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Publicado em 25 de Agosto de 2015 às 13h:01

Um novo Veron no caminho?

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Autor Daniel Leal


Imagem:Ramón Cairo (ganchycross.com.ar)

Hoje completam-se 10 dias do confronto entre o brasileiro Acelino “Popó” Freitas (40-2, 34 ko's) e o argentino Mateo “El Chino” Veron (21-17-2, 4 ko's), maior evento de boxe no Brasil nos últimos anos, realizado na Arena Santos, em Santos, São Paulo. Muito se indagou após a contenda qual seria o caminho do tetracampeão do mundo em seu retorno aos ringues. Popó disse que pretende lutar mais duas vezes em 2015: Uma em Outubro, em Belém, Pará, outra em Dezembro, possivelmente em Santos, novamente. Dito isso, gera-se toda uma especulação em quais seriam os nomes que o ex-campeão dos leves e super-penas vislumbraria para seus próximos passos em direção ao alardeado cetro mundial que pretende conquistar, dessa vez como meio-médio. O próprio Acelino citou um chileno e um mexicano, como possíveis oponentes.

Como atualmente, felizmente, a informação circula de forma muito mais fácil e ágil, podemos pesquisar facilmente quem poderiam ser os adversários de Freitas na caminhada ao título do mundo. Porém, mesmo antes dele anunciar seu retorno aos quadriláteros, já estávamos de olho em um jovem pugilista da Argentina, na mesma categoria, que vem se destacando e que, por mera coincidência ao que se sabe, tem o mesmo sobrenome do último contendor que Popó enfrentou.

Adrian Luciano Veron (14-0, 10 ko's), ou “Chucky” como é conhecido, nasceu na região da Patagônia, e não está no caminho ao título desta divisão de peso, por coincidência. Ele é o campeão latino pela OMB, e atual 15º no ranking mundial desta mesma entidade. Chucky tem 26 anos, é ex-membro da seleção argentina de boxe e conquistou sua cinta latina ao bater Juan Pablo La Quadra (19-2-2, 17 ko's), em Junho, por nocaute técnico no terceiro assalto.

É notório e sabido que Popó tem ótimas relações com a entidade reguladora em questão, afinal, foi campeão pela Organização Mundial de Boxe em nada menos do que 3 ocasiões, e considerado Super-campeão pela mesma após defender 10 vezes consecutivas o reinado dos super-penas. Seria natural que procurasse os rankings dela agora, em seu retorno. E também é de conhecimento geral que títulos regionais, como os latinos, são um belo atalho para as tabelas mundiais das quatro grandes. Não que o brasileiro necessite de “atalhos”, pois tem seu nome consolidado, mas, de qualquer forma, precisa bater nomes, gradativamente, mais fortes para atingir seus objetivos. Há menos de um mês de seu aniversário de 40 anos, Popó não tem muito tempo a perder.

Veron, por sua vez, está construindo carreira com muito cuidado, como sua idade assim permite. La Quadra, seu último oponente, foi o de melhor recorde que enfrentou na carreira – e ainda assim, este tinha apenas uma vitória sobre adversário de cartel “positivo”, ou seja, com mais vitórias do que derrotas. O patagônio luta no próximo sábado, 29 de Agosto, contra Cristian Nestor Romero (15-7-1, 8 ko's), seu melhor oponente até hoje, campeão latino pela FIB, e que em 2013 foi derrotado por decisão unânime após 12 rounds pelo brasileiro Robson Assis (15-1, 8 ko's), o “Robgol”. Chucky colocará pela primeira vez seu cinturão latino em jogo.

Fisicamente, lembra a Marcos Rene Maidana, e no ringue, Veron joga um boxe agressivo e aberto, como seu irmão de pátria, porém, sem dúvidas, com menor poder de punch. Não entenda-se com “agressivo e aberto”, que Chucky não possui técnica – vale lembrar que era membro da seleção olímpica de seu país.

Um hipotético confronto com Popó seria, antes de mais nada, uma contenda interessantíssima, dado as características de ambos no ringue (“estilos fazem lutas”, é um velho conceito que tenho para a nobre arte). Experiência x Juventude, que é ao mesmo tempo o ponto fraco e forte, de ambos. Para um sobra experiência, e ao outro, falta. Um tem um caminho longo pela frente, e o outro, por melhores condições físicas em que esteja, já não tem mais os seus vinte e poucos anos.

Apesar de estar no caminho do brasileiro, e ser um combate atrativo para os fãs, devo dizer que acho difícil, neste momento de sua jornada, que Adrian aceite confrontar-se com Acelino Freitas. Se aceitar, seria por um montante que, talvez, nenhum patrocinador no Brasil esteja disposto a pagar.

