Artigos

Publicado em 02 de Maio de 2016 às 13h:27

Há um ano, Mayweather e Pacquiao faziam a “Luta do Século”, em Las Vegas. E tudo graças a uma tempestade...

Foto do autor

Autor Daniel Leal


Em meio à polêmicas e cifras multimilionárias, #MayPac foi o maior evento pugilístico de todos os tempos em magnitude promocional, apesar de ter decepcionado os que se iludiram pensando que veriam uma batalha no ringue. O combate também foi um marco nas negociações do mundo do boxe, uma vez que os dois atletas deixaram os figurões de lado e também tornaram-se protagonistas. Isso tudo graças a uma ação da natureza que fez um voo ser cancelado.
Imagem (Divulgação)

Dia dois de Maio de 2015. Após seis longos anos de espera e troca de acusações, Floyd Mayweather Jr, então invicto em 47 lutas, e Manny Pacquiao, senador filipino e multicampeão mundial em diversas categorias, finalmente adentrariam ao ringue do MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, Nevada, para protagonizarem a “Luta do Século”.

Mas, tudo começou em 2009. Os rumores foram crescendo, principalmente após as vitórias de Pacquiao sobre Oscar De La Hoya e Rick Hatton, oponentes à quem Floyd havia batido dois anos antes, porém de forma menos contundente. Retirado temporariamente do esporte, Mayweather observava, pela primeira vez, alguém tomando seu reinado “libra-por-libra” no boxe mundial. As pessoas passaram a idolatrar o filipino que havia subido 3 categorias em pouco mais de um ano e ainda assim obtinha vitórias arrasadoras.

O ex-monarca então, resolveu voltar. Pacquiao havia feito De La Hoya desisitir da luta, e nocauteado Hatton oito rounds mais rápido. Qual melhor forma de rivalizar com estes resultados do que retornando da inatividade batendo alguém contra quem Manny jamais havia tido vida fácil? Em Setembro daquele mesmo ano, “Money” encarava Juan Manuel Marquez, vencendo-o numa humilhante decisão por pontos. Marquez, um dos melhores pugilistas de sua época, havia perdido decisão dividida altamente contestável para o filipino 18 meses antes, e nesse ínterim nocauteara Joel Casamayor e Juan Diaz. O mexicano era, portanto, um dos melhores lutadores dentre todas as categorias. O fato de não ter achado o americano no ringue e ter acertado uma porcentagem ínfima de golpes, além de ter sofrido um knockdown no segundo assalto, tornaram a marcação dos juízes em favor de Mayweather limpidamente contrastante com as dúvidas na cabeça dos fãs. Se Floyd não teve problema algum para lidar com Juan, será que Manny seria tão bom assim? Seria Pacquiao o homem que poderia bater o invicto e arrogante boxeador, outrora considerado o melhor de todos em atividade?

A ESPN norte-americana chegou a anunciar que o confronto aconteceria no início de 2010, depois do astro das Filipinas ter lidado com Miguel Cotto, bem a seu jeito. Um contrato contendo oito páginas havia sido preparado pela Top Rank e pela Golden Boy Promotions (que tinha acertado com a Mayweather Promotions ficar á frente das negociações, representando Floyd). Neste acordo constavam todos os detalhes, desde a escolha dos vestiários até a ordem de anúncio dos nomes. A bolsa seria dividida em duas partes iguais (50-50). Pacquiao recusou. O motivo? Os exames antidoping.

Na época, se colocava em dúvida como Manny havia subido tantas divisões de peso, tão rápido e tão bem. Mayweather exigia testes no modelo olímpico. Para isso, sangue poderia ser recolhido à qualquer momento pelos fiscais, inclusive 24 horas antes da noite do evento. Primeiro, o filipino alegou ter medo de agulhas, uma desculpa esfarrapada que inclusive já abordamos por aqui. Depois, disse que havia experimentado ter seu sangue colhido no dia anterior a um combate e isso o havia prejudicado diante de Erik Morales, portanto, não concordava. Pela primeira vez, tudo ia pelo ralo.

