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Publicado em 10 de Fevereiro de 2010 às 01h:00

"Fiquei completamente cego"

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Autor Luigi F.

Arquivo pessoal.
 

Já faz aproximadamente 2 meses desde que o brasileiro Alex de Oliveira (16-1, 12 KOs) perdeu a invencibilidade diante do mexicano Giovanni “Ruso” Caro (14-8-4, 12 KOs), após sofrer nocaute no 1º assalto. O revés do mais promissor pugilista nacional dos últimos anos foi um dos episódios mais tristes do ano passado para os fãs brasileiros da nobre arte, um duro golpe para as pessoas que seguem o esporte num país onde o boxe não tem o devido reconhecimento.

A notícia repercutiu bastante em nosso site, todos deram seus palpites sobre os motivos que levaram Alex a perder. Porém, desde então, o pugilista não mais falou à mídia sobre o assunto.

Depois de um tempo longe dos ringues, o lutador rompe o silêncio em mais uma entrevista exclusiva ao Round 13. “Quando chegou na hora (da luta), tudo que eu havia feito não valeu muita coisa, tudo foi substituído pela vontade de ganhar, não sei o que aconteceu, fiquei um pouco cego. Aliás, um pouco não, fiquei completamente cego”, explicou.

Alex falou conosco sobre a tão comentada derrota no exterior, o tempo que tirou para descansar a mente e o corpo após o embate no México, e seus planos para o futuro. Confiram!

Round 13: Alex, você vinha sendo apontado como o maior nome do boxe brasileiro em atividade já há algum tempo quando, em dezembro, na sua estreia fora do país, você foi surpreendido pelo mexicano Giovanni Caro e acabou derrotado. Primeiramente, o que você tem a dizer sobre tudo isso? Qual a sua versão da história?
Alex de Oliveira: Eu não tenho versão alguma, pois o que aconteceu é um fato. Cometi erros que eu não poderia cometer, então a história é uma só e não há o que contestar. A derrota foi uma consequência de uma sucessão de erros que eu não poderia ter cometido em cima do ringue.

R13: Após sua derrota, diversas pessoas apontaram várias razões para que você não voltasse para o Brasil com a vitória. Em sua opinião, o que de fato faltou para que essa luta pudesse ter sido diferente?
Alex: Dentre muitas outras coisas, posso destacar minha imprudência diante de meu adversário e a minha impaciência. Eu tinha 12 rounds pra trabalhar a luta, mas quis definir tudo no começo. Enfim, há uma série de erros que eu cometi, eu parecia um iniciante lutando, coisa que não sou. Não usei nem minha experiência, nem minha preparação para que pudesse superar o Caro. Isso foi crucial na luta, e devido a todos esses motivos expostos, ocorreu aquela fatalidade.

R13: Na entrevista que você concedeu ao Round 13 em 2008, você disse que os brasileiros, em geral, não têm uma estratégia quando sobem ao ringue. Faltou isso para você contra o Caro?
Alex: Com certeza. Isso também influenciou bastante no resultado, treinei focado, me preparei muito bem, pois sabia que era muito importante uma vitória em território internacional. Quando chegou na hora, tudo que eu havia feito não valeu muita coisa, tudo foi substituído pela vontade de ganhar, não sei o que aconteceu, fiquei um pouco cego. Aliás, um pouco não, fiquei completamente cego.

R13: A repercussão de sua derrota foi uma das maiores da história de nosso site. Como você recebeu as críticas que foram feitas?
Alex: As críticas são sempre boas, independente do seu conteúdo. Como a derrota foi um baque muito forte para mim, naquele momento fiquei chateado e irritado com muitas coisas que eu li, mas tudo isto já passou e foi superado. Na minha opinião, no mundo não há lugar para as pessoas que não conseguem superar o sentimento da derrota.