Ele ainda está “cru” para Popó. Mas não se engane, Veron está no caminho de qualquer sul-americano que deseje ser campeão pela OMB e é tido como mais uma boa promessa saindo dos ringues de Buenos Aires.

Quem sabe um dia…

OUTROS DESAFIOS PARA O “MÃO-DE-PEDRA”

Nessa mesma linha de pugilistas latinos, existem alguns nomes que seriam interessantes para o brasileiro galgar novamente seu espaço nos rankings mundiais. Alguns são bem plausíveis, outros talvez ainda demorem um tempo para que possam ser mais concretos...

Ceferino Rodriguez (19-1, 10 ko's)


Imagem: thetitlefight.com

Atual campeão latino do Conselho Mundial de Boxe, 20º colocado no Ranking mundial da entidade, o espanhol tem 26 anos, e tem sua carreira administrada pela empresa do ex-campeão Sergio “Maravilla” Martinez. Faz carreira na Europa, basicamente na Espanha, e dificilmente aceitaria pelejar com Popó agora.

Emmanuel “Pirata” de Jesus (15-0, 10 ko's)

I
Imagem: boxeomundial.com

Este jovem porto-riquenho de apenas 22 anos não tem nenhum bom adversário no cartel para que se possa comentar, mas, apesar disso, detém o cetro FEDELATIN da AMB, e é o 12º colocado no ranking mundial da mesma. Se lhe faltam oponentes de qualidade, lhe sobra altura perante Popó, são mais de 10 cm de diferença para o brasileiro (que provou que isso talvez não seja um fator tão primordial para ele, em seu último combate).

Marlon Aguas (9-0, 6 ko's)


Imagem: Prensa Boxeo Y Honor

O jovem equatoriano já figura em 36º no ranking do Conselho Mundial de Boxe. Isso porque detém o título sul-americano dos meio-médios, conquistado e já defendido uma vez em 2014, no México, ambas as ocasiões perante dois pugilistas mexicanos (sim, é possível, pois, aparentemente não há muito critério “geográfico” para disputas continentais pelo CMB). O problema com Aguas é que não luta desde o último mês de Novembro, pois lesionou sua mão esquerda durante treinamentos em Maio passado.

Luis Carlos Abregu (36-2, 29 ko's)


Imagem: Top Rank

O duro argentino de 31 anos é, sem dúvidas, o mais experiente e difícil boxeador desta lista, e já teve seu nome ventilado para enfrentar Freitas há alguns meses. Suas duas derrotas na carreira vieram das mãos do top contender Sadam Ali, em Novembro de 2014, e do atual campeão da categoria pela OMB, Timothy Bradley, em 2010. Sempre "bateu na trave" e nunca conseguiu disputar um título mundial, Chegou à ser campeão “Silver” pelo CMB, mas nunca defendeu o cinturão, e é surpreendente o fato de não figurar nos rankings de nenhuma organização dentre as quatro grandes do mundo do boxe.

Breidis Prescott (28-7, 21 ko's)


Imagem: zimbio.com

O colombiano tem uma carreira irregular, e nunca disputou um cinturão mundial, mas é notadamente conhecido por ser um lutador perigoso. Pra quem não se recorda, foi ele quem retirou a invencibilidade de Amir Khan, por nocaute no primeiro round, e de Richard Abril, por decisão dividida, ambas em 2008. Além disso, em 2011, foi vítima de uma das maiores reviravoltas daquele ano, ao perder no último round para Mike Alvarado, estando à frente em todas as papeletas dos jurados. Prescott ainda levou o atual campeão OMB dos meio-médio-ligeiros, Terence Crawford, ate o final de sua luta, em 2013, perdendo por decisão unânime em 10 assaltos. Ele, portanto, é nome conhecido lá fora, e uma boa vitória de Popó sobre Breidis atrairia muita atenção.

CHILENOS E MEXICANOS

Conforme dissemos antes, Popó disse negociar com um chileno, ou um mexicano, para as próximas lutas, portanto, reunimos alguns dos possíveis nomes desses adversários para avaliação. Entendemos que, em um primeiro momento, sejam até nomes mais dentro da realidade para um confronto ainda em 2015, sendo os anteriores, talvez à serem considerados apenas à partir de 2016.

Angelo Baez (13-0-1, 10 ko's)


Imagem: cooperativa.cl

Atual campeão Chileno dos médios-ligeiros, Baez dificilmente bate o limite máximo da categoria, o que sugere uma possível descida de peso num futuro próximo. Canhoto e jovem, seu resultado mais expressivo para nós, brasileiros, seria o empate que teve com Martin Fidel Rios em 2013 (Rios foi duas vezes adversário de Yamaguchi Falcão). Foi membro de destaque pela seleção nacional do Chile e conquistou o cinturão nacional supracitado perante Juan Carlos Alderete, de quem falaremos logo abaixo. 

