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Publicado em 05 de Abril de 2016 às 19h:54

Seja quem você quiser ser

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Autor Daniel Leal

A ascensão social que o pugilismo pode produzir, e a liberdade intrínseca que lhe advém

Saindo da onde for, seja quem quer que seja, não importam as condições, nem o passado. Dentro do ringue tudo pode mudar, de um segundo para o outro. Um “ninguém” vira rei, da noite para o dia. O menino passava fome, morava em um casebre, sem condições de viver dignamente. Agora ele anda entre os poderosos, frequenta os lugares que não lhe eram permitidos adentrar.

O boxe é o único meio de transporte que usa os punhos. Te leva de 0 à 100 mil dólares em um piscar de olhos. Te pega na porta de casa e deixa nas estrelas, tudo em um único momento.

Liberdade foi, e sempre será, poder fazer escolhas. Quaisquer limitações, financeiras, emocionais ou técnicas, se transpassadas, darão esta sensação à qualquer pessoa. No mundo em que vivemos estas podem ser muito mais fáceis para uns, do que para outros. As opções que estão escancaradas para determinado cidadão, possivelmente estarão fechadas em outro caso. Conquistar o direito de utilizá-las, com seu próprio esforço, talvez seja o lado mais apaixonante deste esporte.

O pedinte das Filipinas que vira ídolo mundial, o garoto problema de Nova Iorque que domina os pesos-pesados, o moleque da Bahia que só queria um lar novo para sua mãe, todos têm em comum o desejo de poder ser outra pessoa perante a sociedade. Chegar no topo, ser reconhecido. Raros conseguem, pois o sucesso e o mérito não seriam “sucesso” e “mérito” se estivessem à disposição de muitos – cruel, mas próprio destas expressões. Não fossem destacados, continuariam aonde estavam.

A verdade dói, mas o céu, ele não é para todos. Uns já nascem mais próximos dele. Outros muito longe. O pugilismo pode ser o foguete que te leva aonde você quiser nesta jornada. É nisso que esta modalidade se apoia. É assim que nascem seus ídolos. Vem desta ânsia, desta fome, desta paixão. E quando se alcança, pode-se, finalmente, ser quem você sempre sonhou ser, ainda que seja, simplesmente, você mesmo…

A nobre arte te permite sonhar, e o sonho pode ser o maior alimento da liberdade!

O caminho é duro. Já dizia o filósofo de luvas: “Odiava cada minuto dos treinamentos”. Quem não odeia algo que, sabe, lhe fará bem? Quem prefere comer salada? Quem gosta de acordar com os galos cantando para correr, em jejum? Por que fazem isso? Simples, para, um dia, não precisarem mais fazer o que não se quiser fazer. Ainda que não alcance este estágio desta forma, a disciplina e o ímpeto aprendidos, a força de vontade adquirida, são bens inextirpáveis.

Visualizar sua meta, lá na frente já lhe move. Você já sabe o que quer alcançar. Agora só depende de você. Agora, você é, então, livre...

 

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