Pós-Luta

Publicado em 15 de Outubro de 2017 às 02h:49

Em grande noite, todos os campeões mantêm os títulos!

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Autor Daniel Leal

Nas cinco disputas por títulos mundiais levadas ao ar pela Fox Sports2 nesta noite, todos os detentores mantiveram seus cinturões. Foi uma bela noitada para os amantes da nobre arte e que pode ter atraído novos fãs para o esporte. (Imagem:Montagem R13)

A noite de 14 de Outubro de 2017 ficará marcada pelas várias contendas válidas pro cetros mundiais transmitidas ao vivo pela Fox Sports2 para o Brasil. Alternando entre a Califórnia e o Brooklyn, o canal a cabo deu show ao levar ao ar cinco contendas valendo boldriés das quatro grandes entidades regentes do pugliato.

Na primeira disputa mundialista da noite, Abner Mares (31-2-1, 16 ko's) logo mostrou á que veio e começou impondo superioridade logo no primeiro giro diante de Andres Gutierrez (35-2-1, 25 ko's), que o desafiava pela cinta “regular” dos 57,2 kg pela Associação Mundial de Boxe. Suas combinações e velocidade eram visivelmente superiores às do desafiante desde o início.

Castigando o valente Gutierrez o tempo todo, o confronto se encaminhava para uma tranquila vitória por pontos para Mares, mas um rombo no supercílio esquerdo de Andres, que se abriu pouco a pouco, fez com que o médico encerrasse a disputa durante o décimo assalto. Como a interrupção foi causada pelo que foi considerado um corte acidental, os scores foram lidos e deram vitória de forma unânime para Abner, que credenciou-se para encarar o vencedor da contenda seguinte da programação.

Já naquela que foi a luta de fundo do StubHub Center, em Carson Califórnia, Leo Santa Cruz (34-1-1, 19 ko's) teve pouco trabalho diante de Chris Avalos (27-6, 20 ko's) para manter o seu título de “Super” campeão mundial dos penas pela AMB. Ao final dos primeiros três minutos este fato ficou claro ao fazer Avalos sentir uma sequência de jab-direto.

Afoito pelo nocaute, Santa Cruz quase o alcançou durante a quarta passagem, mas seu contendor, valente, sobreviveu. Depois de castigar demais o adversário, Leo conseguiu a interrupção no oitavo assalto. O árbitro encerrou as ações após um mais um direto limpo adentrar à guarda de Avalos. Mesmo sem estar vendido, o mediador preferiu evitar maior punição e paralisou a contenda mais pelo acumulo de dano do que pelo momento.

Com a manutenção do cinto e a vitória de ambos, Santa Cruz e Abner Mares devem dividir, novamente, o tablado, no primeiro trimestre de 2018, como já era de se esperar.

Indo para o Barclays Center, na outra costa dos EUA, Jarrett Hurd (21-0, 15 ko's) e Austin Trout (30-4, 17 ko's) abriram o espetáculo duelando pelo cinturão da FIB dos médios-ligeiros, então em posse do primeiro, em uma bela peleja aonde a magnitude física do campeão fez mais diferença do que a qualidade técnica para a manutenção de seu posto.

Ambos começaram se estudando, com Trout claramente disposto a colocar golpes com maior contundência. A partir do segundo round, no entanto, a experiência e habilidade do desafiante passaram a ser notadas de forma mais latente, o que fez Hurd partir para a luta franca no terceiro, impondo sua força física e confundindo através de sua troca de base.

Austin foi sublime no quarto, sendo praticamente perfeito, mesmo com uma nítida desvantagem física. Estava claro que Jarrett era o caçador, e sua pegada obviamente a maior, mas necessitava encurtar a distância para achar is melhores punches. Isso aconteceu no sexto intervalo, quando chegou a balançar o homem que visava tomar-lhe seu reinado.

Transformando o imbróglio numa briga, Hurd passou a levar vantagem e castigar a Trout. Balançou-o na sétima e oitava passagens e virou a disputa, em nossa visão, após a nona. Com os olhos fechados de inchaço, Austin teve de sobreviver aos últimos segundos do décimo assalto. O médico de ringue, no entanto, impediu seu retorno para o décimo primeiro, de forma prudente. Bela maneira de dar início à noite em Nova Iorque, com um jovem e pouco técnico rei mantendo sua monarquia da Federação Internacional de Boxe via nocaute técnico após mudar, na raça, os rumos do confronto.

Logo depois foi a vez de Jermell Charlo (30-0, 15 ko's) dar seu show. Em menos de três minutos, manteve pela segunda vez o cinturão do CMB ao nocautear de forma impressionante o então invicto Erickson Lubin (18-1, 13 ko's). No último minuto do primeiro round, quando este se encaminhava para o fim, um golpe de encontro, que vinha em upper, acertou a face inferior de Lubin, que caiu completamente sem chances de retorno. Charlo sai do Barclays Center com mais moral, seguindo detentor da cinta e com um candidato á nocaute do ano na bagagem.

No principal confronto de toda a noite, Erislandy Lara (25-2-2, 14 ko's) defendendo sua coroa AMB dos médios-ligeiros diante de Terrell Gausha (20-1, 9 ko's), começou como sempre: Sem assumir riscos, sendo inteligente, entrando e saindo do raio de ação com maestria. Seu domínio era claro quando derrubou Gausha pela primeira vez no quarto giro, após um belo direto de esquerda que entrou de forma limpa.

Lara foi ter problemas apenas no sétimo assalto, quando dois golpes o abalaram ligeiramente. Em alguns momentos, no entanto, Erislandy não se importava em não acertar e Gausha arriscava pelo menos ir para o “in-fight”, tentando dali tirar alguma vantagem, na maioria das vezes sendo frustrado.

Ao final dos 12 rounds, os jurados apontaram 116-111, 117-110 (duas vezes) todas para Lara. Vimos também 116-111 em favor do cubano, em um confronto controlado por ele desde o início, mas que não convenceu a ninguém. O brilhante caribenho joga demais na segurança, espantando o grande público e as grandes bolsas, por consequência. Nesta noite seu domínio poderia ter sido muito mais incisivo, afinal, era tão superior que até os intervalos que perdeu, foi em seus próprios termos. De qualquer forma, não já era de se esperar que atuasse assim.

A noitada, transmitida de forma irretocável pela Fox Sports2, com narração do sempre firme Éder Reis e com comentários de Mario Filho – que vem numa crescente – foi maravilhosa para a modalidade como um todo, tanto por agradar aos que já a acompanham, quanto por ter atraído, sem dúvidas, novos fãs ao pugilismo, seja no Brasil, ou nos EUA, aonde não houve cobrança de pay-per-views para assistir às programações. Mais uma vitória para o boxe!

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