Juan Carlos Alderete (36-8-2, 26 ko's)


Imagem: diariollanquihue.cl

Veterano de 42 anos, Alderete disputou vários cinturões regionais, entre as categorias leve, meio-médio-ligeiro, e meio-médio, tendo sido campeão Mundo Hispano do CMB em 2005, na divisão até 63,5 quilos. Tem se apresentado como peso-médio, à exceção de seu último combate, citado acima, contra Angelo Baez. Pode não atingir os 66 kgs, mas Popó pode também ainda estar pensado nos médio-ligeiros, no curto prazo.

Pablo Cesar Cano (28-4-1, 21 ko's)


Imagem: goldenboypromotions.com

Como é peculiar nos mexicanos, Pablo Cesar Cano já é experiente apesar dos 25 anos de idade. Em 2011 disputou e perdeu o título vago CMB dos meio-médio-ligeiros perante o lendário compatriota, Erik Morales. Chegou ao título interino da categoria pela AMB em 2012, mas abandonou-o para enfrentar Paul Malignaggi três meses depois valendo o cinturão dos meio-médios, em disputa que perdeu por pontos. No ano seguinte, amargurou derrota na sequência para Shane Mosley, também via decisão dos juízes. Vem alternando vitórias e derrotas desde então, sempre como meio-médio.

Pablo Munguia (22-8, 13 ko's)


Imagem: BoxingSherpa.com

Aos 36 anos, Munguia não possui muitos destaques na carreira, além do fato de ter sido campeão Mexicano dos meio-médios e interino latino da OMB, no mesmo limite de peso. Tem algumas vitórias interessantes, como a sobre o duas vezes desafiante ao título mundial dos leves Antonio Pitalua, em 2012, mas nada que nos faça brilhar os olhos. È um adversário plausível, pois faz carreira internacional, e possivelmente aceitaria o combate, que, devido à seu histórico, poderia valer algum cinturão regional que esteja vago, por exemplo.
 

 

É bom lembrar que esta análise leva em conta a nossa opinião, apenas, pelo que observamos da modalidade atualmente. Não há nenhum indicativo de que algum destes adversários possa ser o próximo para Acelino Freitas por parte de sua equipe, ou até mesmo da imprensa especializada. Porém, os lutadores listados poderiam, sim, fazer parte de uma trilha para o campeonato mundial dos meio-médios, não só para Popó, como para qualquer pugilista, principalmente latino, que tenha a mesma ambição.

O sucesso na divisão até 147 libras é o mais difícil dentre todas as categorias do boxe, hoje. Além dos campeões Floyd Mayweather Jr. (CMB e “Super”AMB), Keith Thurman (AMB “Regular”), Timothy Bradley (OMB) e Kell Brook (FIB), nomes como Manny Pacquiao, Amir Khan, Danny Garcia e Shawn Porter povoam a categoria, hoje a de maior qualidade no pugilismo mundial. Seria sensacional para nós brasileiros, ver Popó figurando entre estes lutadores.

Há que se dizer, portanto, que Freitas não escolheu o caminho mais fácil para um título do mundo. Nos médios-ligeiros, aonde realizou seus dois últimos combates, Acelino teria combatentes de menor expressão pela frente. O campeão CMB/AMB é Mayweather, que não se apresenta oficialmente na categoria desde 2013, tendo preferido a divisão de peso abaixo desta. O detentor do cetro “regular” da AMB é Erislandy Lara, talvez o pugilista mais complicado, oficialmente das 154 libras. Miguel Cotto e Saul “Canelo” Alvarez, apesar de naturalmente abaixo dos médios, disputam o cetro dessa categoria em 21 de Novembro, não estando nos 69,9 quilos, pelo menos por enquanto. A parcela mundialista da OMB está vaga, e será pelejada por Liam Smith (20-0-1, 10 ko's) e John Thompson (17-1, 6 kos), na Inglaterra, em Outubro. E a cinta da FIB pertence à Cornelius “K-9” Bundrage (34-5, 19 ko's), que na opinião deste autor, e de algumas pessoas com quem pude conversar, de fora do Brasil, seria batido por Popó se este apresentasse a mesma ferocidade que teve diante de Mateo Veron, porém, Bundrage já tem defesa complicada de título contra Jermal Charlo (21-0, 16 ko's), agendada para Setembro.

E para você, nosso leitor, quem Popó deveria enfrentar na sequência?

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