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Publicado em 05 de Janeiro de 2009 às 18h:46

O ano sem Floyd Mayweather Jr.

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Autor Luigi F.


Imagem: http://blogs.bet.com/news/playahater/wp-content/uploads/2008/02/1floyd09.jpg

No dia 8 de dezembro de 2007, o norte-americano Floyd Mayweather Jr. subia no quadrilátero de cordas pela última vez. Em incrível exibição, ele nocauteou o até então também invicto Ricky Hatton. Depois dessa vitória, todos esperavam quem seria o próximo adversário do “Pretty Boy”. Foi marcada, então, uma revanche contra Oscar De La Hoya. O segundo confronto entre os pugilistas deveria ocorrer no 2º semestre deste ano, mais de um ano após Mayweather levar uma decisão dividida contra DLH. As expectativas eram boas, uma vez que a primeira luta batera diversos recordes de arrecadação e vendas no pay-per-view.

Mas, quando todos menos esperavam, Mayweather Jr., o melhor boxeador de todos os pesos nos últimos anos, declarou sua aposentadoria. Numa carta onde se disse sem motivação para continuar, uma vez que já tinha derrotado os melhores e já tinha ganho todo o dinheiro que ele gostaria, o lutador natural de Grand Rapids pendurou as luvas.

O mundo do boxe ficou órfão de um super-lutador, alguém que seria favorito contra qualquer outro. Alguém que enchesse os olhos dos fãs do esporte. Isso, pelo menos, até o filipino Manny Pacquiao se firmar como tal figura, ao nocautear o mesmo Golden Boy no início do mês. Mas, mais de um ano após a aposentadoria, será mesmo que Floyd Mayweather Jr. não faz falta?

A resposta é sim. E explico o motivo: estamos numa excelente geração nas categorias mais leves. Citando apenas lutadores dos meio-médios para baixo, temos Antonio Margarito, Miguel Cotto, Shane Mosley, Ricky Hatton, Andre Berto, isso sem contar o já citado Pacquiao. Agora, só imaginem se a figura mais talentosa da sua geração resolvesse retornar para defender sua posição de melhor entre todos. Sim, teríamos um acréscimo muito grande de talento.

E não vejam isso como saudosismo. Creio que seja comum aos fãs de boxe querer ver os melhores enfrentando os melhores, assim como era na época do quarteto “Sugar” Ray Leonard, Roberto Duran, Marvin Hagler e Thomas Hearns.

O que mais sintetiza essa minha idéia é a seguinte reflexão: tivemos um ano excelente. Incríveis combates, incríveis lutadores, algumas firmações e algumas promessas surgindo. Tivemos Hatton retornando em grande estilo após treinar com Floyd Mayweather Sr. Tivemos um Pacquiao surpreendendo os especialistas, ao anular o quesito “tamanho” frente ao Golden Boy. Tivemos Joe Calzaghe vencendo duas lendas vivas, ao levar decisões contra Bernard Hopkins e Roy Jones Jr. Tivemos o mesmo Hopkins ter uma excelente performance contra Kelly Pavlik. Tivemos Margarito batendo Cotto, em outro combate de altíssimo nível.

Que ano, não? Agora imaginem como tudo poderia ter sido caso Mayweather Jr. ainda lutasse.

Vocês podem discordar, mas o retorno do Pretty Boy faria muito bem ao esporte. Ele poderia enfrentar Hatton, que se mostrou um lutador muitíssimo evoluído contra Paulie Malignaggi. Ele poderia enfrentar Margarito, Cotto, Berto. Ou então poderia fazer a luta que todos querem ver.

Eu duvido que quem assistiu a Pacquiao contra DLH não pensou o mesmo que eu. Eu duvido que qualquer um que seja fã de boxe não queira ver Floyd enfrentando o filipino. Dois lutadores rápidos, dois lutadores que podem nocautear, e dois lutadores que são os melhores. O peso não é mais um problema, uma vez que o Pac Man já provou que pode subir de categoria. O único problema é Mayweather largar a aposentadoria e resolver retornar.

Seria arriscado? Com certeza, para alguém que já se aposentou, um retorno contra o melhor lutador em atividade traria muitos riscos. Mas, uma vitória, o colocaria ainda mais ao lado dos maiores da história, num seleto grupo de boxeadores que bateram os melhores de suas épocas.

O contexto? Em 2009, as chances de Pacquiao e Hatton se enfrentarem são enormes. O Pretty Boy poderia enfrentar o vencedor desse combate. Ou, então, retornar contra o próprio Hatton. Adversários não faltariam se Floyd resolvesse abandonar a aposentadoria, porém, isso só depende dele.

Amigos, se o ano foi bom sem Mayweather, seria muito melhor ainda com ele. O retorno de Mayweather Jr., queiram ou não, seria benéfico a ele, ao boxe, e aos fãs.

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