Entrevistas

Publicado em 14 de Setembro de 2015 às 17h:42

Entrevista: Deontay "The Bronze Bomber" Wilder

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Autor Daniel Leal

Quando nosso amigo e pugilista, Raphael Zumbano nos disse que participaria de mais um treinamento do título mundial dos pesados pelo CMB (é a 5ª disputa de título/eliminatória consecutiva do Conselho Mundial de Boxe em que Raphael é chamado para participar dos treinos), a conversa se desenrolou para o passado, quando ele nos havia ajudado a entrevistar, na Alemanha, Luan Krasniqui e Cisse Salif. Zumbano veio com a idéia: “Vocês querem os contatos do pessoal do Wilder? Quem sabe não fazer uma entrevista com eles?” A resposta não poderia ser outra que não “P#$%@, claro que sim!”.

E aqui está. Hoje, 14 de Setembro, dia do Boxeador, temos o privilégio de divulgar esta entrevista com ninguém menos que Deontay “The Bronze Bomber” Wilder (34-0, 33 ko's), o detentor do cinturão dos pesos-pesados pelo CMB. Muito solícito, respondeu á todas as nossas perguntas, mesmo durante a fase final da preparação para a segunda defesa de seu boldrié, diante de Johann Duhaupas (32-2, 20 ko's) no próximo dia 26 de Setembro, em Birmingham, Alabama. E ainda gravou um recado para nós, que você confere no final da matéria.

Sem mais delongas, fiquem com Deontay "The Bronze Bomber" Wilder!

 

Round13: Primeiramente gostaríamos de agradecer, Deontay, por parar seu “training camp” para conversar com a gente. É uma honra para nós entrevistarmos o Campeão Mundial dos Pesados pelo CMB.

Wilder: Feliz por falar com vocês, caras!

Round13: Aqui no Brasil nós temos acesso ás suas lutas desde que você era apenas uma promessa, então podemos dizer que conhecemos seu boxe muito bem, mas e a respeito do Brasil, o que você conhece sobre nosso país e nosso boxe?

Wilder: Eu sei que vocês farão as Olímpiadas, e, se eu puder, espero estar aí. Aqui na Universidade do Alabama nós temos uma jogadora de vôlei amiga minha que é brasileira, e me falou sobre o Brasil, mas não sei muito a respeito do boxe aí.

Round13: Sua carreira nos amadores foi bem acelerada, vindo de menos de 30 lutas para as Olimpíadas, e daí a medalha de bronze. Você, em algum momento, já pensou que deveria ter passado mais tempo como amador?

Wilder: Não. Uma vez que eu ganhei a única medalha pros EUA, eu sabia que não restava mais nada á fazer, então virei profissional.

Round13: Você é conhecido por ter mãos pesadas, com uma porcentagem ridiculamente alta de nocautes. Você pensa que os outros lutadores o temem devido á isso?

Wilder: Eu sei que eles pensam “o Deontay bate assim tão forte”? Eu posso ver isso nos seus olhos. Apesar disso eu sei boxear também se precisar, como eu fiz com Stiverne quando machuquei minha mão.

Round13: Aqui no Brasil o que mais se fala sobre você é “Quando ele vai lutar com o Klitschko?”, então, Deontay, você pode nos dizer se isso é uma possibilidade e quando podemos esperar que isso aconteça?

Wilder: Primeiramente vem Duhaupas [Nota: Johan Duhaupas, seu próximo adversário]. Não há luta com Klitschko sem uma vitória em 26 de Setembro, mas 'Wilder vs. Klitschko' não é sobre “se” vai acontecer e sim “quando” vai acontecer, porque vai acontecer em 2016.


Imagem: Boxing News Online

Round13: E sobre Povetkin, alguma possibilidade de lutar com ele?

Wilder: Povetkin é o desafiante mandatório. Ele tem uma luta marcada, eu também, então depois disso nós faremos nossa luta. Essa é uma grande luta pro mundo do boxe!

Round13: O que você pensa sobre os pesos-pesados hoje em dia, e a recente dominância dos Klitschko? O que acha do estilo deles?

Wilder: Existem vários lutadores chegando agora. O boxe está subindo agora. As pessoas amam ter um campeão americano dos pesos-pesados, e eu sou o homem certo pra esse serviço. Klitschko é ótimo no que ele faz. Ele é efetivo. Ele estará no Hall da Fama, então não dá pra desmerecê-lo. Ele tem mais cinturões, mas eu tenho o cinturão mais importante. É por isso que teremos que lutar.

Round13: E sobre Johann Duhaupas, seu próximo adversário? O quanto você sabe dele?

Wilder: Eu não vejo tapes, meus treinadores vêm. Eu sei que ele é grande, forte, resistente e vem da maior vitória na carreira, mas ele nunca viu algo parecido comigo.

Round13: Sua única vitória sem ser por nocaute foi diante de Bermane Stiverne, quando você conquistou o título. Você pensa em voltar a lutar com ele, para nocauteá-lo numa revanche?

Wilder: Não. Eu fiz o que eu queria fazer, e respondi todos os questionamentos sobre se eu consigo aguentar 12 rounds, aguentar tomar socos, e tudo isso. Eu ganhei quase todos os rounds, então ninguém quer ver uma revanche. E ainda, Bermane não lutou nenhuma vez desde então, eu estou indo pra segunda luta desde que ganhei o título.


Imagem: BBC

Round13: Nós achamos que ganhar o título mundial dos pesados deve ser o maior sonho na carreira de um boxeador… Isso é uma realidade para você agora. Então, quais são seus sonhos e objetivos á serem alcançados no boxe, de agora em diante?

Wilder: Eu quero todos os cinturões. Eu quero me estruturar para a vida depois do boxe. Eu quero tornar todos os meus sonhos realidade e isso requer muito trabalho duro. É por isso que eu estou na academia todos os dias.

Round13: Você tem algo mais á dizer para os fãs brasileiros do Round13 que estão lendo esta entrevista agora?

Wilder: Sim, eu quero dizer que o Raphael Zumbano “Love” está nos treinos fazendo sparring comigo e me dando bastante trabalho. Meu treinador Jay contatou o “cara” do Zumbano, Mike (Miranda). Nós trouxemos ele do Brasil pois sabíamos que ele poderia nos ajudar. Nós estamos ansiosos pra tê-lo de volta nos treinos com a gente. Ele é um cara legal, e realmente um bom lutador. E para todos os meus fãs aí no Brasil: BOOOOOMB SQUAAAAAD!

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