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Publicado em 23 de Junho de 2016 às 19h:45

Golovkin e Canelo lutarão mesmo em 2017?

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Autor Daniel Leal


Em manobra promocional “rasa”, promotores dos pugilistas visam impulsionar o valor de mercado de GGG e adaptar seu rival mexicano aos pesos-médios durante esse intervalo de tempo, mas isso pode significar o fim da maior luta do boxe na atualidade, antes mesmo do soar do gongo inicial…
 (Imagem: The Fight City)

Já era esperado. A Golden Boy Promotions já havia sugerido isso e a entrega do título mundial do CMB de Saul “Canelo” Alvarez diretamente para as mãos de Gennady “GGG” Golovkin trazia a maior pista a respeito: Sim, conforme confirmado nas redes sociais de ambas as partes, eles deixarão “o bolo crescer, antes de fatiar”, ou seja, aguardarão tornar-se tão insuportavelmente sem saída, que um enfrentamento entre o cazaque e o mexicano seja, promocionalmente inevitável e, por conseguinte, absurdamente lucrativo.

Espelhando-se em sua maior frustração na carreira de promotor, Oscar De La Hoya, sem dúvida alguma, mirou-se no evento que colocou Manny Pacquiao e Floyd Mayweather Jr. para pelejarem no que consiste toda a expectativa gerada durante anos, culminando em absurdas quantias de dinheiro. O “Menino de Ouro” – que negociou em nome de Mayweather anos antes, não conseguiu fazer o combate sair do papel e, no fim das contas, ficou sem ver um centavo dos bilhões gerados pela programação – chegou a uma conclusão bastante lógica em relação a isso, e, sem dúvida, faz certo sentido. Só esqueceu-se de uma coisa: O Boxe pode valer-se dos números, mas não é uma ciência exata. Explico mais à frente...

A ideia é, tal qual “MayVsPac”, que o tempo faça a contenda entre GGG e Canelo tornar-se maior. Como bem colocam Robert Greenr e Joost Elffers em sua obra literária “As 48 Leis do Poder”, o tempo tem um potencial de aumentar a reputação de certas coisas e DLH está seguindo esta regra à risca. Aconteceu com “A Luta do Século”, e é o que se espera desta. Ocorre que, os seis anos que separaram “Money” e “Pacman” de pisarem no mesmo tablado foram recheados de causalidades, não tendo sido esta distância, necessariamente, proposital e, sim, uma grata consequência que encheu os bolsos de muita gente.

Em um outro contraponto, Alvarez deverá baixar novamente aos médio-ligeiros, podendo, no dia 17 de Setembro, encontrar-se com Liam Smith, campeão deste peso pela OMB, em Las Vegas. Á partir daí deverá fazer trabalho físico para transformar-se em um “médio real”, atingindo os 72,5 kg, combatendo mais uma, ou duas, vezes neste meio tempo. Enquanto isso, Gennady também atuará, muito possivelmente no mesmo mês, defendendo seus cinturões perante Chris Eubank Jr., se este vencer seu compromisso do próximo sábado. As demais disputas que, por ventura, o cazaque esteja envolvido, servirão apenas parar aumentar sua reputação nos EUA, tornando-o um produto mais vendável. Deve culminar, inclusive, em um imbróglio contra Billy Joe Saunders, válido pelo último boldrié que resta para Golovkin capturar, no que se tornaria um grande trunfo, também. O desfecho seria o tão aguardado encontro acontecendo no segundo semestre de 2017.

Tudo muito bonito, bastante bem-feito, belamente planejado, mas, como supracitado, o pugilismo não é uma conta de soma “zero”. “GGG Vs. Canelo” é a maior batalha da nobre arte HOJE, não necessitando de forçados adiamentos para que assim seja. O mundo gira muito mais rápido em 2016, e o boxe sempre teve das suas. Basta um escorregão e a corrida estará comprometida.

O rei das 160 libras pode muito bem perder todos os seus cinturões no meio do caminho, e Saul tem toda possibilidade do mundo de também ser surpreendido, como foi Pacquiao antes de enfrentar Floyd, alongando ainda mais o tempo necessário para dividirem o quadrilátero. O timing porém toma forma bastante distinta nesse caso. Uma pelos 34 anos já completos do atleta do Cazaquistão, e outra pela simples diferença de que GGG não é Manny, e Canelo está bem atrás de Mayweather. O americano e o filipino já eram lendas quando tudo aconteceu, bastante diferente dos dois protagonistas deste texto, que ainda buscam sua afirmação.

O certo seria agora ou nunca, pois, se deixar cozinhar até o ano que vem, existe um sério risco de passar do ponto. Ao “segurar a venda”, Oscar De La Hoya e Tom Loeffer, representante de Golovkin, podem estar engordando ainda mais suas contas-correntes, mas correm sério risco de deixarem dinheiro na mesa...

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