Pós-Luta

Publicado em 23 de Maio de 2016 às 21h:50

Em Las Vegas, Lara vence sem muito brilho, enquanto os irmão Charlos fazem história

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Autor Daniel Leal


O cubano bateu Vanes Martirosyan, mas a performance de ambos ficou abaixo do que se esperava para a habilidade e histórico dos pugilistas. Já Jermall e Jermell tornaram-se os primeiros gêmeos á deterem cinturões mundiais na mesma categoria, de forma simultânea.

Erislandy Lara (23-2-2, 13 ko's), alçado à luta principal da programação deste spabado a noite no "The Cosmopolitan", em Las Vegas, não fez feio, mas entregou performance abaixo do esperado ao defender sua cinta da AMB dos médio-ligeiros. Dando oportunidade de revanche ao armênio Vanes Martirosyan (36-3-1, 21 ko's), com quem empatou em Novembro de 2012, o cubano sobressaiu-se nas ações e levou para casa a vitória, porém, sem demonstrar, juntamente com seu desafiante, uma batalha de encher os olhos dos que esperavam que o background amador de ambos tornasse as coisas mais plásticas aos apreciadores do lado mais técnico da nobre arte.

Martirosyan começou melhor, acertando bons punches no corpo de Lara e utilizando bem sua envergadura a seu favor. Erislandy conseguiu voltar a impor seu estilo no segundo assalto, reequilibrando a disputa. Apesar de, em determinados momentos, os golpes no corpo tornarem-se uma boa maneira de marcar pontos para Vanes, o canhoto de Cuba seguia atingindo mais do que sendo atingido.

Da metade em diante, ficava cada vez mais claro que o jab de Martirosyan estava em falta, e para alguém que procurava aproximar-se e cortar o ringue diante de Erislandy Lara, isso não tornava seu trabalho nada fácil. O armênio/estadunidense só conseguia ter ligeira vantagem quando aumentava o volume de golpes aplicados.

No décimo primeiro giro, Vanes teve ponto deduzido por golpes abaixo da linha de cintura, um erro do árbitro, em nossa visão, já que tanto o soco causador da dedução não foi ilegal, quanto os anteriores foram causados muito mais pela guarda de Lara, que impulsionou os punhos de Martirosyan para baixo. No fim este fato poderia causar efeito, mas não influenciou o desfecho do evento.

Com scores em 116-111 (duas vezes) e 115-112 – mesma visão nossa do resultado – o “Sonho Americano”, como se autodenomina o campeão dissidente da ilha dos Castro, reteve seu boldrié e segue sendo o homem à ser batido no limite das 154 libras. Martirosyan, por outro lado, talvez tenha desperdiçado sua derradeira oportunidade mundialista.

Jermall Charlo (24-0, 18 ko's) abrilhantou a programação em combate de elevada qualidade técnica contra o antigo detentor do cinturão AMB da divisão dos 68,9 kg, Austin Trout (30-3, 17 ko's), defendendo pela segunda vez seu cinturão da Fedeação Internacional de Boxe via decisão unânime dos jurados.

Trout começou melhor o confronto, parecendo fazer valer seu jab e sua experiência. Aos poucos, Jermall foi tomando mais controle das ações, e superando o domínio do tablado por parte de Austin, que procurava o jogo de movimentação, diferentemente do campeão, que apresentava-se mais plantado, tentando cortar o ringue.

Charlo esteve mais próximo de levar o oponente à lona no final do sétimo assalto, mas Trout pareceu recuperar-se muito bem para ouvir o gongo e retornar ao corner. O jogo do desafiante funcionava decentemente em alguns momentos, principalmente quando conseguia aplicar seus contragolpes de esquerda, lembrando que esta era a primeira vez em que o detentor da cinta da FIB enfrentava um canhoto.

A luta se desenrolava de forma muito técnica, um show para quem aprecia esta vertente do esporte de luvas. Em um jogo tático, a guarda de Charlo passou a fazer mais diferença a partir do último terço do embate, ainda mais com o olho direito inchado e cortado do ex-monarca a sua frente. Isso não impedia lampejos de Trout, que assustava e roubava para si alguns rounds, complicando muito a vida do jovem campeão.

Ao final dos 12 intervalos, o resultado para nós era de 115-113 em favor de Charlo. As marcações dos juízes apontaram números parecidos: 115-113, 116-112 (duas vezes), para Jermall, que defendeu sua coroa e conseguiu, junto de seu irmão,  tornarem-se os primeiros gêmeos à deterem cinturões na mesma categoria, simultaneamente.

Tudo isso pois, na principal semifinal, Jermell Charlo (28-0, 13 ko's), fez sua parte e conseguiu capturar seu próprio boldrié ao bater John Jackson (20-3, 15 ko's), em contenda válida pelo reinado do Conselho Mundial de Boxe, que se encontrava sem dono. Charlo conseguiu vencer pela via rápida durante a oitava passagem, utilizando sua esquerda de forma bastante precisa e violenta, fazendo, então, história ao lado de Jermall.

Em outra preliminar da noite, o cazaque Beibut Shumenov (17-2, 11 ko's) recuperou-se de uma queda sofrida no quinto round para nocautear o azarão americano Junior Wright (15-2-1, 12 ko's), no décimo assalto, em disputa pelo cetro da Associação Mundial de Boxe nos pesos cruzadores. Shumenov, considerado agora o titular “regular” desta divisão de peso, deverá dividir o ringue com Denis Lebedev, que unificou a alcunha de “Supercampeão” da entidade com o reinado da FIB na tarde de hoje.  

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