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Publicado em 06 de Julho de 2016 às 22h:00

O Boxe nas Olimpíadas

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Autor Luigi F.


Edição: Round13

No próximo dia 5 de agosto, o Rio de Janeiro tornar-se-á o centro do universo esportivo. A Cidade Maravilhosa receberá a próxima edição dos Jogos Olímpicos, maior evento de esportes do nosso planeta. Durante os 16 dias de competição, toda a nossa atenção estará voltada para o Pavilhão 6 do Riocentro, que será o palco da disputa de boxe.

Pensando nisso, o Round13 separou algumas curiosidades e fatos históricos sobre a nobre arte nas Olimpíadas. Vale lembrar que, nesta primeira matéria, falaremos sobre a história de forma geral, deixando para tratar sobre a história do boxe brasileiro e sobre a competição de 2016 nos próximos artigos, que serão publicados ainda antes do início dos Jogos.

O Começo de Tudo

Oliver Kirk (direita; Imagem: domínio público) foi o primeiro grande campeão olímpico, nos Jogos de St Louis, em 1904 (pôster na esquerda; Imagem: Wikipedia)

Os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna se deram em 1986, na cidade de Atenas, na Grécia. Entretanto, o boxe foi introduzido na competição apenas em 1904, na terceira edição. Foi somente nas Olimpíadas de St. Louis que o pugilismo passou a ser disputado. Curiosamente, naquele ano, apenas 18 boxeadores, todos representando os EUA, participaram do torneio. Dessa forma, logo no primeiro ano de disputa, os estadunidenses já conquistaram 19 medalhas no esporte, das quais 7 foram de ouro, assumindo a ponto do quadro de medalhas acumulado – posição que, por sinal, defendem até os dias atuais.

Além da participação única dos EUA, outro feito foi atingido na edição de St. Louis. O norte-americano Oliver Kirk obteve a façanha de conquistar duas medalhas de ouro no boxe numa mesma Olimpíada, algo inédito até hoje. Entretanto, vale ressaltar uma curiosidade bizarra acerca dessa marca: Kirk necessitou de apenas duas vitórias para tal. Na categoria dos galos, que contou com apenas dois participantes, Oliver bateu George Finnegan, ficando com o ouro. Já na categoria dos penas, haviam três inscritos. Kirk acabou ficando de bye na primeira rodada, e na final bateu Frank Haller, garantindo novamente o lugar mais alto do pódio.

Desde então, com exceção dos Jogos de Estocolmo, em 1912 (naquela época, a lei sueca bania o esporte), o boxe fez parte de todas as edições. Em 2016, será a 25ª vez que o pugilismo será disputado numa edição de Jogos Olímpicos.

Categorias de disputa

Historicamente, já existiram nove diferentes configurações das divisões de peso em vigor no boxe masculino. Se na primeira edição onde o esporte foi disputado, em 1904, houve disputa em 7 categorias diferentes, 4 anos depois, nos Jogos de Londres-1908, foram apenas 5 categorias. A partir de 1920, passaram a ser 8 categorias distintas. Esta configuração se alterou mais 3 vezes, até atingir o número de 12 categorias, modelo que vigorou entre os Jogos de Los Angeles-1984 e Sidney-2000. Em Atenas-2004 e Pequim-2008, foram 11 categorias. Até que, em 2012, nas Olimpíadas de Londres, chegou-se à configuração de 10 limites de peso diferentes: mosca-ligeiros (49 kg), moscas (51 kg), galos (56 kg), leves (60 kg), super-leves (64 kg), meio-médios (69 kg), médios (75 kg), meio-pesados (81 kg), pesados (91 kg) e super-pesados (+ 91 kg). Este mesmo molde estará vigente nos Jogos do Rio de Janeiro.

Já o boxe feminino, que teve na edição de Londres-2012 sua primeira aparição, manterá a configuração inicial. Entre as mulheres, são 3 categorias diferentes: moscas (48-51 kg), leves (57-60 kg) e médios (69-75 kg).

