Entrevistas

Publicado em 26 de Junho de 2008 às 00h:00

Entrevista: Lino Barros

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Autor Daniel Leal

Imagens: Arquivo Pessoal

*Entrevista originalmente publicada em 26/06/2008

A entrevista quase furou! O atarefado pugilista nacional, Laudelino Barros (27-2, 25 ko’s), teve que adiar a entrevista que havíamos marcado devido a viagens e ao cancelamento – pelo menos por enquanto – de seu combate frente ao boliviano Saul Farah (31-4-2, 25 ko’s), que irá para a Austrália em sua próxima luta.

Após algum custo, conseguimos entrevistá-lo de longe, sem ser pessoalmente. Fizemos isso em respeito aos leitores do site, tanto que nem fotos do nosso amigo Lino conseguimos tirar.

De mais à mais, esperamos que vocês gostem e conheçam mais sobre este que é um dos melhores lutadores brasileiros na atualidade e que pode conquistar muita coisa para o país em um futuro não muito distante.

Com vocês, Lino Barros!

R13: Em primeiro lugar, gostaríamos de saber o que acontecer para a luta contra Saul Farah ter sido adiada e como você se sente com relação a isso.
Lino: Sinto-me muito triste porque estava treinando muito pra data marcada, mas, tudo bem. Os promotores do evento adiaram a luta devido problemas de corrupção na prefeitura de Juiz de Fora, mas estou buscando alternativa em outras cidades para a realização dessa luta.

R13: Vamos falar sobre o seu início. Como, quando e por que começou a lutar?
Lino: Nasci na cidade de Bonito em Mato Grosso do Sul, mas cresci em Alto Alegre, interior de São Paulo, cortando cana no período do dia e a noite fazia caratê, foi quando vi que tinha boas condições para ser lutador. Na época eu vi boxe pela TV, procurei o prefeito da cidade falei que queria ser um boxeador, pois ele tinha um certo conhecimento com a prefeitura de Osasco, foi onde iniciei o boxe na data de 25 de agosto de 1995. Dia 13 de outubro 1996 fui consagrado campeão dos jogos abertos em Bragança Paulista, ali mesmo fui chamado para treinar juntamente com a seleção brasileira de boxe porque fui o atleta revelação da competição.  

R13: Que tipo de apoio você recebe (patrocínio, ajuda, etc)? Alguma mensagem para quem queira te apoiar?
Lino: Tenho patrocínio da UDIAÇO desde 1996, mas no longo da minha carreira tive pessoas físicas amigas que sempre me ajudaram, hoje tenho apoio do Willian Paiva, que é um homem que impressiona pela sua honestidade e pelo respeito que ele tem pelos boxeadores independente de nível, porque para ele e para sua família o que importa é o ser humano, por isso eles têm uma academia a mais de 13 anos sendo ela a melhor de SP.

R13: Você defendeu a seleção brasileira de boxe amador nos Jogos Panamericanos de Winnipeg, em 1999, conquistando a medalha de prata (derrotado por Humberto Savigne, de Cuba na final), e nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000, onde foi derrotado na primeira rodada pelo australiano Danny Green, que mais tarde seria bicampeão mundial em duas categorias diferentes como profissional.O que isto acrescentou para você hoje como profissional?
Lino: Para mim não acrescentou nada, mas fico triste por o Brasil não apoiar o nosso esporte. Só para lembrar Hugo Garay, da Argentina, disputou o titulo do mundo duas vezes sendo que, como amador, derrotei ele nos Jogos Panamericanos.

R13: Em Winnipeg-99, o Brasil conquistou 2 medalhas de prata e duas de bronze. Nas Olimpíadas de Sidney, eram 6 vagas, e nenhum brasileiro passou da 2ª rodada. Já no Panamericano do Rio de Janeiro, em 2007, o Brasil conquistou 1 ouro, 1 prata e 6 bronzes. Porém, a quantidade de vagas nos Jogos Olímpicos de Pequim é a mesma da época em que você defendia a seleção. Quais as mudanças que você viu no boxe amador brasileiro nesses anos, e quais suas expectativas para o desempenho dos nossos pugilistas este ano, na China?
Lino: Vale lembrar que a estrutura de hoje é bem melhor, mas não é o ideal. Na minha época, em 4 anos, fizemos intercâmbio só em uma oportunidade, quando fomos para a Rússia, e não tínhamos ajuda mensal. Oito anos depois fico feliz porque vejo nossos atleta com remuneração mensal através do programa bolsa atleta e também pela Confederação Brasileira de Boxe.Minha expectativa é que o Brasil traga um resultado positivo, pois em nossos intercâmbios nos últimos anos tivemos bons resultados a nível internacional.

