Pós-Luta

Publicado em 21 de Maio de 2017 às 16h:38

Em sábado agitado, Crawford, mais uma vez, brilha!

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Autor Daniel Leal


Em um fim de semana que até treinadores saíram dando socos por ai, Terence Crawford teve poucas dificuldades para manter os títulos CMB e OMB dos super-leves.Gervonta Davis fez sua parte e manteve o cetro da FIB, em Londres, enquanto Ryota Murata não conseguiu arrebatar o cinturão dos médios pela AMB, lutando em casa, após decisão controversa dos jurados. (Imagem: Sky Sports)

Não foi um sábado comum, definitivamente, este 20 de Maio de 2017, para o pugilismo mundial. Como seu grande destaque e maior evento, Terence Crawford (31-0, 22 ko's) defendeu o cinturão do Conselho Mundial de Boxe e também o da Organização Mundial de Boxe na categoria dos meio-médios-ligeiros, ao fazer o córner de Felix Diaz (19-2, 9 ko's) retirá-lo do combate após dez assaltos.

Crawford usou sua já conhecida habilidade, para manter o medalhista de ouro em Pequim-2008 sob controle. Mesmo cometendo falhas defensivas já notórias, o estadunidense não teve tantas dificuldades para dominar o desafiante dominicano, que, valente, tentava fazer o que podia. Após castigar Diaz o suficiente a ponto de comprometer sua visão, os segundos do contendor resolveram encerrar às ações, decretando o nocaute técnico em favor do americano.

Com isso, além de seguir sendo campeão unificado, Terence está mais próximo de confrontar Manny Pacquiao, no segundo semestre, se este vencer Jeff Horn, na Austrália, em Julho.

O evento, que ainda contou com a exibição de algumas preliminares, foi transmitido, ao vivo, direto do Madison Square Garden, pelo SporTV2.

Davis vence em Londres.


Imagem:  Kevin Quigley/Daily Mail

Sem muitas dificuldades, Gervonta Davis (18-0, 17 ko's) manteve o cetro FIB dos super-penas e seu status de grande promessa do boxe atualmente ao transpassar Liam Walsh (21-1, 14 ko's), por nocaute técnico no terceiro round. Após impôr queda ao adversário, que lutava em seu país, Davis foi para cima e finalizou o confronto, obrigando o árbitro a intervir.

O pupilo de Floyd Mayweather Jr. impressionou, e volta para os EUA mantendo seu boldrié pela primeira vez, tirando a invencibilidade do britânico, que reclamou da interrupção do confronto, sem muita razão para tal.

Defesa de Garry Russel Jr. é ofuscada por confusão em Maryland.


Treinador de Dirrell agride Uzcategui após final da luta (Imagem: bloodyelbow.com)

Em programação ocorrida em Oxon Hill, Maryland, o lutador da casa e campeão mundial dos penas pelo CMB, Garry Russel Jr. (28-1, 17 ko's), manteve pela segunda vez sua coroa ao vencer Oscar Escandon (25-3, 17 ko's) por TKO no sétimo giro. Porém, a atenção ao evento veio mais do que aconteceu na principal preliminar, do que no desempenho do desinteressante Russel Jr, um campeão que luta uma vez por ano, e olhe lá, sem atrair holofotes.

Em confronto pelo interinato da FIB nos super-médios, Andre Dirrell (26-2, 16 ko's) foi agraciado com a desclassificação do venezuelano Jose Uzcategui (26-2, 22 ko's), que o nocauteou durante o fim do oitavo round. O problema é que o último golpe da sequência aplicada por Uzcategui entrou após o soar do gongo.

A arbitragem então, desclassificou o surpreendente lutador da Venezuela, que foi soberano durante a maior parte da contenda. Uma confusão se estabeleceu no ringue após a decisão, e o treinador de Dirrell, Leon Lawson Jr. foi o protagonista da cena mais bizarra da noite, ao ir até o córner oposto, discutir e desferir dois socos covardes em Uzcategui. Lawson Jr, que também é tio de Dirrell, fugiu do local e está sendo procurado pela polícia por agressão.