Indas e vindas, processos na justiça por calúnia e difamação, e muitas hipóteses pairavam, até 2012, quando as conversas reacenderam. Floyd resolveu ligar diretamente para seu então possível adversário, para acertarem tudo. Dessa vez, porém, o norte-americano quem se retirou das tratativas. Mayweather oferecera 40 milhões de dólares, sem participação no pay-per-view, para Pacquiao, que retrucou dizendo que concordava com todas as condições impostas anteriormente, inclusive o formato do antidoping, menos com o pagamento. Ele queria os mesmos 50% dos rendimentos que outrora haviam sido acertados. “Money” declarou que isso era impossível. “Você vai lutar com Floyd Mayweather, você não vai ganhar 50%”- disse, à época. O curioso é que ambos haviam concordado, e depois discordado, ou vice-versa, do mesmo contrato, só que com 3 anos de diferença…

Fato é que 2012 acabou sendo péssimo na carreira de Pacquiao. Tendo sido batido, de forma totalmente absurda, por Timothy Bradley nos pontos, em Junho, Manny resolveu fazer a 4ª luta diante de seu nêmesis, Juan Manuel Marquez. Como todos sabem, o filipino sofreu o nocaute do ano durante o sexto giro. Alí, toda e qualquer chance de combater Mayweather, ia pelo ralo.

O “Pac-Man” teve de se reconstruir, se reafirmar. Nos dois anos seguintes fez apenas 3 apresentações. Venceu Brandon Rios, vingou-se de Tim Bradley, e tirou a invencibilidade de Chris Algieri. Nesse mesmo intervalo de tempo, Floyd havia somado êxitos sobre Robert Guerrero, dado show diante do então invicto Saul “Canelo” Alvarez, e resolvido seu imbróglio diante de Marcus Maidana, após duas vitórias seguidas.

O voo cancelado que tornou tudo possível


Manny e Floyd sorriem ao verem a especulação de seu confronto no placar da American Airlines Arena (Imagem: Sports.eu)

Era 27 de Janeiro de 2015, o Miami Heat encarava o Milwaukee Bucks, pela NBA, dentro de casa. Quem já foi à Miami sabe que o ginásio fica próximo ao aeroporto MIA (algo em torno de 20 minutos de carro), bem como muitos dos melhores hotéis da cidade que estão em Downtown, não em Miami Beach. Isso seria só um detalhe conveniente, não fosse algo fundamental para esta história. Dois dias antes, Manny Pacquiao serviria de juiz para um concurso de beleza naquela cidade da Flórida e partiria antes do jogo ocorrer. O mal tempo fez seu voo ser cancelado, e então o filipino, grande fã de basquete, aproveitou a estadia para ir à partida.

Floyd Mayweather Jr. concentra seu reino de ostentação entre duas cidades estadunidenses: Las Vegas, claro, e Miami, especificamente em Sunny Isles. Lá ele possui uma cobertura avaliada em mais de 7 milhões de reais numa área condominial denominada “Saint Tropez”. Estando em seu apartamento, sem dúvida iria ao American Airlines Stadium prestigiar a equipe local.

O jogo estava parado quando a equipe de entretenimento, tendo avistado ambos nos assentos ao lado da quadra, colocou Manny e Floyd na tela do placar com a seguinte questão entre ambos “Coming in 2015?”(“Em breve em 2015?”, em tradução livre). Isso arrancou gritos do público e sorrisos dos dois atletas, que, se ainda não tinham se visto, agora estava explícito que, pela primeira vez, poderiam se conhecer, de fato, pessoalmente.

Não demorou muito para que se encontrassem durante o intervalo. Em uma conversa rápida, trocaram telefones. A reação da plateia à brincadeira no placar estava clara: Todos queriam ver esta luta. Mais tarde, após a partida, Mayweather foi ao hotel de Manny, próximo ao MIA, aonde pôde conversar com ele e seu manager, Michael Koncz. “Uma vez que conhecemos Floyd, tudo mudou completamente. Nós soubemos que ele estava falando sério naquele momento e ele queria fazer aquilo dar certo”, declarou Koncz a respeito do encontro. Cerca de 20 dias depois, em Fevereiro, “Money” anunciava o confronto tão aguardado, para Maio, através de seu Twitter. Pela primeira vez, explicitamente, a vontade dos donos do show – os pugilistas – é quem fez um evento sair do papel, um marco absoluto para a história do esporte. Sem intermediários, finalmente, #MayPac poderia virar uma hashtag nas redes sociais.


