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Publicado em 21 de Fevereiro de 2016 às 18h:13

Olhar de investidor: Apostar em Willian Silva teria um bom “risco/retorno”

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Autor Daniel Leal


Imagem: Mary Ann Owen/Top Rank

Passei minha vida estudando muito o mercado financeiro. Não só tenho formação em área correlata como também sou pós-graduado na mesma. Trabalhei em uma multinacional do ramo, além de ser profissional certificado em assessoria de investimentos. Por fim, passei meses estudando, lendo obras para, efetivamente, atuar na bolsa de valores. Posso garantir uma coisa para quem quer ganhar dinheiro: Acerte UMA grande tacada. É o que basta para que você mude sua vida, nem que seja seu estado psicológico, lhe permitindo continuar ganhando. Porém, para isso (além de possuir capital para investir), precisa-se encontrar uma grande barganha, ou seja, um ativo “subprecificado” com bom potencial de upside.

No boxe existe algo relativamente análogo, e são as bolsas de apostas. Raras as vezes as zebras aparecem e premiam em quem apostou nas mesmas. Isso porque, em geral, as proporções são bem estruturadas, ou seja, o “azarão” realmente tem chances proporcionais de derrota. Não é o caso do enfrentamento entre o brasileiro Willian Silva (23-0, 14 ko's) e o porto-riquenho Felix Verdejo (19-0, 14 ko's), no próximo dia 27 de Fevereiro, no Madison Square Garden, em Nova Iorque.

Para se ter ideia, não é difícil encontrar odds, ou seja, as probabilidades, ou o 'risco/retorno', que multipliquem várias vezes o montante investido na vitória do brasileiro, podendo uma aposta ser potencializada em 1500%. Logo, se apostados 100,00 dólares em Silva, este vencendo Verdejo, geraria um retorno de US$ 1.600,00 para o apostador. Se invertida a situação (aposta concretizada na vitória do atleta de Porto Rico), os mesmos 100,00 dariam apenas US$ 1,00 de retorno.

Claramente estão subestimando as capacidades do lutador tupiniquim, o que o torna um ativo “barato”. É como se Willian fosse uma empresa que estivesse gerando caixa, lucro, dividendos, com pouca dívida, mas, ainda assim, por uma questão de mercado, o preço de suas ações não refletem o real valor da mesma, ficando menor do que deveria.

Não que Verdejo não seja o favorito, ele é. Natural no esporte que haja um opositor preferido para a obter um êxito, em qualquer disputa que seja. A proporção é que está errada. Quem quer que esteja analisando isso, desconhece o brasileiro. Por mais que este esteja a pouco tempo pelejando nos EUA e não tenha feito uma subida gradativa no nível de oponentes, subindo diretamente de Bayan Jargal para Verdejo, não quer dizer que surpreender quem é considerado melhor pela maioria valha uma multiplicação de 16 vezes o capital colocado nessa possibilidade.

Não farei apologia as apostas, até pelo fato de serem proibidas por aqui. Vale lembrar também que, como em qualquer investimento, há o risco de se perder tudo o que foi investido. Nada garante, por exemplo, que aquela empresa cujo preço esta abaixo do que deveria vai realmente ser precificada corretamente em algum momento. No caso de uma ação isto ainda pode ser calculado, tangenciado, ou até minimizado. Já uma aposta esportiva vai à 0,00 em um segundo. Por isso vale frisar que a relação entre o que se arrisca e o que se ganharia não é uma certeza de ganho, ou de perda. Agora não resta uma dúvida: A possibilidade de pegar este “trade” é muito maior do que pensam as bancas de apostas norte-americanas.

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