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Publicado em 10 de Janeiro de 2016 às 18h:10

Mas afinal, quem é Roman “Chocolatito” Gonzalez?

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Autor Luigi F.


Roman "Chocolatito" Gonzalez. Imagem: Mark Ralston/AFP/Getty Images/BoxingJunkie.com

Ele foi apontado pelo Round13 como o melhor lutador do mundo no ano de 2015, e recorrentemente tem seu nome listado entre os principais boxeadores do mundo libra-por-libra. A invencibilidade, os três títulos de campeão mundial em três categorias distintas e o poder de nocaute fazem dele um dos principais concorrentes ao posto vago após a aposentadoria de Floyd Mayweather Jr. Muito se fala sobre os números impressionantes de Roman “Chocolatito” Gonzalez (44-0, 38 KOs), mas afinal, qual é a história por trás do talentoso boxeador nicaraguense?

Oriundo do bairro La Esperanza, uma vizinhança humilde na cidade de Managua, capital da Nicarágua, Roman Alberto Gonzalez Luna nasceu em 1987, numa família de pugilistas locais. Tanto seu avô Fraçois, quanto seu tio Cali, foram lutadores de boxe. Mas, foi pelo incentivo de seu pai, Luis Gonzalez, cujo apelido no pugilismo era “Chocolate”, que Roman começou a praticar a nobre arte.

Conciliando os treinos e competições amadoras com a ajuda que dava ao pai, vendendo produtos como pesticidas e detergentes de porta em porta, Roman foi descoberto aos 14 anos pelo lendário Alexis Argüello, que após supervisionar o promissor jovem, resolveu passar a treiná-lo.

Argüello, considerado um dos grandes nomes do boxe mundial em todos os tempos e conhecido pelo grande duelo contra Aaron Pryor em 1982, tido como o maior confronto da década de 80, foi um dos responsáveis por moldar o caráter, o estilo de luta, e o vício por treinar do pupilo.

“A principal coisa que aprendi com ele foi ser humilde. Não importa quantos títulos você já ganhou, você deve sempre tratar os outros como iguais. Ele sempre me dizia que para ser um campeão, primeiro você precisa ser humilde. Ele também me ensinou que o fator mais importante de uma luta é o treinamento, e que quando você treina, você tem que treinar duro e nunca se limitar, pois geralmente o seu maior adversário é você mesmo”, declarou Roman Gonzalez a respeito do mentor e ex-treinador, em entrevista concedida ao jornalista Paul Wheeler, da centenária revista Boxing News, em maio do ano passado.


Esq.: Alexis Argüello (Imagem: Boxrec) / Dir.: Roman Gonzalez (Imagem: Qadeer.ali1989/Wikipedia)

Após somar um cartel amador de 88 vitórias e nenhuma derrota, Chocolatito, apelido que herdou da alcunha dada a seu pai, se profissionalizou em 2005, aos 18 anos de idade. Logo na estreia, Gonzalez já mostraria o poder de nocaute que acabaria se firmando como uma de suas marcas registradas ao longo da carreira: vitória no 2º round contra Ramón Urbina.

Colecionando uma sequência de 20 vitórias, com 18 delas pela via rápida, sendo a maioria das lutas realizadas em seu país natal, Roman enfim chegou a sua primeira disputa de título mundial em setembro de 2008, pouco mais de 3 anos após estrear no profissionalismo. Lutando na cidade japonesa de Yokohama, palco do pentacampeonato brasileiro de futebol em 2002, Chocolatito não tomou conhecimento do nipônico Yutaka Niida, batendo o rival por nocaute técnico no quarto round, e conquistando o boldrié da AMB na categoria peso mínimo.

Em 2009, Gonzalez defenderia seu cinturão por duas vezes, em vitórias por pontos diante de Francisco Rosas e Katsunari Takayama, sendo esta última disputa ocorrida no dia 14 de julho daquele ano, apenas duas semanas após o falecimento de Argüello, encontrado morto em sua casa com um tiro no peito, em caso reportado como suicídio.

