Pós-Luta

Publicado em 24 de Julho de 2016 às 01h:05

Crawford brinca com Postol e unifica cinturões dos super-leves

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Autor Daniel Leal


O norte-americano não tomou conhecimento do atleta da Ucrânia, tomou-lhe o cinturão do CMB e defendeu seu título da OMB de forma totalmente dominante. Na principal preliminar, Oscar Valdez quem brilhou e tornou-se campeão mundial pela primeira vez (Imagem: AP Photo/LM Otero)

Terence “Bud” Crawford (29-0, 20 KOs) teve pouco trabalho diante de Viktor “Iceman” Postol (28-1, 12 KOs) para tirar-lhe a invencibilidade, unificar os cetros OMB e CMB dos super-leves (até 63,5 kg) e se firmar como um dos maiores da nobre arte mundial na atualidade. O encontro ocorreu em excelente evento realizado no MGM Grand, em Las Vegas, EUA, na noite deste sábado.

Em um assalto inicial de muito estudo, Postol dominou no jab durante os primeiros 2 minutos. Nos últimos 60 segundos Crawford até ousou mais, porém o ucraniano conseguiu acertar poucos golpes, mas limpos. Mesmo com dificuldades para entrar no raio de ação de seu adversário, o americano conseguiu achar mais brechas e levou vantagem no giro seguinte. Ainda assim, até então, a cautela prevalecia dos dois lados.

Utilizando bem sua envergadura maior, Viktor arriscou-se um pouco mais, entrando e saindo, fazendo bom uso do jab e de sua direita, além de escapar dos contragolpes durante o 3º. Mais ativo, Terence conseguiu soltar mais sua esquerda quando trocara de base, e atingiu o atleta da Ucrânia com maior contundência na passagem seguinte. A principal consequência disso ocorreu no quinto round, quando Postol sofreu knockdown logo no primeiro segundo. Levantou-se imediatamente mas foi pêgo por belo direto de canhota e, abalado, acabou derrubado novamente, próximo as cordas.

Retornando para o sexto mais agressivo, o então campeão do CMB tinha senso de urgência nos olhos. Isso não impediu que a movimentação do titular da OMB e um cruzado de direita no final do período lhe causassem problemas. O domínio de Crawford seguia mantido, de forma idêntica, no oitavo. Seu adversário parecia perdido ao ter que partir para cima, não conseguindo repetir a frieza dos primeiros momentos.

Habilidoso, confortável e caminhando como quem deslizasse no ringue, Terence seguia colocando Viktor “no bolso”, sem dar chances, desequilibrando-o, física e mentalmente, em diversas ocasiões. O estadunidense brincava no tablado, fazendo um experiente oposto como o ucraniano, parecer um amador. Não raros eram os “jab-diretos” que faziam o europeu balançar.

O décimo assalto chegava e a única saída de Postol seria um nocaute a esta altura. Porém, a finalização pela via rápida estava muito mais próxima de Crawford, que acertava overhands a todo o momento, de encontro, sem chances de revide. Havia outro problema, o compatriota de Vitali e Wladimir Klitschko não foi feito para a busca do KO. Seu estilo era desfavorável para tentar a resolução matadora do confronto. Sendo assim, em todas as tentativas, que ficaram ainda mais contundentes no 11º intervalo, ele acabava punido com contra-ataques e combinações. Para piorar sua situação, teve ponto descontado ao final desta passagem, por seguidos golpes na nuca.

O último giro deveria ser a tentativa derradeira do agora ex-campeão do Conselho Mundial de Boxe em definir os rumos do embate. Doce ilusão. Mais uma vez o agora três vezes monarca, em duas categorias distintas, brincou no quadrilátero e chegou muito mais perto de nocautear do que de ser nocauteado. Uma vitória maciça, sem dúvidas. Antes mesmo do anúncio oficial, Crawford já ostentava os dois cintos em jogo. Com scores em 118-107 (duas vezes, idem á nossa marcação) e 117-108, veio a confirmação.

Terence não só saiu do MGM Grand com os boldriés tão almejados, mas também com o status definitivo de um dos principais nomes do pugilismo atual. Não há nada que não seja grandioso lhe esperando em sua próxima apresentação, e nem tem como não haver. Pacquiao? Thurman? Danny Garcia? Quem sabe? No momento, o céu é o limite para o americano.

Na principal preliminar da noite, o jovem mexicano Óscar Valdez (20-0, 18 KOs) não deixou passar a primeira chance de se sagrar campeão mundial ao nocautear Matias “La Cobrita” Ruedas (26-1, 23 Kos), da Argentina, logo no segundo assalto. Com tenros 25 anos de idade, o mexicano deu o passo mais importante de sua carreira profissional de forma fantástica.

Rueda começou tentando demonstrar boa técnica, mas logo, foi surpreendido por esquerdas potentíssimas de Valdez em sua face, fazendo-o ter que se segurar para terminar de pé o primeiro round. No entanto, Matias não teve vida fácil na passagem seguinte, sendo vítima novamente das canhotas de Oscar, dessa vez no corpo. O argentino caiu, voltou a peleja, mas não conseguiu superar novo knockdown quando o árbitro, acertadamente, interrompeu o imbróglio. “The King” faz, portanto, jus a seu nome e a fama de um dos mais promissores pugilistas da atualidade, tornando-se campeão dos penas pela OMB. Verdade que o caminho ficou mais fácil após Vasyl Lomachenko abandonar o cinturão, deixando-o vago, mas isso não tira o brilho de sua conquista. Portanto, guarde este nome, fã do boxe!

A transmissão iniciou-se com o confronto entre Jose Benavidez (25-0 16 KOs), que vinha de vitória por pontos sobre o brasileiro Sidney Siqueira, e o mexicano Francisco “Chia” Santana (24-5-1, 12 KOs). Superior tecnicamente, Benavidez pareceu sofrer de problemas na mão direita durante a maior parte das ações, trocando de base em vários momentos para que pudesse atuar como canhoto e administrar melhor o combate. Santana, unidimensional, só conseguia lutar no corpo a corpo, fazendo seu oponente apenas aguardar aberturas em suas combinações, tranquilamente, enquanto escorava-se nas cordas. Apesar da apatia de Jose em muitos instantes dar margem para bons momentos de “Chia”, o atleta do México não foi capaz de suplantar seu algoz invicto. Com marcações em 96-94, 100-90 e 98-92, Benavidez venceu e manteve-se sem derrotas no currículo. O Round13 viu o confronto em 97-93 à favor do vencedor.

Em enfrentamentos não transmitidos, o ucraniano Oleksandr Gvozdyk (11-0, 9 KOs), tomou um susto, mas venceu Tommy Karpency (26-6-1, 15 Kos). Gvozdyk caiu nos primeiros três minutos, passou por sérios riscos, mas recuperou-se parar bater Karpency no sexto intervalo, depois que este teve problemas para levantar-se durante os 10 segundos de contagem. Com isso Oleksandr conquistou o título norte-americano dos meio-pesados versão NABF (CMB). O peso-médio japonês Ryota Murata (11-0, 8 ko's), por sua vez, não teve problemas para derrubar George Tahdooahnippah (34-3-3, 24 ko's) com um golpe no corpo e, posteriormente, encerrar o combate ao encaixar combinação explosiva, logo no primeiro round.

O evento foi transmitido, ao vivo, pelo SporTV, com comentários de Daniel Fucs.

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