Entrevistas

Publicado em 15 de Julho de 2008 às 00h:00

Entrevista: Saul "El Fenix Asesino" Farah

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Autor Daniel Leal

Imagens: Arquivo Pessoal

*Entrevista originalmente publicada em 15/07/2008

Estamos guardando essa entrevista desde que a luta entre Saul Farah (32-5-2, 26 KOs) e o brasileiro Laudelino Barros, o Lino (27-2, 25 KOs), foi anunciada pela primeira vez. O evento, que ocorreria na cidade mineira de Juiz de Fora no dia 28 de Junho, acabou adiado. Mas, após uma longa espera, a luta foi remarcada, e ocorrerá no dia 1º de Agosto.
Nesse meio tempo, Farah lutou duas vezes. Na primeira delas, bateu por nocaute o compatriota Paul Solares. Na outra, acabou nocauteado pelo australiano Lawrence Tauasa (30-5-1, 17 KOs), em combate realizado na Austrália no início deste mês.
“El Fenix Asesino”, como é conhecido o boliviano em seu país natal, se mostrou muito atencioso com a mídia brasileira, e falou sobre sua carreira e suas expectativas para a luta frente a Lino Barros. Fã de futebol, o boliviano de apenas 25 anos se diz muito contente em ter uma chance de lutar no país de Acelino “Popó” Freitas. Com vocês, mais uma entrevista exclusiva do Round 13.

R13: Primeiramente, fale um pouco sobre a sua carreira, e suas expectativas para o futuro.
Saul Farah: Em minha carreira como boxeador profissional, desejo conseguir uma chance dourada, que me leve a uma melhor condição em curto prazo. Posteriormente, quero disputar um Título Mundial, que é o sonho de todo boxeador. Creio que poderei alcançar isso, tenho um bom cartel e tenho condições.

R13: Como se deram as negociações para a luta contra o Lino Barros?
Farah: Através de contatos e relações de amizade comuns. Conheci o boxeador brasileiro Giovanni Andrade assim. Ele então me apresentou ao pugilista Laudelino Barros, me passou seu MSN, e o Laudelino me ofereceu um possível combate. Ele perguntou se eu estava em condições de lutar e eu disse que sim. Falei ao telefone com o Lino e com o Giovanni, os conheci melhor, e assim fechamos a negociação para a luta dia 1 de agosto.

R13: O que você conhece sobre o Lino?
Farah: Conheço ele apenas por referências na Internet, não o conheço pessoalmente. Sei da boa reputação esportiva que ele tem, que é muito bom e que bate muito forte. Sei também que tem 25 nocautes em 27 vitórias. É um grande boxeador, infelizmente não tem um bom manager que possa levá-lo para grandes lutas.

R13: O que você pensa sobre a luta do dia 1º?
Farah: Penso que será uma grande luta, e uma ótima oportunidade para mim, por poder enfrentar um lutador de elite e de classe como Lino Barros. Sei que ele é muito forte, que será o lutador local, estará na frente da sua gente, do seu público, os juízes serão daí. Eu estarei sozinho, mas não tenho problemas com isso, devo apenas ir e fazer o meu trabalho. Ganhará o que melhor fizer o seu trabalho. Creio que serei eu, confio em mim, na minha pegada, no meu coração, na minha resistência, na minha juventude. O melhor vencerá.

R13: Como é o seu estilo de luta?
Farah: Sou um lutador de estilo mexicano. Vou para o choque frontal. Espero que Lino lute comigo como um homem. Minha mensagem para o Lino é: espero que não seja como o porto-riquenho campeão mundial Ivan Calderon (Nota R13: cartel de 31-0, 6 KOs; ex-campeão mundial peso palha pela OMB, e atual campeão mundial peso mosca-ligeiro, também pela OMB), que corre a noite toda pelo ringue como uma mulherzinha. Espero que você, Laudelino, venha lutar comigo. Lute comigo, não fuja. Você não precisará ir atrás de mim na luta, você já me terá ali, só eu e você. Poderá estar na frente da sua gente, na frente de milhares dentro da sua casa, mas quando subirmos no ringue, seremos só nós dois e o árbitro. Te deixarão sozinho. E ali definiremos quem merecerá ser o vencedor dessa luta.

R13: Qual é o seu cartel correto?
Farah: Meu cartel é de 32 vitórias, 5 derrotas, 2 empates, e 1 luta sem decisão. Tenho 26 vitórias por nocaute.

