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Publicado em 02 de Julho de 2008 às 01h:00

O Rei Arthur

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Autor Luigi F.

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Avetik Abrahamyan, mais conhecido no mundo do boxe como “King” Arthur Abraham, é mais um dos grandes nomes da categoria médio. Após sua última exibição, quando nocauteou o rival colombiano Edison Miranda no 4º round, o armênio naturalizado alemão passou a ser ainda mais valorizado. Pensando nisso, o Round 13 resolveu mostrar um pouco mais sobre o lutador.

Nascido em Ierevan, capital da Armênia, Arthur é o filho mais velho do casal Grigor e Sylvia. Seu irmão mais novo, Alexander, também é pugilista, e luta na categoria médio-ligeiro. Fã de Mike Tyson, o “Rei Arthur” teve 90 lutas em sua carreira amadora, com 81 vitórias, 6 empates e apenas 3 derrotas. Em 1995, quando tinha 15 anos, mudou-se com os pais e o irmão para a Alemanha, retornando 4 anos mais tarde para seu país natal. Nesse período, e até sua estréia como profissional em 2003, Arthur colecionou diversos títulos locais como amador.

Na vertente profissional, Abraham venceu suas 14 primeiras lutas por nocaute. Até disputar o seu primeiro e único título mundial, versão FIB, bateu diversos bons pugilistas da categoria, como Nader Hamdan, Hector Velazco e Howard Eastman, todos com disputas de cinturões mundiais em seus cartéis atuais. Em 2005, com 18 vitórias, Arthur enfrentou o nigeriano Kingsley Ikeke, pelo boldrié que havia sido abandonado pelo americano Jermain Taylor. Lutando na Alemanha, Abraham nocauteou o africano em apenas 5 assaltos, e chegou a dizer que foi o melhor pugilista que enfrentou em toda sua carreira.

Defendeu seu cinturão em duas oportunidades no ano seguinte, até enfrentar o colombiano Edison Miranda, na época invicto, em setembro de 2006. Abraham, que conseguira a cidadania alemã um mês antes, enfrentava o maior desafio de sua carreira. Num combate difícil se pontuar, Miranda perdeu 5 pontos, e Abraham teve seu maxilar quebrado pelo rival no 4º assalto. Mesmo assim, um desfigurado campeão manteve seu posto vencendo por decisão unânime, com muitas críticas ao redor do mundo dizendo que ele só vencera por ser o lutador da casa.

Após a operação, Abraham levou 8 meses até se recuperar e subir aos ringues de novo. Em seu retorno, tirou a invencibilidade de Sebastian Demers, com nocaute no 3º giro. Depois disso, foram mais três lutas e três nocautes, respectivamente contra Khoren Ghevor, Wayne Elcock e Elvin Ayala.

Um ano e nove meses após a controversa vitória sobre Miranda, Abraham resolveu ceder e dar uma revanche ao pugilista da América. Além disso, aceitou lutar nos EUA e uma categoria acima, situação que beneficiaria o colombiano, que sempre tinha problemas em chegar ao limite de peso da categoria médio. Numa luta que começou com muito estudo, Abraham mostrou muita superioridade, e nocauteou o oponente no 4º round, derrubando-o 3 vezes.

A lenda do Rei Arthur, personagem da história inglesa cuja existência não é comprovada, diz que, em sua lápide, está a inscrição: “Aqui jaz Arthur; Rei que foi, Rei que será”. Até hoje, o armênio/alemão, que acumula 27 lutas invictas, sendo 22 por nocaute, foi o “Rei” de apenas uma versão de título mundial. Mas, seu reinado poderá se estender. Um confronto com o campeão americano dos médios, Kelly “The Ghost” Pavlik, que detém os cinturões da OMB e do CMB, está sendo cotado para o segundo semestre deste ano, ou para o início do ano que vem. Caso vença, Arthur Abraham, além de justificar o apelido, dará um enorme passo para o seu maior sonho: ser lembrado como um campeão indiscutível e imbatível.

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