Os países que mais venceram


Rivais na década de 70, Muhammad Ali (esquerda; imagem: Associated Press), George Foreman (centro; imagem: DailyNews) e Joe Frazier (direita; imagem: stripes.com) já foram medalhistas de ouro pelos EUA.

Os EUA possuem atualmente o posto de maior campeão olímpico do boxe na história, tendo ao todo 111 medalhas, das quais 50 são de ouro, 23 de prata e 38 de bronze. O segundo colocado é Cuba, com 67 medalhas no total (34 ouros, 19 pratas e 14 bronzes). Já em terceiro, encontra-se o Reino Unido, com 53 medalhas ao todo, sendo 17 ouros, 12 pratas e 24 bronzes.

O Brasil encontra-se, no quadro geral histórico de medalhas, na 51ª posição, empatado com o Egito, tendo 4 medalhas no total, sendo 1 prata e 3 bronzes. As conquistas brasileiras vieram das mãos de Esquiva Falcão (prata em Londres-2012), Servílio de Oliveira (bronze na Cidade do México-1968), Yamaguchi Falcão (bronze em Londres-2012) e Adriana Araújo (bronze em Londres-2012).


Apesar da supremacia história, EUA conquistaram apenas duas medalhas de ouro nos últimos quatro Jogos Olímpicos, com Andre Ward (esquerda; imagem: Getty Images) em 2004 e Claressa Shields (direita; imagem: atlantablackstar.com) em 2012.

Apesar da ampla vantagem dos estadunidenses na liderança do quadro geral de medalhas, vale destacar que muito disso justifica-se pelas edições mais antigas. Se pegarmos os Jogos Olímpicos deste século, ou seja, a partir de Atenas-2000, Cuba seria o primeiro colocado no quadro de medalhas, com 26 medalhas, sendo 11 ouros, 6 pratas e 9 bronzes. Em segundo lugar, estaria a Rússia, com 8 ouros, 5 pratas e 9 bronzes, seguida do Cazaquistão, com 5 ouros, 4 pratas e 4 bronzes. Neste mesmo período, os EUA conquistaram 9 medalhas, das quais apenas duas foram douradas (Andre Ward, em 2004, e Claressa Shields, em 2012).

Os atletas que mais venceram


Os três tricampeões olímpicos: Laszlo Papp (esquerda; imagem: findagrave.com), Teófilo Stevenson (centro; imagem: alchetron.com) e Félix Sávon (direita; imagem: olympic.org).

Entre os homens, três atletas dividem o posto de maiores medalhistas olímpicos da história, cada um deles com três medalhas de ouro conquistadas. O primeiro a atingir o feito foi o húngaro László Papp, campeão entre os médios em Londres-1948, e entre os médio-ligeiros em Helsinki-1952 e Melbourne-1956. Em suas treze vitórias obtidas nessa trajetória, Papp perdeu apenas 1 assalto, na final de 1956 contra o norte-americano Jose Torres.

Os outros dois homens a atingirem tal façanha vieram de Cuba. Teófilo Stevenson subiu ao lugar mais alto do pódio nos Jogos de Munique-1972, Montreal-1976 e Moscou-1980, todas entre os pesados. Vale lembrar que, naquela época, cogitou-se uma super-luta entre Stevenson e Muhammad Ali, a qual acabou recusada pelo cubano.

O terceiro atleta a se sagrar tricampeão olímpico foi Félix Savón, também entre os pesados. Com ouros nos Jogos de Barcelona-1992, Atlanta-1996 e Sidney-2000, Savón também se sagrou hexacampeão mundial amador, vencendo todas as edições de Mundiais entre os anos de 1986 a 1997.

Já entre as mulheres, visto que a única edição que teve boxe feminino foi a de Londres-2012, as três campeãs olímpicas daqueles Jogos dividem a primeira colocação como maiores medalhistas olímpicas do boxe feminino. São elas: Nicola Adams, do Reino Unido; Katie Taylor, da Irlanda; e Claressa Shields, dos EUA. Vale lembrar que as três boxeadoras estão classificadas para as Olimpíadas do Rio, e, portanto, terão a chance de buscar o segundo ouro, tentando se isolar na “liderança”.

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