Pós-Luta

Publicado em 06 de Novembro de 2016 às 03h:22

Em noite de estreia para Robson, Pacquiao volta a brilhar em Vegas!

Foto do autor

Autor Daniel Leal

Nosso medalhista de ouro fez exibição que dispensa comentários diante de Clay Burns, estreando com o pé direito no boxe profissional. Já a estrela filipina, aos 37 anos, fechou a noite recuperando o cinturão mundial dos meio-médios pela OMB. (Imagem: TR/Montagem R13)

Manny Pacquiao (59-6-2, 38 ko's)provou que continua muito bem e retomou a cinta OMB dos meio-médios ao derrotar Jessie Vargas (27-2,10 ko's) agora a pouco no Thomas & Mack Center, em Las Vegas, Nevada. De início mais moroso e final mais explosivo e dominante, assim como fora contra Timothy Bradley, a estrela da Filipinas levou a melhor por decisão unânime dos jurados e somou mais um êxito.

Em um início sem muita efetividade de Pacquiao, até com ligeira vantagem para Vargas, Manny conseguiu melhorar as coisas para si após aplicar knockdown no então campeão durante o segundo round. Apesar de não ter sido graças a um golpe potente e ter sido causada mais por um desequilíbrio, a queda foi valida e importante na pontuação. Além disso, o filipino se empolgou e ganhou mais intensidade no giro seguinte.

Pacquiao tinha facilidade em aplicar a esquerda, mas também sofria contragolpes limpos em alguns momentos. Aproveitando-se disso, Jessie foi melhor com sua direita, principalmente no quinto e no sexto assalto. No sétimo as coisas esquentaram um pouco, com boas trocas de socos e bons momentos de ambos os pelejadores.

O oitavo intervalo desenhou-se como o melhor da luta, com Vargas fazendo o legendário boxeador das Filipinas sentir um bom direto de direita, respondido com uma sequência poderosa. O americano já ostentava um corte na testa durante a nona passagem (causado por cabeçada acidental) e sua frustração era evidente.

O combate seguiu tranquilo para Manny, que foi bastante superior nos momentos finais. Apesar de levantar as mãos ao final do 12º round, era claro que Vargas estava já derrotado. E as marcações dos jurados confirmaram este fato com 114-113 e 118-109 (duas vezes). Em nossa pontuação a vantagem do novo campeão foi de 117-110, enquanto para Daniel Fucs o resultado foi 119-109. Pacquiao torna-se rei mundialista pela 11ª vez em sua estrelada trajetória, nada menos do que o merecido. O futuro pode reservar-lhe Terence Crawford, ou uma revanche diante de Floyd Mayweather Jr. Aguardemos a escolha de seus promotores, mas, particularmente, uma batalha frente á Crawford seria a mais interessante, hoje.

A noite deste sábado, 5 de Novembro, começou bem para nós, brasileiros. Isso porque Robson Conceição (1-0, 0 ko's) estreou com o pé direito na vertente profissional do esporte de luvas ao dominar Clay Burns (4-3-2, 4 ko's) dentro do limite dos super-penas. O medalhista de ouro nos leves nas olimpíadas do Rio em 2016, dominou cada segundo de combate, confiando muito em suas combinações e esquivas para vencer por decisão unânime dos jurados com marcações idênticas de 60-54, três vezes. Início promissor para Conceição, que tem pressa para ser campeão e impressionou. Sem nenhum problema para bater o limite de 58,9 kg da divisão em que atuou hoje, há de se pensar se não pode descer mais uma, ou até duas, categorias no futuro, visando um aumento nos danos causados por seus punches e menor risco de sofrer com os ataques alheios.

Na principal preliminar da programação, Oscar Valdez (21-0, 19 ko's) não teve muitos problemas para sobressair perante o japonês Hiroshige Osawa (30-3-4, 19 ko's) e manter seu título dos penas pela Organização Mundial de Boxe. O atleta do México esteve em vantagem nas ações desde o início. Apesar da boa resistência do desafiante, este acabou sucumbindo durante o sétimo período, quando ficou vendido nas cordas, sofrendo boa sequência, obrigando à interrupção do árbitro. Essa foi a primeira defesa de Valdez, que deve defendê-lo novamente no começo de 2017 diante do brasileiro Adeilson “Del” dos Santos (18-2, 14 ko's). O acordo já estava feito antes mesmo de Valdez bater Osawa e só era necessária a manutenção do boldrié por Oscar para a confirmação do desafio de Del, que ainda deve atuar mais uma vez antes do final de 2016.

A melhor contenda da noite foi protagonizada por Jesse Magdaleno (24-0, 17 ko's) e o hexacampeão do mundo, Nonito Donaire (37-4, 24 ko's), que colocou o cinturão dos super-galos, também pela OMB, em jogo, e acabou derrotado. Em uma disputa equilibrada, Magdaleno encaixava mais socos, enquanto Donaire era preciso nos contra-golpes. Após o soar final do gongo, as marcações dos jurados apontaram vitória do mexicano por 116-112 (duas vezes) e um exagerado 118-110. O Round13 viu 114-114, um empate em imbróglio bastante igual em vários momentos, e com certos assaltos de difícil maração.

O chinês Zou Shiming (9-1, 2 ko's) abriu o card principal do evento arrebatando o seu primeiro mundial na carreira. Ele conquistou o cetro dos moscas pela OMB, que estava vago, ao vencer Prasitsak Phaprom (39-2-2, 24 ko's), da Tailândia, pela segunda vez. Ambos já haviam se enfrentado há dois anos, e o resultado fora o mesmo desta noite: Vitória confortável de Shiming nos pontos. O ex-campeão olímpico, e estrela chinesa, conseguiu uma das quatro principais coroas da nobre arte, em sua segunda tentativa e apenas na décima atuação na vertente remunerada do pugliato, para alegria de Bob Arum, que já deve contar os dólares que ganhará com seu pupilo promovendo-o no oriente. Curiosamente, outro tailandês, Amnat Ruenroeng, impediu que Zou se tornasse monarca da FIB em março de 2015, naquela que havia sido sua sexta apresentação profissional.

O evento foi transmitido, ao vivo, para o Brasil pelo SporTV, com comentários de Daniel Fucs.

Comentários