R13: Você iniciou sua carreira profissional em 2001, quanto tínhamos Acelino Freitas, o “Popó”, como campeão mundial. Depois dele, apenas Valdemir Pereira, o “Sertão”, conseguiu um título desses para o nosso país. Você acha que algum brasileiro tem chances reais de conquistar mais um cinturão no atual cenário do boxe mundial?
Lino: Sim, alguns lutadores, mas, precisamos nos preparar melhor lutando com oponentes melhores.

R13: Você venceu Vinson Durham e Fred Moore nos dois primeiros combates seus nos EUA, ambos por nocaute. Em seguida, enfrentou o americano Danny Batchelder (25-5-1, 12 KOs), e acabou derrotado por decisão dividida (scores 112-116, 112-116, 115-113). Conhecendo a vantagem que lutadores locais levam nos pontos em lutas realizadas no seu país, gostaríamos de saber como foi essa sua primeira derrota. O resultado foi justo?
Lino: Não! Meu primeiro combate foi com o americano Dennis Matthews e minha primeira derrota influenciou muito na minha carreira, na qual eu estava bem ranqueado nos três melhores órgãos mundiais, mas, por outro lado foi bom por ter a certeza que eu não podia lutar no meio-pesado e sim no cruzador, pois tirava muito peso para o meio-pesado, e também para saber quem era meus amigos de verdade, muitos que diziam ser meus amigos sumiram quando eu perdi.

R13: Sua segunda derrota como profissional foi frente ao alemão Grigory Drozd (29-1, 22 KOs), hoje rankeado pelas 4 principais entidades do boxe mundial (#2 OMB, #3 AMB, #8 CMB/FIB). Conte-nos sobre aquela luta e sobre a sensação de acabar tendo sido nocauteado pela primeira vez.
Lino: Não tenho muito para falar, só lembrar que fazia 1 ano sem lutar e minha ultima luta foi com um adversário fácil, que é o problema do Brasil.

(Pergunta do internauta): Como foi ser sparring do ex-campeão mundial dos pesados, Sultan Ibragimov na russia?
Lino: Aprendi muito, e passei a ser respeitado por ele e pela sua equipe porque para mim boxeador só fala uma língua (língua dos punhos), até hoje nos falamos. Um certo dia na Rússia o treinador da equipe da Rússia viu meu sparring com o Sultan e perguntou se eu era brasileiro, eu falei que era, ele começou a rir e falou que brasileiro é bom de futebol, não acreditou e falou que eu aprendi boxe em outro país, eu falei que tinha aprendido no Brasil, mas, em cinco oportunidades, fui à Cuba quando amador.
Daí ele falou: Você é um bom lutador!  

R13: Em qual lutador você se inspira? Tem algum grande ídolo no boxe?
Lino: Alguns,Tyson,Roy Jones,Terry Norris, Chaves,Hollyfield,Sugar Ray Leonard.

R13: Vamos falar do futuro, Lino. O Alex (de Oliveira), quando o entrevistamos, nos disse que você estava indo para os EUA treinar e lutar. Você vai mesmo? Irá treinar aonde, com quem?
Lino: Estou tentando lutar com o americano Felix Cora Jr. aqui no Brasil nesse segundo semestre, ele é um lutador de primeira linha do boxe mundial, então para lutar com ele vou para os EUA.

R13: Já existe alguma luta marcada ou especulada para você fora do país?
Lino: Não.

R13: Para você, quem é o melhor lutador de sua categoria atualmente? E agora que o Floyd Mayweather parece ter se aposentado, pra você quem é o melhor em todas as categorias?
Lino: É um inglês (Nota R13: Lino se referia á David Haye). Para mim não tem nenhum super campeão fora ele. Os outros só são campeões.

R13: Algum último recado para os leitores do Round13, ou para alguém que você gostaria que lesse a entrevista?
Lino: Obrigado pelo carinho, para as pessoas que gostam do Lino Barros e parabéns ao Round 13 pelo trabalho.

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