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Publicado em 08 de Junho de 2016 às 13h:36

Quais lutas entre brasileiros nós queremos ver?

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Autor Daniel Leal

Dia 4 em Osasco, Laudelino Barros se despediu do boxe em grande estilo, ao bater o então campeão brasileiro dos pesados pela CBBP, Raphael Zumbano. Até aí tudo ótimo, não fosse tão difícil casar combates como esse em solo nacional. A falta de apoio financeiro, as bolsas oferecidas para atletas desse nível lutarem fora do Brasil, a crise econômica atual e a própria morosidade das promoções de eventos por aqui são as principais razões.

No caso de “Zumbano Vs. Lino”, há que se dar os créditos pela resiliência de Mike Miranda e seu filho, Mike Miranda Jr., que insistiram em colocar os atletas em cima do ringue apesar das dificuldades. Porém, no fim das contas, talvez esta programação tenha sido entregue graças, claro, a rivalidade latente entre ambos, ou seja, a vontade dos pugilistas falou mais alto. De uma forma, ou de outra, o público, principal gerador de receita e razão do boxe existir profissionalmente, demandou esta contenda e esteve presente, mesmo com a forte chuva que ocorreu na Grande São Paulo no último sábado, o que demonstra que existem sim fãs da nobre arte, ávidos por consumir boas pelejas.

Pensando nisso, e apostando que a luta entre Raphael e Laudelino possa ter sido um “ponto pivô”, ou seja, um marco de virada ascendente no esporte, listamos abaixo alguns confrontos que, com um pouco de boa vontade de todos os envolvidos e a publicidade correta, poderiam atrair muita gente:

Yamaguchi Falcão vs. Douglas Ataíde

“Lutaça” é a primeira sentença que me vem em mente. Falcão é campeão latino e defenderá sua cinta diante de um adversário estrangeiro em Julho. Já Ataíde, reconhecidamente técnico, vem de vitória em preliminar do evento em que Yamaguchi conquistou este mesmo título. Experiente, suas únicas derrotas na carreira saíram das mãos de Sebastian Heiland, atual número #1 do ranking do CMB (esta, na realidade, um roubo), e da estrela do Japão, Ryota Murata. Seria a maior luta entre pesos-médios no Brasil. As chances de que ocorra? Na minha visão são mínimas, mas não custa sonhar.

George Arias vs. Fabio Maldonado

Voltando à categoria máxima, com a aposentadoria de Lino Barros, a linearidade do cinturão brasileiro fica vaga. Um dia, em um tempo recente, conforme relatado aqui, Arias era o campeão linear. Nada mais justo que possa voltar á ser. Maldonado é uma estrela do mundo das lutas e está invicto no boxe profissional. Irá lutar contra Fedor Emilianenko, no MMA. Já pensou se ele vence e volta ao Brasil para disputar o título nacional? Ia ser gigante, ainda mais diante de um craque das luvas como Arias. As possibilidades disso sair do campo da imaginação e tornar-se realidade? Bom, como eu já disse, sonhar é de graça, mas quem sabe…

Felipe Moledas vs. Eduardo Reis

Esse combate já foi especulado para o começo do ano, mas não chegou-se a um acordo. Tanto Reis quanto Moledas, que foi campeão brasileiro dos super-penas pela ANB, aceitaram a luta com algumas condições. Vindo de treinamentos na Argentina, o santista Felipe busca impulsionar carreira internacional, já Reis, como todos sabem, passou por situação ruim fora do Brasil, mas vem de duas vitórias em sequência neste ano. Não acho difícil que saia do papel, único porém é que o osasquense está sendo cotado como um possível próximo adversário do ex-campeão mundial, Billy Dib, e se isso ocorresse tudo mudaria.

Juliano Ramos vs. Fernando “Fumaça” Ferreira

Ambos já foram grandes promessas, e hoje são atletas experientes que, se bem treinados, fazem frente a qualquer um no Brasil. Juliano deve lutar em Sorocaba, no final de Julho, e Fernando, ao que nos consta, está sem combate agendado. Têm condições de entregar uma bela luta, se dispostos, e poderia valer o título brasileiro dos meio-médio-ligeiros. Resta saber se há interesse de ambos nisso.

Vitor Freitas Vs. Murilo “Bala” Alves

Campeão brasileiro dos leves desde Agosto de 2015, Vitor Jones Freitas ainda não defendeu seu cinturão. Cotado para se apresentar no mês que vem nos EUA, ainda é incerto se realmente fará isso ou reservará data para a última semana de Julho, em São Paulo. De uma forma, ou de outra, este seria, talvez, o melhor enfrentamento nos 61,2 kg que poderíamos ter em solo tupiniquim. Murilo seria um desafiante legítimo e um adversário duro, sendo um teste definitivo para Freitas.

Natan Coutinho vs. Michel Silva

Os dois paulistanos bem que podiam se encontrar nos super-moscas, não? Ambos têm qualidade e carreiras vitoriosas. Michel ficou um tempo sem atuar e agora está retornando, enquanto Natan, que venceu uma luta após a derrota para Zou Shiming na China, pretende manter-se uma categoria abaixo, nos moscas, e lutar o título latino. Se isso não ocorrer, “Coutinho vs. Silva” seria o representante de “Zumbano Vs. Lino” nas divisões de peso inferiores.

Vale lembrar que estabelecemos essa lista sob nossos critérios, sem ter, necessariamente, alguma negociação e/ou especulação envolvida, sequer avaliamos se os boxeadores estão dispostos à realizarem estes eventos, até por que talvez isso nem tenha passado na cabeça deles, até hoje.

E você, fã do esporte de luvas, concorda com essa lista? Tem outras sugestões?  

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