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Publicado em 09 de Maio de 2016 às 06h:15

Parabéns, Chiquinho de Jesus!

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Autor Luigi F.


Imagens: Reprodução / Facebook

Nascido em 9 de maio de 1956, Francisco de Jesus, o popular “Chiquinho”, completa 60 anos no dia de hoje. Considerado como um dos maiores expoentes do boxe brasileiro nos anos 80, o paulistano representou o Brasil em duas edições de Jogos Olímpicos, foi medalhista pan-Americano e também chegou a disputar um título mundial em 1989.

Natural da zona norte de São Paulo, capital, teve uma excelente e premiada carreira no amadorismo. Além dos títulos conquistados na maioria dos tradicionais torneios do cenário nacional, Chiquinho disputou as Olimpíadas de 1976 e 1980. Na primeira, entre os médio-ligeiros, venceu duas lutas até ser eliminado nas oitavas de final pelo alemão Ulrich Beyer. Já em 1980, após duas vitórias, o brasileiro acabou derrotado nas quartas pelo cubano Armando Martínez, a apenas um resultado positivo de conquistar uma medalha olímpica. Martínez seria o campeão daquela edição. Outro momento importante ocorreu em 1979, nos Jogos Pan-Americanos de San Juan, em Porto Rico, onde Chiquinho conquistou a medalha de bronze.

Ele passou ao profissional ainda em 1980, sob a supervisão de Antonio Carollo. Logo em 1981, se sagrou campeão brasileiro dos médio-ligeiros, honraria que alguns anos antes havia sido conquistada por Miguel de Oliveira. Também de sagrou campeão sul-americano ao derrotar o ex-campeão argentino Walter Gomez, título que seria defendido contra o também hermano Patricio Díaz.

Em 1985, Chiquinho, então com 20 lutas e 20 vitórias, foi a Montreal, no Canadá, onde encarou o também invicto Matthew Hilton. O canadense acabou superior, e, após 10 rounds, bateu o brasileiro por decisão unânime. Hilton seria campeão mundial em 1987, pela FIB.

A carreira de Chiquinho continuou com vitórias no Brasil. Em 1986, seria derrotado pelo argentino Ramon Ramos, perdendo seu cinturão de campeão sul-americano. Dois anos depois, em agosto de 1988, o brasileiro faria uma excelente exibição diante do estadunidense Matt Farrago na casa do rival, arrancando-lhe a invencibilidade e se credenciando para a disputa de um título mundial.

O humilde brasileiro, cujo estilo elegante de lutar sempre se destacara, disputou o cinturão da AMB entre os médio-ligeiros em fevereiro de 1989, contra um dos grandes pegadores da história do boxe mundial, o norte-americano Julian “The Hawk” Jackson. Jackson, que seria tricampeão mundial na carreira, derrotou Chiquinho por nocaute no oitavo assalto. Em 2015, em entrevista à revista The Ring, Julian classificaria o lutador paulista como o mais forte adversário que enfrentou na carreira.


Imagem: The Ring / Getty Images

“Eu o acertei com muitos golpes, e mesmo tendo nocauteado, era incrível a força que aquele garoto tinha. Ele tinha poder nas mãos e eu podia sentir a força bruta daquele menino. Ele era mais forte que McClellan (Gerald) e McCallum (Mike), pelo menos pelo que pude sentir na luta. Você pode ser forte, e mesmo o McClellan tendo sido um grande pegador, sua força não era tão grande quanto a de Chiquinho. Quando nós clinchamos, pude literalmente sentir sua força, e fiquei impressionado”, declarou Jackson na oportunidade.

De acordo com a mídia internacional, o brasileiro ainda lutaria duas vezes no exterior, sendo derrotado em ambas. Sua última luta ocorreu em 1994, e encerrou a carreira profissional com 26 vitórias e 5 derrotas. Hoje, aos 60 anos, Chiquinho mora em São Paulo. 

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