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Publicado em 02 de Janeiro de 2017 às 16h:25

O que queremos ver em 2017

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Autor Daniel Leal

Todo novo ano traz uma oportunidade de recomeçar. No nosso caso, recomeçaremos do mesmo jeito que terminamos o ano passado: Listando coisas. Mas, em vez de reconhecer o que já passou, queremos agora desejar o futuro. E nada mais prazeroso do que convidar você para especular tudo isso conosco e nos dizer o que você quer ver no boxe em 2017!

Joshua vs. Klitschko


Imagem: BoxingScene.com

Marcada para Wembley em 29 de Abril, sem a menor dúvida já é a contenda mais aguardada do primeiro semestre. Anthony “AJ” Joshua (18-0, 18 ko's) e Wladimir Klitschko (64-4, 53 ko's) disputarão o cinturão dos pesados pela FIB e pela AMB, que se encontra vago atualmente. A luta não é só obviamente atrativa pelos nomes envolvidos, mas também pelo futuro da categoria máxima do esporte de luvas. Antes pouco movimentada, a divisão dos pesados hoje é uma das mais interessantes, e quem diria que Klitschko, tão criticado junto de seu irmão durante o reinado mútuo de ambos, seria um dos protagonistas dessa mudança. Quando perdeu em 2015 para Tyson Fury, foi responsável indireto pela reviravolta ocorrida, e agora pode estar fazendo a sua apresentação derradeira em cima dos tablados. Nunca se imaginou tanta gente querendo acompanhar o ucraniano, que outrora era tido como “chato”, isso por que, se Joshua obtiver êxito sobre Wladimir, confirma todas as expectativas de que é o futuro dos gigantes a cima dos 90kg. Não é a toa que quase todos os caríssimos ingressos do evento já se esgotaram.

Willian Silva de volta aos ringues


Imagem: Top Rank/Boxingscene

Antes um dos grandes prospectos do Brasil, Willian “Baby Face” Silva (23-1, 14 ko's) está surpreendentemente inativo desde Fevereiro de 2016 quando foi derrotado por Felix Verdejo, nos pontos, em Nova Iorque. O pior de tudo é que Verdejo, que sofreu um acidente de moto de gravidade moderada, não só lutou mais duas vezes como já tem luta marcada para o mês que se aproxima. Enquanto isso Willian, sob contrato com a mesma promotora de seu ex-adversário, a Top Rank, segue encostado, sem maiores explicações. A falta de um manager, alguém que guie a parte burocrática da carreira de Silva, está pesando no futuro do atleta, cuja técnica é reconhecida internacionalmente, colocando-o como, disparado, o melhor peso-leve brasileiro, talvez o número #1 na América do Sul. É por isso que queremos ver o “Baby Face”, o quanto antes em cima do quadrilátero de cordas.

George Arias contra Fabio Maldonado ou Raphael Zumbano


Imagem: Arquivos pessoais - Montagem R13

George Arias (56-16, 42 ko's), recordista de defesas do cinturão brasileiro, não pode deixar os ringues com as quatro derrotas seguidas que acumulou. Não haveria nada melhor para o público brasileiro do que vê-lo dividir o tablado com Fabio Maldonado (24-0, 23 ko's), ou com o campeão nacional, Raphael Zumbano (39-14-1, 32 ko's), luta esta que vem sendo especulada há quase uma década! Sabemos das dificuldades financeiras para que isso saia do papel, porém, seria de uma magnitude fantástica que alguma dessas pelejas deixasse o campo da especulação e se tornasse real. Nos resta aguardar.

O futuro de Manny Pacquiao


Imagem: IAPSS/LineMarkers

2017 pode ser o ano final do filipino Manny Pacquiao (59-6-2, 38 ko's) como atleta. por isso mesmo a curiosidade para ver o que ele terá pela frente. Provavelmente encara o vencedor de Timothy Bradley e Jeff Horn no primeiro semestre. Em seguida, se vencer, tanto Vasyl Lomachenko, quanto Terence Crawford são boas opções de nomes que a Top Rank deseja que enfrentem-no, por uma razão óbvia: Como todos estão sob contrato com a promotora, uma derrota de Pacquiao para qualquer um deles pode significar mais dinheiro na conta do CEO, Bob Arum, em um futuro próximo, já que ambos teriam seus nomes alavancados junto ao público, e uma vitória de Manny poderia, por outro lado, “vender” uma mega revanche entre o filipino e Floyd Mayweather Jr. Arum e sua empresa ganham nessa de qualquer forma.

