Entrevistas

Publicado em 06 de Outubro de 2007 às 00h:00

Entrevista: Marcus Vinícius de Oliveira , o "Ratinho"!

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Autor Daniel Leal

Imagens: Arquivo Round13

*Entrevista originalmente publicada em 06/10/2007

Nós do Round13, nunca medindo esforços para divulgar nosso esporte no país tivemos a ótima oportunidade de entrevistar uma de nossas apostas para o futuro do boxe nacional e sensação do "Sábado Campeão" da Rede TV, Marcus Vinícius de Oliveira, mais conhecido como Ratinho, campeão brasileiro dos super-médios. O jovem pugilista e seu empresário, Luiz Carlos Gonsalez, concederam entrevista ao nosso site no último dia 29 de Setembro em Santos. Com vocês, a primeira entrevista do Round13!

R13: Ratinho, em qual categoria você pretende seguir carreira fora do Brasil, em qual você se sente mais confortável?
Ratinho: Hoje sou campeão brasileiro super-médio e pretendo me manter nessa categoria, é onde me sinto mais à vontade. Hoje, no Brasil, a melhor pegada de super-médio é a minha, e até em meio-pesado eu estou na média de bons batedores.
Eu me sinto à vontade em super-médio assim como o Popó se sentia à vontade em super-pena, isso porque a força dele fazia diferença na hora da luta, apesar de que eu não dependo só da força. Eu tenho também uma boa variação técnica.
Futuramente pretendo aumentar de peso, mas hoje não tenho esse interesse.

R13: Hoje você tem algum patrocínio, algum apoio além do Luiz, seu empresário?
Ratinho: Ainda não temos um patrocínio que banque todos os gastos, temos a Côco-Loco que atua na área de confecções de roupas e me fornece os roupões, agasalhos, etc. O pessoal está se interessando muito, então acredito que pra frente às coisas irão melhorar.

R13: Você tem alguma mensagem para quem queira te patrocinar?
Ratinho: Assistam minhas lutas, me acompanhem, você que me conheceu um tempo atrás (Denis, da Equipe Round13) viu que eu estava em uma situação difícil e vê que hoje estou melhor. E o que eu fiz daquele tempo para cá? Treinei e lutei! Para os patrocinadores me apoiarem tenho que continuar lutando. Então não demorará para eu conseguir um patrocínio.

R13: Como você começou a praticar boxe?
Ratinho: Comecei os treinos em 2002, seguindo as orientações de meu pai, praticando boxe olímpico no Ibirapuera. Antes de começar a treinar sempre assisti lutas de boxe, meu pai sempre me acordava pra assistir a luta do George Foreman, Julio Cesar Chaves, De La Hoya e companhia. Então eu peguei um certo carisma pelo boxe.
Eu sempre fui briguento, brigava na rua, brigava muito mesmo. Todo mundo me comentava: Pô Ratinho você briga muito! Aí um dia eu conversei sobre isso com meu pai e ele me disse: Olha Marcus vai lá no Ibirapuera que eu boto você na linha. Como meu pai tinha alguns contatos no Ibirapuera (pois treinava desde 1980), me levou lá para treinar com o famoso Gomes, treinador do Marinho, Mauricio Amaral, foi treinador de muitos lutadores bons.

R13: Contra quem e quando será sua próxima luta?
Ratinho: Deixo essa para o meu empresário, o Luiz.
Luiz: Agora o Ratinho é campeão brasileiro, então o desafio está em aberto, estamos próximos de decidir se disputaremos o título Sul-Americano ou o Latino.

R13: Hoje qual é o seu cartel exato?
Ratinho: Dez lutas, nove por nocaute.

R13: Você prefere partir para títulos mundiais ou defender por algum tempo os títulos Latinos após a conquista?
Ratinho: Não sou de negar luta não, às vezes até me acho errado por pensar assim, porque no boxe você tem outros caminhos. Vamos supor que eu fosse enfrentar o Joe Calzaghe ou Mikel Kessler. São dois monstros! Eu poderia até me machucar em um combate desses, são lutadores que estão em outro nível. Então primeiro quero consolidar meu nome na América do Sul para depois pensar nos EUA, quero defender esses títulos por um tempo após conquistá-los.

R13: A gente viu seu sparring com o Peter Venâncio, vocês lutam sempre á sério assim em todos os treinos? O que treinar com um cara tão experiente acrescenta para você?
Ratinho: O Venâncio é um excelente lutador, não tenho dúvidas quanto a isso. E não foram poucos treinos, treinamos bastante juntos. Eu aprendi bastante, posso dizer que estou usando mais o boxe ao meu favor, cresci bastante, preenchi mais meu currículo, melhorei em alguns fatores técnicos que estavam pendentes como esquiva de cintura, pois ele ataca muito em golpes retos.
Comecei também a contra-golpear mais em cima. Passava um, dois e eu batia, eu já não esperava passarem mais cinco golpes para pegar a boa. Ele manda um, dois e eu já batia, saia e entrava de novo.
Eu aprendi a atacar de acordo com o ataque dele, já não esperava seus ataques para depois começar o meu.
Foi realmente muito bom pra mim treinar com o Peter Venâncio.