Pacquiao e Mayweather trocam telefones no intervalo do jogo. (Imagem:Cleveland.com)

A vitória de Mayweather

Na noite da luta, estava acompanhado do meu pai, quem me introduziu na esfera do pugliato. Além disso tinha a companhia virtual de dois ilustres amigos, via Whatsapp. Eram eles Denis Nietto e Luigi, exatamente a equipe deste site. Nós havíamos formado um grupo e nos reaproximado após alguns anos, graças ao tão aguardado evento (o que culminou em nosso retorno, mas esta é outra história).

Eu estava nervoso, e não sabia o porquê. No fundo, creio que fosse uma mistura de ansiedade para ver aquilo realmente acontecer após tanta espera, um desejo de que fosse bom, e um medo de que algo desse errado com tanta gente de fora do meio assistindo o boxe. Quando o Canal Combate entrou no ar com as preliminares, um alívio ligeiro começou a me atingir. Poderia reclamar dos R$ 80,00 gastos para comprar o payperview, mas, no fundo, estava grato de não ter que caçar uma transmissão pela internet para poder ver a contenda.

Os pugilistas foram anunciados, tanto por Michael Buffer, quanto por Jimmy Lennon Jr., que se revezaram em seus bordões corriqueiros pois a transmissão fora dividida entre a SHOWTIME, que tinha contrato de exclusividade com Floyd Mayweather Jr. e a HBO, cujo acordo era com Manny Pacquiao. Foi apenas a segunda oportunidade em que as duas emissoras rivais nas transmissões do boxe fizeram uma joint-venture para tornar uma batalha possível. A primeira vez foi em 2002, quando Lennox Lewis e Mike Tyson dividiram o tablado.

A concessão por parte das transmissoras explicitava o óbvio ululante: Ninguém queria estar de fora! Pudera, os números consolidados deste evento deixam qualquer um de queixo caído:

- Os 16,219 ingressos vendidos no MGM, além de lotarem a arena por completo, renderam mais de 72 milhões de dólares em receita;

- Mais de 1,4 bilhões de reais foram gerados com venda de PPV nos EUA, correspondentes a 4,4 milhões de pacotes vendidos ante à 2,48 milhões do recorde anterior, que pertencia à contenda entre Oscar De La Hoya e o próprio Mayweather, em 2007;

- A marca de cervejas “Tecate” pagou quase R$ 20.000.000,00 para ser a principal patrocinadora da programação que arrecadou quase R$ 50.000.000,00 em patrocínios;

- Mais de 5 mil bares e restaurantes venderam tickets de transmissão fechada, o que gerou 19 milhões de dólares;

- 46.000 pessoas não conseguiram ingressos e acabaram assistindo no circuito de transmissão do MGM Grand ao custo de US$ 150,00 cada, arrecadando quase 22 milhões de reais;

- 10.000 pessoas pagaram US$ 10,00 para assistirem à pesagem, gerando cerca de 350 mil reais em dinheiro para ser dividido entre duas entidades assistencialistas escolhidas pelos pugilistas;

- Estima-se que Mayweather levou US$ 300 milhões de bolsa, contra US$ 180 milhões para Pacquiao;

Esses números só traduzem o que foi a expectativa enorme para este encontro. Quase seis anos estavam materializandoo-se no tão aguardado imbróglio. Faltava o gongo soar, e ele soou..

Assisti atentamente desde o primeiro segundo. Sentia que algumas vezes prendia a respiração, sem pensar, como se isso aumentasse minha concentração naquele momento.

No fim do primeiro round, lembro de ter comentado com meus colegas de Round13 duas coisas: Mayweather estava ficando no centro do ringue mais do que o normal, e Pacquiao parecia não ter acertado nenhum golpe, com certeza, nenhum contundente. As 4 primeiras rodadas foram tensas, com Floyd, como sempre, usando os primeiros minutos para estudar o oponente. Manny, por sua vez, estava menos impetuoso do que de costume, ainda que ali pudéssemos dizer que restava certo equilíbrio.

