterior, arrebatando vitórias inclusive, como a de 2011, contra Lisandro Diaz, por nocaute, em Buenos Aires. Só não fez lutas melhores em nosso solo (como os tão falados desafios contra Raphael Zumbano e Fabio Maldonado) por pura falta de recursos financeiros para a nossa nobre arte.

Arias também deteve os títulos AMB Fedelatin, o Sul-Americano dos pesados além do OMB Latino dos cruzadores. Junto a seu falecido pai, Santo Arias, construiu uma das mais belas trajetórias recentes da nossa nobre arte, e não poderia deixar de ser reconhecido por isto, aqui.
 

Menções honrosas tupiniquins: Esquiva Falcão (11-0, 8 ko's), Yamaguchi Falcão (8-0, 2 ko's), Everton Lopes (4-0, 1 ko's), Marcus Vinícius de Oliveira “Ratinho” (24-2-1, 22 ko's), William “Baby Face” Silva (22-0, 13 ko's) e William “Thompson” Bezerra (41-0, 40 ko's).

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