Pós-Luta

Publicado em 10 de Dezembro de 2017 às 02h:49

Após domínio e lesão, mais um desiste diante de Lomachenko.

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Autor Daniel Leal

Em noite decepcionante para os fãs do esporte, Guillermo Rigondeaux desiste do confronto depois de seis rounds devido à lesão na mão esquerda, segundo ele. Em nossa visão, no entanto, a possível fratura foi apenas um dos fatores decisivos. (Imagem: Top Rank)

O ucraniano Vasyl “Hi-Tech” Lomachenko (10-1, 8 ko's) e o cubano Guillermo “El Chacal” Rigondeaux (17-1, 11 ko's) batalharam pelo cinturão OMB dos super-penas, então em posse do primeiro, no Madison Square Garden Theater, em Nova Iorque na madrugada deste sábado em uma contenda em que esperava-se ser extremamente tática e que culminou na vitória do primeiro por nocaute técnico após desistência do desafiante no sexto intervalo.

A justificativa do astro de Cuba foi uma lesão na mão esquerda. Entretanto, parece-nos claro que, se estivesse impondo domínio sobre o brilhante boxeador da Ucrânia, a retirada de combate seria repensada. O que ocorreu, porém, foi o contrário.

O primeiro round já deixou fixado o quanto Lomachenko estava preparado para o jogo de Rigondeaux. Em todos os momentos ele respeitou a esquerda em contra golpe, o suficiente para não se deixar ser acertado durante aquele período. No segundo, o cubano passou a agarrar as mãos de Vasyl no clinch e a luta ficou mais quente com o ímpeto do ucraniano, que até ali era melhor.

“El Chacal” pouco fazia até o final do quarto assalto, sendo constantemente dominado no jab e eventualmente atingido por esquerdas precisas. As sequências de duas ou três direitas já abriam espaços para as combinações de Loma, cada vez mais nervoso com as provocações e faltas de seu contendor na primeira metade do confronto, que teve um ponto descontado durante a sexta passagem, depois de travar os punhos de “Hi-Tech” mais uma vez e, logo após isso, pareceu sentir bons punches, segurando-se para não ir ao solo.

Antes de voltar do descanso, o corner azul decidiu retirar-se. É interessante notar que Guillermo não pareceu, em nenhum momento, segurar seu contra-ataque poderoso com aquela mesma mão. O que nos leva a crer que, não estando sendo atropelado, como ocorria até o momento, o cubano não deixaria o ringue depois de pelejar apenas 50% do tempo estimado. Mas este é só um palpite, uma opinião de quem está do lado de fora das cordas.

Por fim, vitória contundente de Vasyl Lomachenko, que dominava de forma ampla a disputa, tendo vencido todos os rounds em nossa papeleta até o momento da interrupção, uma superioridade muito maior do que o esperado por qualquer um previamente ao embate. Seus movimentos de perna anularam qualquer chance de reação de Rigo, um mestre nesse mesmo jogo, e o frustraram demais. Mais do que a mão, o que pareceu quebrado em Guillermo nesta noite em Nova Iorque foi o seu espírito.

Lomachenko faz, então, pela quarta vez seguida, alguém desistir da batalha no meio, por simplesmente anular qualquer motivação que este possa vir a ter. Se o boxe tem um ceifador de almas, este é o ucraniano, que entrará em 2018 rivalizando com Terence Crawford pelo posto de melhor lutador, libra-por-libra, no mundo.

O evento, que contou com mais três combates preliminares transmitidos, foi ao ar pelo SporTV3, ao vivo, para todo o Brasil.

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