Após fazer mais uma defesa da sua cinta com sucesso, Gonzalez partiria para a categoria de cima. Depois de conquistar o cinturão interino dos mosca-ligeiros, também pela AMB, em outubro de 2010 contra Francisco Rosas, que tentava uma revanche contra o nicaraguense, Roman conquistaria a versão regular do título em março do ano seguinte, ao vencer por pontos o também mexicano Manuel Vargas.


Chocolatito (esq.) acerta Akira Yaegashi. Imagem: AFP/Jiji/JapanTimes

Conciliando mais quatro defesas do recém-conquistado cinto com lutas não-válidas como defesa de título na Nicarágua, México e Japão, Chocolatito optou por subir mais uma vez de categoria. Tendo somado até então um invicto e respeitoso cartel de 39 vitórias, sendo 33 por nocaute, Gonzalez encarou o duro japonês Akira Yaegashi, na luta que é considerada como a mais dura e mais importante de sua carreira até hoje pelo nicaraguense. Lutando em Tóquio, capital do Japão, Roman foi dominante, impondo um knockdown ao rival no 3º assalto, e vencendo por nocaute técnico no 9º giro. Com o sucesso, o boxeador sagrou-se tricampeão mundial em três categorias diferentes, levando para Managua o cinturão dos moscas pelo CMB e igualando o número de conquistas de seu ídolo, Alexis Argüello.

Ainda em 2014, Gonzalez bateria o filipino Rocky Fuentes, defendendo pela primeira vez seu cinturão. No ano passado, foram mais três vitórias sem necessidade de consultar as papeletas dos juízes: em fevereiro, lutando em casa, bateu o journeyman mexicano Valentin Leon; em maio, defendeu sua cinta contra Edgar Sosa, precisando de apenas 2 assaltos para mostrar a superioridade, em sua estreia numa luta transmitida pela HBO; e em outubro, superou o havaiano Brian Viloria, defendendo novamente a cinta do CMB, também em evento transmitido pela HBO. Vale lembrar que a emissora não transmitia lutas das categorias mosca ou mais leves desde 1997 até se interessar pelo sucesso no boxeador latino.


Chocolatito (dir.) acerta Brian Viloria (esq.), em sua última exibição. Imagem: Naoki Fukuda/The Ring

Com 1,60 m de altura, Chocolatito já declarou que acredita ser possível subir até os super-moscas, o que lhe permitiria tentar o quarto título em quatro categorias distintas. Mas, de acordo com as notícias mais recentes, essa empreitada deverá esperar mais um pouco. É noticiado que muito provavelmente, a próxima exibição de Gonzalez será a defesa de seu título contra o mexicano Giovani Segura (32-4-1, 28 KOs), no próximo mês de março. Segura, que entre 2009 e 2010 sagrou-se campeão mundial unificado dos mosca-ligeiros pela AMB e OMB, não luta desde a derrota para Juan Francisco Estrada, em setembro de 2014.

É verdade que a luta contra Segura talvez não seja a opção mais desejada pelos fãs de boxe ao redor do globo. Nos moscas, Gonzalez poderia enfrentar o mexicano Juan Francisco Estrada, atual campeão pela AMB e OMB, ou então o tailandês Amnat Ruenroeng, detentor do boldrié da FIB, em contendas unificatórias. Já se optar por subir para os super-moscas, a luta que todo mundo gostaria de ver seria contra a sensação japonesa Naoya Inoue, o jovem detentor da cinta da OMB na categoria.

Independentemente dos próximos passos, a grande verdade é que Gonzalez tem tudo para aumentar ainda mais o seu legado e fazer com que as categorias de peso mais leve continuem a chamar atenção da mídia pelo mundo afora. Além de proporcionar boas lutas aos fãs e possuir um estilo agressivo e vistoso, Chocolatito tem apenas 28 anos. Se mantiver uma média de 3 lutas por ano e não sofrer nenhum revés, o nicaraguense pode, já no ano que vem, se posicionar para superar a marca atual de Floyd Mayweather Jr, que ostenta um belo retrospecto de 49 lutas invicto. E, ao superar o norte-americano, e tendo feito até lá lutas contra os grandes nomes das divisões mais leves, uma certeza é iminente: será muito difícil renegar o posto de melhor pugilista de todos os pesos a Roman Gonzalez.

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