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Publicado em 10 de Julho de 2016 às 13h:26

Golovkin “dá uma de Canelo” e escolhe Kell Brook como oponente

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Autor Daniel Leal


Combate ocorrerá no dia 10 de Setembro envolto em questões polêmicas a respeito do campeão indiscutível dos médios. Afinal, com desafios de Erislandy Lara, Danny Jacobs e combates maiores subindo de peso, não estaria GGG resguardando-se demais ao enfrentar um detentor de título duas categorias mais leve?
(Imagem: Divulgação)

A confirmação de que Gennady “Triple G” Golovkin (35-0, 32 ko's), campeão CMB/AMB e FIB dos médios, escolheu o monarca dos meio-médios pela Federação Internacional de Boxe, Kell Brook (36-0, 25 ko's), como seu próximo contendor, pegou muita gente desprevenida, inclusive este que vos escreve, confesso!

Cultuado como o homem mais evitado sobre os ringues atualmente, Golovkin voará até Londres, casa do adversário, para encontrá-lo na O2 Arena, mesmo palco aonde seria seu entrevero com Chris Eubank Jr., que exigiu demais para aceitar esta contenda (muito mais do que tem cacife para). Fato é que, por mais lucrativo que talvez seja o embate com Brook, esperava-se mais de alguém que tem uma aura de ser evitado, e não de evitar pelejas.

Inevitavelmente surgiram comparações com a última defesa de cinturão de Saul “Canelo” Alvarez, que manteve a cinta do Conselho nos 72,575 kg diante de Amir Khan, também um combatente natural de duas divisões abaixo. Evidente que Kell é fisicamente mais forte do que Khan, está invicto, é um campeão atualmente e não tem um queixo tão questionável. Mas, ainda assim, fica a dúvida na cabeça dos fãs: Com Erislandy Lara, que detém a cinta da Associação Mundial de apenas uma categoria inferior, lançando-lhe desafios, com Danny Jacobs disponível para o confronto e com negociações podendo ser abertas para uma subida esporádica de categoria diante de desafios mais complexos, estaria GGG escolhendo o caminho mais garantido?

Sabe-se que há um acordo para que Gennady enfrente “Canelo” no ano que vem e que vitórias, teoricamente, impressionantes do cazaque só aumentarão sua bolsa para o compromisso diante do mexicano, que, por sua vez, procura tornar-se um “médio natural”. Ambos devem apresentar-se duas vezes antes de acabarem com a enrolação promocional e se encontrarem. Nesse ponto pode ficar bastante clara a razão pela escolha de Brook.

Veja bem, o inglês é um desafio respeitável, porém, há nítida vantagem técnica e física para “Triple G”. Sem acordo com Eubank Jr., um pagamento similar o aguardava no Reino Unido apenas se aceitasse este confronto. São os negócios do boxe. A consequência deste ato, no entanto, talvez seja a quebra de sua aura de “lutador à moda antiga” junto aos aficcionados, que tinham nele a imagem daquele atleta sem medo de assumir riscos. Este pessoal, agora, terá que lidar com o fato de que até mesmo o boxeador considerado mais ousado na atualidade quer garantir sua conta bancária mais recheada no final do dia – e ele não está errado quanto a isso.

Ainda assim, pessoalmente, penso que possa ter sido um erro esta escolha, promocionalmente falando. Se a intenção era aumentar o “hype” em cima de Golovkin, o tiro pode sair pela culatra neste caso. Resta esperar para ver...

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