R13: Todo mundo percebeu que você lutou muito bem contra o "Rapadura" Guedes. Existe mais alguém que você deseja vencer no Brasil?
Ratinho: Todos! Qualquer desafiante. Dizem que tem um tal de Joílson Gomes , um baiano que quando era amador tinha muito crédito, era top mesmo, mas como profissional nunca mais o vi (Análise R13: cartel ~17-2 , 14 ko's. Lutou 6 vezes nos EUA, fazendo campanha contra bons lutadores e perdendo apenas um combate. Seria um grande teste para Ratinho!). Mas estou aqui esperando ele, aliás, espero todos! Pode ser o Joílson, Kong da Bahia, do Pará, de São Paulo, estou esperando todos, todos...

R13: Teve alguma luta em que você teve dificuldade na sua carreira?
Ratinho: Minha maior luta até então foi mesmo contra o Rapadura, eu pensava desse modo: O Rapadura é um cara experiente, catimbeiro, esperto, sabe dar bons golpes. Mas não me intimidei porque levava em conta que ele estava com 34 anos e, apesar de já ter sido campeão, já tinha acumulado seis derrotas, três delas por nocaute. Então pensei: O Rapadura já foi castigado, vem de um nocaute na Alemanha, a maior potência dos golpes é a minha, depois que eu acertar um ou dois golpes vai passar a vida inteira na cabeça dele, você pode ver que no final da luta ele já estava entregue, mas eu não podia parar, tenho que ir até o fim.
É um aviso para meus adversários, com o passar da luta eu fico mais solto, vou crescendo conforme passa a luta, vejam essa luta contra o Rapadura, no quarto round eu ainda estava crescendo.

R13: Você gostaria de estar treinando com algum técnico em específico?
Tem um cara muito bom, o técnico do Carlinhos Furacão, o Paulo Duarte, ele realmente é muito bom. Apesar de eu estar contente com meu atual técnico, o André Lopez que é muito bom.

R13: Hoje você se considera o melhor super-médio do país?
Ratinho: Eu sou o melhor super-médio do país, e não é só porque sou campeão brasileiro, é porque sou o melhor mesmo. Quando se fala em super-médio se lembra do Ratinho.

R13: Tem algum lutador que você gosta muito ou algum que você se inspira?
Ratinho: Olha, o Shane Mosley ao passar dos anos ele foi ficando cada vez melhor, me agrada muito. James Toney me agrada muito também apesar de estar muito gordo (risos). De La Hoya também gosto muito. (Seu empresário sugeriu: Mayweather?) Não, Mayweather não me agrada não.
Mas o que me agrada mesmo é o Felix Trinidad, acho ele fantástico.
Na defesa acho que o Foreman era muito bom, o melhor peso-pesado na minha opinião.

R13: Quanto tempo você acha que levará para chegar no nível de Joe Calzaghe e Mikel Kessler?
Ratinho: Eu conversava sobre isso com meu empresário enquanto vinha para a entrevista. É meio difícil dizer isso, mas se dependesse do meu talento e se tudo desse certo, com um bom promotor me acompanhando nas lutas, acredito que em um ano e meio ou dois estaria no topo do mundo.
Até lá o domínio não será desses caras. Joe Calzaghe tem 34 anos, se perder para o Mikel Kessler vai parar, tenho certeza. Mas o Joe Calzaghe, por exemplo, não é um lutador imbatível. É um ótimo lutador, mas não é um Roy Jones que você logo pensa: Meu Deus, vou lutar com o Roy Jones Jr!

R13: Qual a sua visão com relação à "proteção" que um lutador recebe quando luta em casa?
Ratinho: Acho que não terei problemas com isso, porque sou um lutador bem concentrado e sou nocauteador, não dependo de pontos para ganhar a luta. Meu uppercut de direita é capaz de derrubar qualquer super-médio do mundo.
No momento em que entrar um golpe meu pra valer pode ser qualquer um, pode ser o Jermain Taylor, quem for. Aí eu estou no meu mundo, vou pra cima.

R13: Sua característica principal como boxeador é a força?
Ratinho: Não seria a força não, seria uma combinação de fatores. Eu tenho técnica, altura, a maior pegada de super-médios do Brasil, esquiva, vontade, sou pobre e quero ficar rico. Seria o conjunto que faz de mim um lutador muito bom. O Dal Rovere comentava que eu era quase um lutador perfeito porque não tinha movimento de cintura, nessa última luta mostrei o movimento de cintura o que fez a mídia brasileira me considerar um lutador perfeito, isso era o que me faltava. Falta agora eu provar isso no cenário mundial.

R13: Alguma palavra para seus fãs?
Ratinho: Para continuarem me acompanhando, seja na Rede TV ou onde for. Agradeço pelo apoio nas cidades onde passei, todos me apoiaram com faixas e seus gritos, os prefeitos vinham conversar comigo, agradeço também a minha família, a meu filho e a Deus principalmente.
Agradeço ao Bernardo com seu apoio político em minha luta.
Daqui a um ano ou dois eu quero ser para os outros o que o Popó foi pra mim, um exemplo. Eu tenho um carisma com as pessoas e quero servir de exemplo para elas, para meu filho, por exemplo. Quero ver um dia ele dizendo na escola: Meu pai luta, ele trabalha pra caramba!
Esse é o meu sonho, servir de exemplo.

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