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Publicado em 31 de Maio de 2016 às 21h:09

Há 50 anos, Harada vencia Eder Jofre pela segunda vez

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Autor Luigi F.


Imagens: Boxing.com

Pouco mais de um ano após perder a invencibilidade e os títulos mundiais para o japonês Masahiko “Fighting” Harada, Eder Jofre retornaria ao Japão para tentar reaver seus boldriés e vingar a sua derrota. E, há exatos 50 anos, infelizmente o brasileiro acabaria sofrendo outra derrota do pugilista nipônico.

O primeiro embate entre Jofre e Harada ocorreu em 18 de maio de 1965. À época, o boxeador paulistano era considerado como um dos melhores pugilistas entre todos os pesos ao redor do globo, e detinha os cinturões de campeão mundial dos galos pelo CMB e pela AMB. Invicto em 50 lutas como profissional, o “Galo de Ouro” vinha de uma série impressionante de 17 vitórias pela via rápida, sendo 9 delas em disputas de título mundiais, incluindo o sucesso sobre Eloy Sanchez, que marcou a primeira conquista de um cinturão de tamanha importância para o boxe brasileiro.

Já Harada possuía no currículo a conquista do título mundial dos moscas em 1962, e tinha até aquele momento um cartel de 38 vitórias e 3 derrotas. Seus revezes haviam ocorrido contra o mexicano Edmundo Esparza, contra o tailandês Pone Kingpetch e contra Joe Medel, o mesmo que em 1960 fora nocauteado por Eder numa das maiores lutas de todos os tempos na categoria dos galos, em eliminatória pelo cinturão mundial.

Em combate realizado na cidade japonesa de Nagoya, Jofre acabou derrotado por decisão dividida que foi amplamente questionada na época. Após voltar ao Brasil, ele faria mais uma luta preparatória para a revanche, e empataria diante de Manny Elias. Nesse intervalo, Harada subiria três vezes ao quadrilátero de cordas, obtendo três sucessos.

E no dia 31 de maio de 1966, uma terça-feira, eles voltariam a se enfrentar, dessa vez em Tóquio, no Japão. E diante de um público estimado de cerca de 15 mil pessoas, Harada conseguiu suplantar, na visão dos juízes, mais uma vez o pugilista do Brasil. Dessa vez, o veredicto apontou para uma decisão unânime a favor do lutador local, que manteve seus cinturões e impôs e segunda e última derrota da carreira profissional de Eder Jofre.


Rivais na época de profissionalismo, Harada e Jofre se encontraram na década de 90. Imagem: Folhapress.

Nas diversas vezes que já vi Eder falando sobre a luta, ele se queixou, principalmente na segunda luta, do anti-jogo que o boxeador japonês utilizou, como cotoveladas e cabeçadas, que só não resultaram numa dedução de pontos, pelo fato de Harada lutar em seu quintal. Além disso, questões relacionadas ao fuso-horário e à alimentação também pesaram para que Jofre fosse derrotado, isso sem contar a questão do limite de peso da categoria galo, que já há algum tempo o incomodava.

Na opinião deste que vos escreve, Eder venceu, por pouco, o primeiro duelo, enquanto Harada venceu, também por margem pequena, o segundo. Entretanto, como já comentado no especial que fizemos recapitulando os principais momentos da carreira de Jofre, muito provavelmente o brasileiro teria mantido a invencibilidade e os cinturões caso as lutas com o nipônico tivessem acontecido no Brasil. Sem influência de árbitros caseiros, muito dificilmente Masahiko teria saído com a vitória nos dois confrontos.

Ao retornar ao Brasil, aos 30 anos de idade, Eder se aposentaria pela primeira vez. Ele retornaria três anos depois, dessa vez lutando entre os penas, onde trilharia um novo caminho rumo a mais um título mundial, conquistado em 1973 diante de Jose Legra. Jofre se aposentaria derradeiramente em 1976, aos 40 anos de idade.

Harada, por sua vez, defenderia seus títulos mais duas vezes após vencer Eder pela segunda vez. Ele derrotou Joe Medel e Bernardo Caraballo, ambos oponentes que já haviam perdido para o brasileiro no passado. Em 1968, foi destronado pelo australiano Lionel Rose. No ano seguinte, o japonês tentaria se sagrar campeão entre os penas, contra o francês radicado na Austrália Johnny “Fammo” Famechon. Ao lutar na casa do rival, Harada provaria do próprio veneno, e acabaria perdendo numa polêmica decisão por pontos, mesmo após impor três knockdowns ao boxeador local. Em 1970, ele tentaria a revanche contra Famechon, mas dessa vez acabaria perdendo por nocaute, nesta que seria sua última luta.

Eder Jofre, o maior nome do boxe brasileiro na história, completou 80 anos em março deste ano. Para relembrar o Especial que fizemos em homenagem à data comemorativa, basta clicar aqui. Para quem quiser assistir à revanche entre Harada e Eder, basta acessar o vídeo abaixo.

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