R13: Se você pudesse mudar alguma coisa do que já fez com relação a sua carreira, mudaria algo?
Alex: Não, apenas gostaria de ser um lutador mais frio. Foi uma derrota, mas isto não apaga todo meu histórico de lutador e de superação que me acompanhou em toda minha carreira. Estou vendo esta derrota como algo bom que aconteceu para eu rever meus conceitos lá em cima do ringue.

R13: Depois da luta, você resolveu tirar um tempo para si próprio, retornando aos treinamentos somente agora. Quanto isso foi importante para você?
Alex: Ah, foi muito importante sim. Em nove anos de lutador, nunca tinha ficado mais de 15 dias sem treinar boxe. Agora fiquei 1 mês e meio. Não cheguei a ficar completamente parado, estava fazendo treinos de musculação e correndo, pois nós que somos atletas não conseguimos ficar em casa parados. Foi muito bom esfriar minha cabeça e me preparar para o futuro. Independente de como ele for desenhado, vou estar preparado para qualquer adversidade que venha a acontecer na minha carreira, pois eu não estava preparado para esta derrota, e aprendi muito com tudo que ocorreu.

R13: Como está a sua vida agora? Continua estudando? Conte um pouco sobre sua rotina para aqueles que não te conhecem tanto.
Alex: Sim, continuo estudando lá na faculdade. No meu tempo livre, gosto de ir à casa dos meus tios, à casa de minha mãe brincar de dominó e xadrez, sou membro da primeira Igreja Batista da Vila Maria, mantenho minha rotina. Minha vida continuará da mesma forma que antes, só que agora mais consciente das coisas.

R13: A partir de agora, quais os passos que você pretende dar? Vai ter mudanças na sua preparação?
Alex: Olha, a preparação vai continuar basicamente a mesma, com o Anderson Nogueira. Só haverá uma mudança no horário dos treinamentos, antes eu treinava a parte técnica pela manhã, agora será à tarde.

R13: Pretende mudar de categoria ou se manterá como super-galo?
Alex: Isso depende muito, por enquanto vou continuar na minha atual categoria, mas tudo dependerá de futuras negociações.

R13: No seu contrato com a Banner Promotions existia alguma cláusula que possa te manter “na geladeira” por alguns meses por ter perdido? O contrato continua? Você tem conversado com o Art Pelullo?
Alex: Na geladeira não, mas existe uma cláusula que, em caso de derrota, o contrato pode ser rescindido. Mas os meus gerenciadores vêm mantendo contato com o Art, sobre novas propostas de luta.

R13: Quando devemos ver você lutando novamente? Existe alguma negociação nesse sentido?
Alex: Até o momento está tudo sendo conversado, não há nada concreto ainda. Me passaram algumas coisas, mas nada definitivo. Por enquanto não posso revelar nada, por não estar tudo certo, mas assim que tiver algo fechado, você será o primeiro a saber.

R13: O que você ainda espera conseguir para esse ano?
Alex: Toda minha carreira foi feita visando ao título do mundo, e irei continuar seguindo este norte em minha vida. Este ano quero me reerguer e voltar com tudo para buscar a coroa mundial.

R13: Como você avalia, após a sua derrota, a real situação do boxe brasileiro?
Alex: O boxe brasileiro é muito carente, não de atletas, mas sim de investimentos que possam levantar nossa modalidade. Os empresários investem em tudo, menos boxe. Com as minhas vitórias, nada nunca mudou, então não acho que com a minha derrota algo vá ser diferente.

R13: Algum recado para os fãs?
Alex: Para aqueles que ainda estão na torcida por mim, agradeço o carinho e peço que continuem orando para que tudo dê certo. Uma vez falei que só saio do ringue nocauteado ou espancado, porque eu nunca desistirei dos meus sonhos, e se por acaso ocorrerem decepções, era porque não era para ser. Mas podem ter certeza que sempre darei o melhor de mim enquanto estiver lutando. Um abraço a todos e fiquem com Deus.

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