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Publicado em 08 de Outubro de 2015 às 15h:55

Por que não me canso de Rocky?

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Autor Daniel Leal



Qual a influência e a importância de Rocky Balboa, prestes á aparecer nos cinemas pela 7ª vez, para o boxe mundial?
 

Não foram poucos os profissionais ou amantes do boxe que já me confidenciaram que os filmes de Silvester Stallone interpretando o “Garanhão Italiano”, Rocky Balboa, influenciaram intensamente a paixão que nutrem, hoje, pela nobre arte dos punhos. Tenho que admitir que eles não são os principais responsáveis pelo meu amor por esta modalidade, mas contribuíram em grande parte.

Meu pai, a figura principal nesse contexto, me apresentou não só ao pugilismo, mas a esta que é a sua principal representação dramática, também. Se Deus me permitir, farei da mesma maneira com meus filhos. Isso não se baseia somente em transmitir paixão, mas deixar lições, moldar caráter, e tanto Rocky, quanto o boxe, têm esse poder. Os rebentos que vierem terão todo o direito de odiar o pugliato, mas assistirão toda a saga do jovem pobre da periferia da Filadélfia, largado no mundo, em sua busca pelo reconhecimento. Ele é todo o compêndio do que conquistaram atletas, em situação similar, e é o maior espelho que um lutador – seja este um profissional, ou simplesmente um ser humano, em suas batalhas diárias – pode ter.

Até por isso, há uma relação intrínseca entre o esporte de luvas e os filmes de Balboa, desde seu lançamento, em 1976. Um virou sinônimo do outro. As películas ditaram, e ainda ditam, muitas tendências no meio pugilístico. O mais próximo exemplo disto é o recorrente hábito em utilizar as músicas das trilhas sonoras desta saga (muitas vezes de forma incessante) nos eventos pelo Brasil, em principal “Eye of the Tiger”, que inclusive tocava nas chamadas da TV Globo para os combates transmitidos pela mesma nos anos 80, 90 e início dos anos 2000.

Os acordes da banda Survivor se tornaram um hino para o boxe, tal qual as essencialmente instrumentais “Gonna Fly Now” e “Going the Distance”. Não há fã que não se inspire quando às ouve, não existe quem já treinou este esporte e nunca colocou estas canções ao fundo, recordando a trajetória do homem cuja maior conquista era tentar aguentar até o final contra o Campeão do Mundo.

A luta de Balboa nunca esteve apenas nos ringues, o que, paradoxalmente, explica a identificação com esta modalidade. Vida de boxeador não é fácil, mas, em um âmbito geral, quase nenhuma vida pode ser considerada “fácil”. As pessoas têm milhares de entraves em seus caminhos, tomam golpes fortes todos os dias para atingirem seus objetivos, daí a identificação e empatia imediatas com o carismático personagem ítalo-americano. Perceba que, em todos os 6 filmes, Rocky lutava contra um adversário dentro do quadrilátero, e vários outros, fora dele. Cumpriu toda a jornada do herói, calçando luvas. Não há como não sentir um arrepio ao rever sua história, por mais fictícia que seja. Por mais que, a bem da verdade, pareça tão real.

A franquia criada por Stallone transcende o pugilismo e passa pelo drama, romance, ação, de formas em que, em alguns momentos, as lições de vida do personagem são mais importantes do que ele mesmo, e o boxe fica em segundo plano.

Por essas e outras razões, que estarei no cinema quando “Creed: Nascido para lutar” fizer sua estreia (prevista para Janeiro de 2016, no Brasil). Não sei se podemos dizer que é uma continuação ou um “spin-off”, mas é um 7º capítulo da história de Balboa, dessa vez treinando o filho de seu mais famosos rival, Apollo Creed (inspirado em Muhammad Ali, por completo). Mas tenho certeza que virão mais ensinamentos para nós, espectadores.

Quando vejo a popularidade que Rocky atingiu, o quanto tocou as pessoas, e divulgou nosso esporte, torna-se impossível para um entusiasta como eu, não perceber a aparição dele, novamente, nos cinemas, como um grande evento para o pugilismo como um todo, comparável às grandes contendas. Gera em mim quase que a mesma expectativa, aquela mesma sensação de “hoje é um dia enorme para o boxe”.

Existem outros trabalhos cinematográficos memoráveis sobre a nobre arte. Menina de Ouro, Luta pela Esperança, Touro Indomável, O Vencedor, e mais recentemente, Nocaute, são alguns exemplos. Isso só prova o quanto este tema tem histórias fantásticas à serem retratadas, ou simplesmente, inventadas e reinventadas. Mas o “Garanhão Italiano” se destaca destes por ter assimilado todos os aspectos apaixonantes desta modalidade em um só bastião.

O pugilismo é o resumo do instinto do ser humano, de sua superação, de sua força de vontade, e é por isso que Rocky Balboa se sobressai. Ele é o boxe, em todas as suas nuances, boas, ou más. Por isso tornou-se tão importante para este esporte.

Atingiu o ápice, se tornou um ícone, virou “cult”. É simplesmente um dos mais famosos pugilistas de todos os tempos, e não existe.

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