Esta não foi a primeira vez que um golpe ilegal fez o americano vencer um embate. Em 2010, o alemão Arthur Abraham acertou um soco em Andre quando este já havia sido derrubado e acabou, também, sendo desclassificado. Em ambas as situações isso ocorreu pois o estadunidense demonstrou não ter condições de seguir lutando.

A Fox Sports, que deveria escolher melhor aonde gasta seu dinheiro comprando direitos de transmissão, levou os confrontos ao ar, ao vivo, para o Brasil. Se a mesma tivesse uma boa direção de programação, poderia economizar ao não exibir eventos de forma simultânea em que outros mais interessantes ocorrem para, por exemplo, ter levado ao ar a luta entre Anthony Joshua e Wladimir Klitschko. Não é birra e nem crítica destrutiva, é apenas uma constatação lógica que serve como dica.

Murata perde para N'Jikam, no Japão!


Imagem: AP Photo/Toru Takahashi

Sem dúvidas a decisão mais polêmica deste final de semana ficou para a disputa do cinturão “regular” dos médios pela AMB entre o japonês Ryota Murata (12-1, 9 ko's) e Hassam N'Dam N'Jikam (36-2, 21 ko's), camaronês radicado na França.

Com o título vago, os promotores de Murata ganharam o leilão dos direitos promocionais do imbróglio e o levaram para o Ariake Colosseum, em Tóquio, aonde ninguém imaginaria que os jurados favoreceriam alguém que não fosse o atleta nipônico, superstar em seu país.

Só que, após 12 rodadas bem disputadas, N'Jikam foi apontado como o vencedor por dois, dos três jurados, com marcações em 116-111 e 115-112. O terceiro juíz, Raul Caiz, viu Murata sobressair com 117-110. Uma disparidade incomum entre os placares e que gerou uma série de questionamentos.

O Round13 viu a luta e analisou ela sob os critérios adequados. Para nós, Ryota deveria ter sido apontado como vencedor por um apertado score de 114-113. O knockdown que o boxeador de Camarões sofreu no quarto giro foi o que deu a vantagem para o medalhista de ouro em Londres-2012, na nossa interpretação. O que causa estranheza foi o abismo apontado pelo corpo julgador.

O novo campeão começou melhor e atacava bem o corpo, ainda que seu maior volume tenha se concentrado mais na guarda do adversário. O pugilista do Japão, menos ativo no início, pecou nas combinações, mas era claramente mais forte e preciso em determinados momentos.

Este resultado pois fim, por enquanto, às esperanças de Esquiva Falcão em conseguir revanche diante de Ryota Murata, valendo a coroa em jogo na manhã de sábado (noite na Ásia), em 2018. Mas, Gilberto Mendonza, presidente da Associação Mundial de Boxe, pode ter reacendido esta expectativa do brasileiro. Ele pediu desculpas aos japoneses após o evento por seus jurados não terem demonstrado um resultado condizente (segundo ele), dizendo ter marcado 117-110 para Murata. Mendonza só se esquece que seu trabalho não é julgar lutas. De qualquer forma, admitiu que pode ter havido um erro, não protegendo os juízes, e afirmou que solicitará uma revanche imediata.

Esse procedimento é comum em resultados polêmicos, principalmente quando envolve títulos da AMB. A entidade solicita que um corpo independente de analistas revejam e pontuem a luta, quando esta causa uma comoção no meio da nobre arte. Se estes avaliarem que pode ter ocorrido erro na marcação dos pontos, uma nova disputa pelo mesmo título é agendada. E é aí que Esquiva pode, novamente, depositar suas fichas.

Fato interessante é que Hassam N'Dam N'Jikam esteve recentemente também no caminho olímpico brasileiro ao ser um dos profissionais que disputou os jogos da Rio-2016. Só que, neste caso, acabou ficando no caminho ao ser derrotado pelo meio-pesado do Brasil, Michel Borges.

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