O boxe novamente na TV aberta


Imagem: Montagem R13

Quem está assistindo a nobre arte atualmente vive em um paraíso difícil de imaginar em meus tempos de “caçador de transmissões” pela internet (e quem acompanha o Round13 desde o início deve se lembrar dessa fase). Hoje a TV a cabo tem dado um bom espaço para o pugilismo, principalmente o internacional. Mas ainda falta um passo importante nesta retomada: As emissoras de TV aberta. Somente com a volta das noitadas de boxe que haviam na Globo e na Bandeirantes é que teremos maior espaço na mídia, inclusive, talvez, para as programações locais, que tanto carecem de divulgação. Precisamos então de um campeão mundial para atrair a atenção destes veículos. E os três caras nas fotos à cima – Yamaguchi Falcão, Esquiva Falcão e Robson Conceição – são os mais próximo disso, pelo menos em 2017.

Rose Volantê e Simone Duarte fazendo grandes lutas


Imagem: Montagem R13

Não é fácil promover boxe feminino no Brasil e isso se reflete na carreira destas duas atletas. Tanto Rose Volantê (9-0, 6 ko's), quanto Simone Duarte (15-10, 6 ko's), têm talento suficiente para encarar bons desafios, o que falta é apoio. A segunda sentiu isso na pele tendo que sair do Brasil e encarar pugilistas das mais diversas categorias, em constante desvantagem, seja de peso, de local do confronto, ou de condições básicas (como poder levar um treinador consigo, por exemplo). Já “Queen” Volantê tem outro problema: Não se arriscando, acertadamente, lá fora sem uma disputa em que tenha chances reais, acaba ficando refém das promoções locais. Em suas últimas apresentações, ambas venceram, porém Simone, ao eliminar qualquer intermediário da negociação, obteve êxito em confronto na Alemanha diante de uma lutadora que supostamente deveria superá-la. Isso por que, cuidando de seus próprios interesses, aceitou um desafio que poderia suplantar. Nosso desejo é que isso não tenha que acontecer – por mais que seja melhor do que viajar sem possibilidade de vitória – e que os eventos no Brasil sejam mais generosos com ambas.

Felipe Moledas vs. Eduardo Reis 


Imagem: Arquivos pessoais - Montagem R13

Já especulamos sobre este encontro algumas vezes antes, e ele não aconteceu. Agora, no entanto, cresce a probabilidade deste enfrentamento, o melhor na divisão dos super-penas, e um dos melhores em todas as categorias no Brasil. Reis (24-3, 19 ko's) é valente e sabe boxear, Moledas (12-0, 7 ko's) tem técnica aprimorada e está invicto. Os dois atletas desejam a luta. Pode ser que no ano que se inicia tenhamos novidades sobre este assunto muito em breve.

Canelo vs. GGG


Imagem: FightSaga.com

A mais aguardada luta do boxe mundial, era a mesma que já havíamos desejado em 2016. Na ocasião pedíamos, em vão, para que os promotores envolvidos não estragassem mais essa. Infelizmente, o mundo do boxe é cercado de pessoas que acham que sabem fazer negócios melhores do que todo mundo. Oscar De La Hoya é um desses. Pensando que consegue vender o peixe de Saul “Canelo” Alvarez (48-1-1, 34 ko's) o suficiente para adiar uma disputa contra Gennady Golovkin (36-0, 33 ko's) até que este padeça pelo tempo, acaba prejudicando a si mesmo e ao esporte. A boa notícia é que, ao que parece, conscientizou-se que o caixa da Golden Boy Promotions precisa, urgentemente, de fôlego e para isso tem que fazer com que essa disputa se materialize. É por isso que De La Hoya tem falado sobre a mesma para o segundo semestre de 2017. Nos resta esperar para ver se isso é verdade.

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