Com o passar das rodadas, Mayweather estabeleceu seu jogo de atingir sem ser atingido. Pacquiao corria atrás, tentando ser mais agressivo, porém a efetividade de Floyd permanecia inalterada. Raros foram os momentos em que o “Pac-Man” conseguiu atingir com qualidade o rosto e corpo de seu oposto. Ainda assim, era claro que os dois respeitavam-se muito. “Money” não arriscava sair de seu jogo porque sabia do potencial do filipino, que, por sua vez, não se expunha tanto pois tinha noção do poder de contragolpe do americano.

E assim se passaram os doze intervalos. O gongo soou e, diferentemente do que Daniel Fucs, que apontava vitória marginal de Mayweather por 115-113 e Acelino “Popó” Freitas, que via Pacquiao vencer sem pontuação específica, para mim, aquele êxito não teria outro dono se não Floyd. Via a disputa em 118-110, Luigi e Denis viram 117-111. Tive certeza da vitória do estadunidense quando o primeiro score foi lido: “118-110” de Dave Moretti. Os demais, de Burt Clements e Glenn Feldman, foram iguais, em 116-112. Decisão unânime à favor de Floyd Mayweather Jr.

O fato de Mayweather ter vencido foi respaldado pelos analistas mais proeminentes do mundo, como Brian Campbell, da ESPN (117-111), Tim Dahlberg, da Associated Press (115-113), Steve Farhood, do Showtime (118-110), Mike James, do Los Angeles Times (115-113), Harold Lederman, da HBO (117-111), Lance Pugmire, também do Los Angeles Times (115-113), Dan Rafael, da ESPN (116-112) e Eric Raskin, também da ESPN (116-113). Apenas John Cherwa, do Los Angeles Times (114-114), e Jeff Powell, do Daily Mail (115-115), viram um empate.

Com a confirmação dos comentaristas internacionais também indicando resultado favorável á Mayweather, pensava eu que estivesse ali encerrada a discussão. O chato e ostentador havia suplantado, definitivamente, o herói do povo. Era o fim. Para minha ingrata surpresa, não.

“Você acha MESMO que venceu?”


Comentarista Max Kellerman entrevista Pacquiao após o anúncio dos scores dos juízes (Imagem: SHO/HBO)

Após o combate, Manny Pacquiao pensava, claramente, ter vencido. Argumentou isso, inclusive, na entrevista pós-luta, ainda em cima do ringue. Max Kellerman, da HBO, com quem Pacquiao tem contrato, era quem conduzia a mesma. Kellerman não escondeu a expressão de surpresa quando ouviu o filipino proferindo essas palavras, e retrucou, sem pudores: “Você acha MESMO, que venceu esta luta?”. O vídeo pode ser achado com facilidade no YouTube.

Não fosse a graça inicial, aquela polêmica estava criada, aonde nem deveria existir. A disputa não foi movimentada como alguns esperavam, mas foi amplamente dominada por Floyd Mayweather. Qualquer fã casual argumentaria que Pacquiao deveria ter vencido, pois foi quem buscou mais o enfrentamento, foi mais agressivo, esquecendo-se do fato de que nada disso tem à ver com uma vitória no boxe, pelo menos, não, necessariamente. Quem sempre vence, e sempre vencerá, uma contenda pugilística é aquele que acertar, sem ser acertado, e o nocaute é a única variável capaz de mudar esse destino. Além de tudo, os números do escalte mostravam que, ainda assim, essas pessoas estavam erradas. Surpreendendo muita gente, a quantidade de socos lançados por cada um foi muito parecida, tendo Mayweather soltado, inclusive, 6 golpes a mais (435, contra 429 de Manny).