R13: Quem foi o seu adversário mais difícil até hoje?
Farah: Carl Davis Drumond (Nota R13: costa-riquense; cartel de 25-0, 19 KOs; já venceu os brasileiros Adenilson “Maguilinha” Rodrigues e Edegar “Alazão” da Silva, ambos por nocaute). Foi uma luta pelo cinturão latino de peso pesado pela FIB. O combate foi na Costa Rica. Eu fui para cima dele, e na troca de golpes, tudo ia bem. No primeiro round, foi tudo bem. No segundo, saí para pressioná-lo. A luta estava parelha, mas eu me descuidei nesse intercâmbio de golpes. Ele me acertou um golpe limpo no fígado, que acabou com o meu ar. Consegui superar a contagem, mas ele veio para cima de novo, e me acertou novamente, dessa vez na boca do estômago, me nocauteando de vez. Ele não machucou meu rosto, nem relou na minha cara, só bateu embaixo. Eu, honestamente, não estava preparado praquela luta, haviam me confirmado de última hora. Além disso, a luta foi pela categoria peso pesado, e agora lutarei no meu peso natural, que é cruzador.

R13: Você teve um início de carreira profissional difícil, perdendo duas e empatando uma de suas três primeiras lutas. Como foi isso para você? Qual foi a sua motivação para continuar?
Farah: Sei que iniciei mal, mas continuei na batalha. Minha motivação foi quem tenho em mente. Não me renderei jamais. Estreei com 19 anos, contra um lutador mais experiente que eu. Não fui tão bem, mas melhorei, e aqui estou. Por isso é que me chamam de “Fênix Assassino”, porque renasço das cinzas. Devo alcançar minhas metas, uma chance por título mundial, e depois voltar. Quero isso pela minha gente, pelo meu país, pelos meus. Darei o melhor de mim, nem que me custe a vida. Sei que não é fácil, mas creio que conseguirei, pois tenho grandes relações internacionais no mundo do boxe. Minha chance chegará.

R13: Quem são, para você, os grandes lutadores da categoria cruzador no mundo?
Farah: Entre os melhores do passado, temos Evander Holyfield, um cruzador que subiu para o pesado, e James Toney, um grande campeão cruzador. Atualmente, temos o francês Jean Marc Mormeck. Mas, o melhor de todos é o ex-campeão cruzador David Haye, que agora subiu para o pesado.

R13: O que você acha de lutar no Brasil?
Farah: É uma oportunidade para eu me tornar conhecido na América do Sul, e é uma motivação lutar no Brasil, pois daí veio o “Popó” Freitas. Para mim será uma honra poder lutar no Brasil, respeito muito o seu país. E há muitas mulheres bonitas aí.

R13: Você tem alguma luta disponível na Internet, para podermos vê-lo em ação antes do dia 1º?
Farah: Não, não tenho.

R13: O que você conhece sobre o boxe brasileiro? Conhece algum lutador daqui?
Farah: Conheço Lino Barros, é muito respeitado no Brasil, é um grande boxeador, mas volto a repetir: não estão sabendo aproveitar e explorar o seu potencial. Seus managers estão vacilando, pois se ajudarem-no, ele poderá ser um campeão mundial. Também conheço o Freitas, que foi uma lenda para o boxe daí. Conheci  outros brasileiros, eles são radicados na fronteira do meu país. Mas eles não são fortes, não têm comparação com o Lino.

R13: Quem são seus ídolos no boxe?
Farah: Ídolos não tenho nenhum, o único ser que amo é Deus. Quanto aos boxeadores que admiro bastante são os melhores de todos os tempos, como Ali, Joe Louis, Rocky Marciano, Sugar Ray Leonard, Sugar Ray Robinson. Entre os pesados dos últimos tempos, gosto muito dos irmãos Vitali e Wladimir Klitschko.

R13: O que você sabe sobre o Brasil?
Farah: Que é um país muito grande, muito lindo, turístico, que tem lindas mulheres e o melhor futebol do mundo. Gosto do Cruzeiro, onde o boliviano Marcelo Moreno jogava. Aqui, gosto do Real Mamore e do Bolívar, ambos times da primeira divisão boliviana.

R13: Alguma mensagem para o público brasileiro?
Farah: Que apóiem seus esportistas brasileiros de qualquer área, que mantenham o respeito nos eventos em que assistam, e que sempre conservem a paz, para o bem do Brasil e do mundo. Amém.

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