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Publicado em 11 de Setembro de 2017 às 17h:46

Galdino vs. Braz: Um clássico que não pode ser esquecido!

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Autor Daniel Leal

Faz pouco mais de uma semana que Emerson “Chumbo” Braz e Paulo Galdino protagonizaram uma luta excepcional no Ginásio Rebouças, em Santos, a qual tivemos a honra de transmitir. O combate rivaliza com Paulo Soares vs. Daniel Araújo como o melhor do ano, e um dos melhores de todos os tempos, no Brasil. (Imagem: Ivan Storti/Memorial)

Paulo Galdino (3-1, 2 ko's) parecia que não teria muitos problemas para lidar com Emerson “Chumbo” Braz (4-2-1, 4 ko's) ao final do primeiro round da contenda entre ambos, realizada nas preliminares do evento ocorrido no dia 1º de Setembro, em Santos, litoral de São Paulo. Somente parecia.

Chumbo, catarinense de apenas 20 anos de idade, ouvira uma contagem ao ser derrubado no giro inicial, no entanto, soube adaptar-se ao oponente paulistano, cinco anos mais velho. Com seu movimento de tronco e maior envergadura, passou a equilibrar as ações e duelar, golpe a golpe, pela liderança do confronto. A mudança parece ter sido uma orientação do legendário ex-boxeador guarujaense, Edson “Xuxa” do Nascimento, seu atual treinador.

A torcida já gostava do que via antes mesmo do início do quinto assalto. Ah, o quinto assalto! E que quinto assalto!

Galdino dava mostras de cansaço na entrada daquele que pactuara-se como o penúltimo período da disputa ocorrida nos meio-médios (até 66,7 kg). E Braz sabia disso. Foi pra cima com tudo o que tinha, pois, já faziam dois combates que não tinha seu braço erguido ao soar final do gongo. Era matar, ou morrer, para Emerson. E ele entrou para dar cabo da primeira opção.

O árbitro central, José Borges, esteve próximo de encerrar a disputa quando Paulo, encurralado no córner neutro, não conseguia revidar, nem defender-se. Uma passada lateral, ainda nas cordas, fez com que o final se postergasse. Como dito, o pugilista de Santa Catarina havia entrado para entregar tudo o que possuía. E naquele momento, seu gás acabara. Por um segundo isso foi perceptível da cabine de transmissão aonde me encontrava. E foi neste segundo que os socos de Galdino passaram a entrar, como que num renascimento após a certeza de um óbito.

O público já gritava loucamente, num frenesí que poucas vezes testemunhei em um ginásio. Já não havia mais técnica, era só raça e coração. Com gritos ensandecidos ao fundo, o atleta de São Paulo fizera Braz sentir seus punches. Dessa vez Borges não pôde exitar: Paralisou a luta. Ele e Emerson caíram juntos na lona, demonstrando a correção em suas decisões, enquanto Paulo Galdino corria para o canto oposto àquele em que ficara preso anteriormente. Ali ele apoiou seus pés nas cordas para comemorar. Pouco depois correu para abraçar o cubano Paco Garcia e Felipe Moledas, seus segundos, durante um interminável cumprimento que demonstrou que, mesmo para estas outras duas pessoas com tanta cancha na nobre arte, ainda era espantoso o resultado e tudo o que havia ocorrido sobre o tablado.

A plateia aplaudia de pé os dois lutadores. Ivan Storti, fotógrafo renomado na baixada santista, que sempre nos ladeia em nossas transmissões, estava eufórico. “Eu nunca vi uma luta que nem essa. Nem na do Popó, em nenhum outro evento”, disse, enquanto deixava de lado seu instrumento de trabalho para bater palmas.

Eu, por sorte, já havia visto algo parecido, in loco. Em Janeiro, durante o primeiro BoxingForYou. Paulo Soares e Daniel “Eddie Murphy” Araújo, durante oito rodadas, foram a lona, levantaram-se, e apaixonaram o Hotel Golden Park, levando a loucura cada um dos espectadores presentes. Araújo já havia protagonizado o imbróglio do ano em 2016, contra Benedito Neto. Estava certo de que fizera novamente, naquela noite, em Sorocaba, dessa vez, junto à Soares. Agora não estou mais.

Galdino vs. Braz, assim como Soares vs. Araújo, já é um clássico do boxe nacional e por isso não podemos, de maneira alguma, deixar que caia no esquecimento. Ainda não decidi qual dentre as duas foi melhor e, portanto, será premiada como “A Luta do Ano”, em 2017. Esta é uma decisão que deixo para depois. Fato é que, ainda que ambos os “Paulos” tenham sido apontados como os vencedores destes embates, quem realmente venceu foram os fãs do esporte de luvas, nas duas ocasiões.

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