No Brasil, “especialistas” dos mais diversos, que nunca pontuaram uma luta na vida, tais como o surfista Kelly Slater, a socialite Paris Hilton, alguns atores, e desportistas de MMA, foram ouvidos pela mídia pseudo-esportiva, vulgo futebolística, corroborando com uma versão deturpada do resultado e disseminando desconhecimento sobre a nobre arte. Juntaram aos depoimentos de Evander Holyfield e Oscar De La Hoya para corroborar uma tese sem sentido, como se houvesse acontecido um "roubo". Esqueceram de citar uma gama enorme de outros lutadores importantes, como Shane Mosley, que viu a luta no local - só para dar um exemplo - para serem, ou tentarem ser, ao menos, imparciais.

Nem o Philippine Daily Inquirer viu vitória de seu ídolo nacional, mas um monte de brasileiros, sim, inclusive alguns que recebem para isso. Estava formada uma discussão inócua, um desserviço ao conhecimento do boxe por aqui. Já vi lutas muito mais apertadas, muito mais difíceis de se pontuar, gerando muito menos polêmicas em torno de seu resultado.

Como se não bastasse, Pacquiao divulgou, logo após o evento, que estava com uma lesão séria no ombro direito e passaria por cirurgia. Reclamava de não poder ter tomado uma aplicação de analgésicos antes do embate. Se esquecera de um “pequeno” detalhe. Ao preencher o formulário da NSAC (comissão atlética de Nevada), no item “Lesões”, ele respondeu “Não”. Como uma comissão aprovaria a administração de medicamentos a um atleta que alegou não possuir nenhum problema físico?

Mais do que botar a culpa no ombro, Pacquiao sofreu críticas pesadas da imprensa. Muitos questionaram o profissionalismo do mesmo, já que, no final das contas, cada apostador, cada pessoa que comprou o ingresso, cada fã que adquiriu um pacote de TV fechada para assistir ao combate, fora, de fato, enganado. Ninguém estava ciente de que Manny subira o quadrilátero de cordas carregando uma lesão importante que necessitava de intervenção cirúrgica. Uma enxurrada de processos oriundos dos indivíduos supracitados foi impetrada em Las Vegas. E a nossa “querida” imprensa sensacionalista noticiou isto como uma prova de que o resultado estava sendo “colocado em xeque”. Não, o resultado nunca foi tema de discussões na justiça. A atitude de Pacquiao é que pode ser considerada fraude, se a justiça americana assim entender. A polêmica deveria residir nesta questão, e exclusivamente nela.

Claro que, na semana em que culminaria a programação, ao saber de uma lesão grave, não nos cabe julgar a decisão do "Team PacMan". O filipino e seu staff estavam em um dilema complicadíssimo: Ou informavam o ocorrido e viam a programação corroer-se, ou cancelavam a maior luta da história por, pelo menos, um ano e meio. Eu não queria estar na pele desses caras…

O que veio depois

Após vencer Pacquiao, Mayweather quis encerrar seu contrato com a Showtime e, a princípio, sua carreira, de forma melancólica: Escolheu um esquecido Andre Berto como seu “último” desafiante. Venceu facilmente, como esperado, e largou o esporte, ainda em 2015. Manny, recuperando-se da famigerada intervenção no ombro, só voltou aos ringues em Abril de 2016, 11 meses depois da derrota para Floyd, e encarou pela terceira vez Timothy Bradley. Começou meio enferrujado, mas terminou vencendo e impressionando, ainda que perante um oponente contra o qual já havia peleado em duas outras oportunidades.

“Money” já admitiria um retorno, atualmente. Teria, inclusive, dado entrada através de sua empresa no registro das marcas “50” e “50-0”, em alusão a seu recorde se vencer mais uma vez. Especula-se que Danny Garcia possa ser seu adversário, mas são apenas boatos, até o momento. Pacquiao hora diz que se aposenta, hora se ventila que continuará no front. Pretende disputar as próximas eleições nas filipinas e isso não condiz com a vida de boxeador.

Fato é que, após uma disputa de cifras e alcance monumentais como esta, a polêmica da lesão e todo o peso dos nomes “Pacquiao” e “Mayweather”, enquanto esses dois estiverem boxeando por aí, se falará em revanche, mesmo que "A Luta do Século" tenha servido apenas para descrever todo o hype e dinheiro que esta gerou, e não as ações em cima do quadrilátero de cordas, em si.

Comentários