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Publicado em 21 de Agosto de 2008 às 00h:00

Teófilo Stevenson: o maior da história?

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Autor Daniel Leal

Créditos Imagem: El pais http://www.elpais.com/especial/juegos-olimpicos/images/leyendas/teofilo-stevenson.jpg

*Matéria originalmente publicada em 21/08/2008

Discussões sobre quem foi o maior pugilista da história sempre causam debates e nenhuma unanimidade. Entre os principais apontados, figuras carimbadas, como Muhammad Ali, Sugar Ray Robinson, Joe Louis, Rocky Marciano, George Foreman, Joe Frazier, Henry Armstrong, Mike Tyson. Isso só para citar alguns. Mas, será que entre eles está um dos maiores campeões olímpicos da história?

Teófilo Stevenson Lawrence, mais conhecido apenas pelos dois primeiros nomes, é um cubano natural de Puerto Padre. Tamanho de pesado e velocidade de meio pesado, Teófilo é considerado o maior pugilista amador de toda a história. O motivo? Conquistou nada mais nada menos que 3 Olimpíadas, 3 Campeonatos Mundiais, 2 Pan-Americanos e 12 títulos cubanos.

Sua trajetória olímpica teve início nos Jogos de Munique, em 1972, onde nocauteou todos os seus adversários, inclusive o americano Duane Bobick, que o tinha eliminado nos Jogos Pan-Americanos de Cali, na Colômbia, um ano antes. Em 74, veio o primeiro Campeonato Mundial, disputado em Havana, capital de seu país. Dois anos mais tarde, mais uma campanha incrível em Olimpíadas, dessa vez em Montreal, no Canadá. Stevenson passou pelas 3 primeiras rodadas nocauteando todos os seus adversários num total de apenas 7 minutos e 22 segundos. Na final, bateu o romeno Mircea Simon, no 3º round.

Em 1978, o segundo título de campeão mundial. O torneio, dessa vez disputado em Belgrado, na antiga Iugoslávia (atual Sérvia), foi novamente dominado pelo cubano, que nocauteou todos os oponentes. Dois anos depois, nos Jogos Olímpicos de Moscou, Teófilo conquistou a 3ª e última medalha olímpica. Após derrotar os dois primeiros adversários pela via rápida, acabou cruzando com pugilistas cujo principal objetivo era apenas sobreviver. Dessa forma, derrotou o húngaro István Lévai e o soviético Piotr Zaev apenas nos pontos. Assim, tornou-se o segundo pugilista da história a se consagrar tri-campeão olímpico, e o primeiro a fazê-lo na mesma categoria. Antes do cubano, apenas o húngaro Lazlo Papp atingira tal marca, porém, em categorias diferentes.

Muito se falou sobre negociações para que Teófilo Stevenson e Muhammad Ali se enfrentassem. Porém, o confronto entre o melhor pugilista amador e o melhor profissional da época nunca saiu, devido à discrepâncias quanto ao número de rounds, ou local do evento. Ainda antes de se aposentar, o cubano venceu mais um Campeonato Mundial, em 1986, na cidade de Reno, nos EUA.

Entre os adversários na brilhante carreira de Teófilo, gostaríamos de destacar dois. O primeiro, o brasileiro Jair de Campos, que foi derrotado no primeiro assalto, após cair 3 vezes com a potente direita do adversário. O segundo, o soviético Igor Visotski, responsável pelas duas derrotas de Stevenson entre os Jogos de 72 e 76. Após a aposentadoria, Teófilo passou a dedicar-se no treinamento de outros cubanos. Entre seus pupilos, o destaque certamente é Félix Savón, tri-campeão olímpico, hexa-campeão mundial e tri-campeão pan-americano.

Durante sua carreira, diversos foram os que comentaram a seu respeito. Emanuel Steward o definiu como o pugilista mais equilibrado que já viu. Don King disse que ele tinha a mesma classe que Ali e Frazier. Muhammad, inclusive, chegou a provocá-lo, dizendo que ele era um bom lutador, mas apenas para 3 assaltos. Mas nada mexia com Stevenson, que sempre achou que o boxe profissional era desumano e cercado por outros interesses além do esporte. Em uma de suas mais famosas declarações, respondeu o motivo de não querer se profissionalizar: “Prefiro o carinho de oito milhões de cubanos”.

Impedido de brilhar no profissionalismo devido ao regime cubano, Stevenson recusou lutas, mesmo sabendo das enormes quantias em dinheiro envolvidas e das oportunidades que estaria desperdiçando. Também perdeu a chance de ganhar seu 4º ouro olímpico, devido ao boicote cubano aos Jogos de Los Angeles em 1984. Acertadas ou não, as decisões de Teófilo fizeram com que um assalto entre ele e Ali exista apenas no imaginário dos fãs da nobre arte. Mas uma coisa é certa: o cubano certamente está entre os maiores da história do boxe.

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