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Publicado em 16 de Agosto de 2016 às 19h:37

É DO BRASIL! Robson Conceição bate francês e conquista a medalha de ouro!

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Autor Luigi F.


Imagem: Yuri Cortez / AFP

No momento mais importante da história do boxe amador brasileiro, o baiano Robson Conceição venceu o pugilista francês Sofiane Oumiha por decisão unânime, e conquistou a medalha de ouro na categoria até 60 kg. Empurrado pela torcida, Robson fez bonito, entrou para a história e colocou o Brasil no lugar mais alto do pódio nas Olimpíadas numa disputa da nobre arte, fato inédito até então.

Em luta encerrada há poucos instantes no Pavilhão 6 do Riocentro, o lutador natural de Salvador, na Bahia, fez o que havia prometido desde o início dessa empreitada. Lutando com garra e mostrando superioridade diante do adversário francês, Robson boxeou com raça e categoria, sendo merecedor do resultado final.

O combate começou acelerado, diferentemente da maioria dos embates dessas Olimpíadas. Conectando os melhores golpes, Robson parecia ter feito uma leitura perfeita sobre o estilo de seu rival, começando com muita vantagem na primeira metade do round. Na segunda metade, apesar da redução de ritmo, o brasileiro seguiu com clara supremacia.

No segundo, o francês até tentou equilibrar as ações, mas o brasileiro continuou com ampla vantagem. Conectando os golpes em tempo perfeito, Robson seguiu superior.

No último, o francês veio para o tudo ou nada, enquanto o baiano se contentou a administrar a vantagem obtida nos rounds anteriores. A experiência do brasileiro falou mais alto, e, mesmo perdendo o assalto, ele já havia feito o suficiente.

Ao final dos três assaltos, vimos Robson vencendo claramente por 29-28. Dois juízes pontuaram  29-28, enquanto o terceiro viu o brasileiro vencendo todos os assaltos.

Apontado como a principal esperança de medalha do boxe brasileiro nessas Olimpíadas, Robson não só atingiu o que era esperado, como o fez com maestria. A história do pugilismo amador brasileiro, cujos principais destaques até então tinham sido as medalhas de prata de Esquiva Falcão, além dos bronzes de Servílio de Oliveira, Yamaguchi Falcão e Adriana Araujo, engradeceu-se ainda mais. Conceição entra no seleto hall de pugilistas medalhistas olímpicos pela porta da frente, com a única cor de medalha que faltava para a nossa história.

Um resultado de extrema importância para o fomento e a evolução da modalidade em nosso país. Uma nova chance de investimentos, de atenção da grande mídia e de atração de talentos para o esporte que consagrou tantos ídolos em nossa pátria, mas que ainda carece de recursos para que histórias como a ocorrida hoje se repitam com maior recorrência.

Robson Conceição, um dos mais experientes atletas da seleção brasileira e um dos mais talentosos pugilistas amadores de sua geração, sobe ainda mais de patamar. Não que uma derrota hoje à noite fosse capaz de apagar toda a trajetória do lutador baiano até aqui. Mas, certamente, uma medalha de ouro olímpica inédita conquistada em seu país coloca Robson no topo.

Depois de duas decepções em Olimpíadas, quando foi eliminado na primeira fase em Pequim-2008 e Londres-2012, Robson se preparou demais. Fez um ciclo olímpico excelente, conquistando medalhas nos Mundiais de 2013 (prata) e 2015 (bronze), chegando ao Rio no auge de sua forma física, técnica e mental. E foi exatamente isso que pudemos observar em suas quatro lutas feitas nesses Jogos, onde o brasileiro deixou para trás o tajiquistanês Anvar Yunusov, o uzbeque Hurshid Tojibaev, o cubano Lazaro Alvarez e o francês Sofiane Oumiha.

Tendo dado exemplos de raça, humildade e força de vontade, Robson é mais um atleta brasileiro a demonstrar a importância de saber cair e levantar tanto no esporte, como na vida. A persistência e a vontade de vencer mostradas pelo baiano nos últimos anos são a maior prova do quão longe se é possível chegar quando se faz algo com dedicação e esforço máximos.

Os elogios também precisam ser deixados para Sofiane Oumiha. O jovem pugilista francês fez uma excelente competição. Com apenas 21 anos de idade, o boxeador de Toulouse ainda terá diversas oportunidades para crescer e evoluir dentro e fora do quadrilátero de cordas. Mesmo com a derrota na final, Oumiha fica com uma merecida medalha de prata, chegando ao segundo lugar do pódio depois de deixar para trás adversários duros, como Amnat Ruenroeng, Albert Selimov e Otgondalai Dorjnyambuu.

Mas, hoje o dia era do Brasil. O dia era de Robson. Era a hora do baiano brilhar. Era a vez dele entrar para sempre para a história do boxe brasileiro.

Ainda é cedo para dizer o que será do futuro. Antes das Olimpíadas, ele chegou a declarar que pensava em profissionalizar-se. Entretanto, sempre deixou claro que, até agosto, seu foco total seria triunfar nos Jogos. Seu objetivo foi atingido, e certamente diversas oportunidades surgirão, com novas portas se abrindo. Nada mais do que merecido.

Robson consegue o que jamais outro pugilista brasileiro havia conseguido. Palavras para descrever sua façanha são até difíceis num momento tão aguardado e tão especial como esse. A única coisa que resta é comemorar e agradecer ao baiano por nos ter proporcionado algo assim justamente numa edição de Jogos Olímpicos sediada em nosso país. O baiano escolheu o maior evento esportivo realizado no Brasil em todos os tempos como palco para brilhar e coroar todos os anos de dedicação à nobre arte.

Nossos mais sinceros cumprimentos ao Robson, a quem tivemos a honra de entrevistar no início do ano, sua família, seus treinadores e a toda a delegação brasileira. Certamente, essa também é uma vitória de todos aqueles que o ajudaram nessa vitoriosa trajetória. Uma trajetória difícil, com diversos percalços e tropeços ao longo do caminho. Mas também uma história fantástica, que teve escrita hoje a sua página mais importante em letras douradas, e que certamente terá tudo para terminar num livro épico.

Graças a Robson, o canto de “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, entoado a plenos pulmões pela torcida, jamais fez tanto sentido para os fãs brasileiros da nobre arte em Jogos Olímpicos como hoje. É hora de comemorar! Parabéns, Robson!

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